Saiba qual é o melhor · 23/06/2020 - 14h38

Entenda a diferença entre os tipos de testes de Covid-19 disponíveis no Brasil


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Para frear o avanço da Covid-19, é ideal que a infecção pelo Sars-Cov-2 seja detectada. Com os resultados dos testes, o governo consegue saber a quantidade de pessoas contaminadas numa região, fazer projeções e criar estratégias. Devido a essa importância foram criados diferentes tipos de testes de Covid-19 , com indicações e eficácias diferentes. No Brasil, a busca por  testes rápidos por parte de pessoas que têm a curiosidade de saber se já tiveram a doença de forma assintomática e estão, teoricamente, imunes, aumentou. Mas antes de qualquer coisa é importante conhecer os tipos de exames disponíveis e para qual caso cada um é indicado. As informações são do IG.

Basicamente, existem dois tipos principais de testes, o molecular (RT-PCR) e o teste sorológico (que engloba o popular teste rápido).

Teste Molecular (RT-PCR)

O teste molecular (RT-PCR) é considerado o teste "padrão ouro". Ele é obtido através da coleta do material genético do vírus em uma amostra de secreção nasal ou da garganta, coletada com uma espécie de cotonete (swab).

Ele é o mais indicado pelas autoridades da saúde e é utilizado para detectar a presença do vírus na fase aguda da infecção, embora detecte também, ainda que com menor precisão, a presença do vírus nas fases assintomáticas e pré-sintomáticas.

Nesta modalidade de teste, o resultado geralmente leva mais de 24 horas para sair. Para realizá-lo, é necessário pedido médico.

"O RT-PCR deve ser realizado, preferencialmente, entre o terceiro e o quinto dia de sintomas, pois ele avalia o vírus na fase aguda da infecção. Se feito muito precocemente ou tardiamente, podemos não ter o material genético do vírus e termos o resultado que chamamos de falso negativo", explica Melissa Valentini, infectologista e assessora médica do Grupo Pardini. 

Testes sorológicos

Diferentemente da modalidade RT-PCR — que deve ser feita no período em que a infecção está ativa no organismo, os testes realizados através de coleta sanguínea podem detectar tanto proteínas do próprio vírus (antígenos) quanto proteínas produzidas pelo organismo em resposta ao vírus (anticorpos – lgG e lgM).

O igM é considerado um marcador eficiente para a fase aguda da doença e começa a ser produzido entre cinco e sete dias após a infecção pelo vírus; já o igC, é um anticorpo que permanece circulando mesmo após o fim da fase aguda, indicando que a pessoa está, teoricamente, protegida de futuras infecções.

Segundo a infectologista, esse tipo de teste não é indicado para a fase aguda da infecção. "A sensibilidade máxima desses testes é após o vigésimo dia, então raramente a gente vai ter um diagnóstico positivo antes de 7 a 10 dias do início dos sintomas", explica.

"Sendo assim, ele não serve para a gente colocar o paciente em isolamento. Quando o teste dá positivo, na grande maioria das vezes o paciente já passou a fase em que ele pode transmitir a doença. Por isso esse teste é muito utilizado para inquérito sorológico, ou seja, para verificar se a população já teve contato com o vírus e está teoricamente imune", continua Melissa Vilentini.

Entre os sorólógicos, existe o teste sorológico automatizado (igG ou igG e igM), que utilizam a tecnologia de quimioluminescência (CLIA), e o  teste rápido , de metodologia imunocromatografia, que é a geração de cor a partir de uma reação química entre o antígeno (substância estranha ao organismo) e o anticorpo (elemento de defesa).

Os testes automatizados são obtidos através de pequena coleta sanguínea e possuem alta sensibilidade e especificidade quando realizados após o 17º dia de início dos sintomas da Covid-19, no caso do igG, e a partir do 10º dia, no caso do exame que avalia tanto os anticorpos igG quanto os igM.

Esse tipo de teste é indicado para pessoas sintomáticas na fase tardia, que não realizaram o exame de RT-PCR ou para avaliar possível imunidade adquirida ao vírus. Eles não são eficazes no diagnóstico de pacientes com sintomas respiratórios agudos.

Já o teste sorológico rápido, serve para detectar se o corpo teve contato com o vírus e desenvolveu proteção contra ele (as imunoglobulinas IgM e IgG). O teste é realizado através de uma amostra de sangue total, soro ou plasma do paciente por furo no dedo ou na veia, sem necessidade de apresentar pedido médico. O resultado sai, em média, dentro de 30 minutos.

É bom informar, entretanto, que mesmo que esse tipo de exame seja vendido em farmácias e drogarias, não dá para comprar e fazer em casa — como os de gravidez —, e seus resultados devem ser interpretados por um médico ou técnico da área da saúde.

A infectologista Melissa Valentini faz um alerta para o perigo dos falsos positivos e falsos negativos nesse tipo de exame.

"De regra, os testes rápidos tem uma menor acurácia, são menos sensíveis e menos específicos, com mais chances de falso positivo e negativo, diferentemente dos feitos em laboratórios, que são exames mais robustos. Por isso, devem ser usados apenas como auxiliares no diagnóstico, não possuem finalidade comprobatória", completa.


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