Destaca pesquisadora da Uespi · 16/04/2018 - 11h09

Atendimento para queixas sexuais ajuda na qualidade de vida


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Uma pesquisa realizada pelo Projeto Sexualidade (Prosex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, publicada pela revista Veja em 2016, apontou que disfunções sexuais são comuns na vida do brasileiro e afetam a qualidade de vida. A pesquisa foi conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, que fez o primeiro e maior levantamento sobre sexualidade no Brasil, no estudo Mosaico Brasil, em 2008.

Na atualização do estudo, o Mosaico Brasil 2.0, foram entrevistados três mil participantes, entre 18 a 70 anos, de sete regiões metropolitanas do Brasil: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal. Eles foram divididos em 5 faixas etárias para traçar o perfil do comportamento afetivo-sexual do brasileiro.

A pesquisa apresenta que mais de um terço (32,4%) da população masculina da amostra tem dificuldades de ter e manter uma ereção. Em torno de quase 20% das mulheres apresentam dificuldade de alcançar o orgasmo. As disfunções sexuais são problemas que afetam a qualidade de vida e até a própria felicidade.

Primeiro ambulatório de sexologia do Piauí

A professora da Universidade Estadual do Piauí e Sexóloga  Andréa Rufino trabalha com atendimento gratuito para pessoas que tem dificuldades sexuais, no Projeto Vênus, do ambulatório de Ginecologia do Hospital Getúlio Vargas.

Segundo a docente, o ambulatório atende pessoas com queixas sexuais, como por exemplo, falta de desejo sexual, mulheres que reclamam que não ficam lubrificadas para prática sexual, dor durante a penetração ou durante a prática sexual e dificuldades para atingir orgasmo. Ela afirma que entre as pacientes a queixa mais comum é a falta de desejo sexual.

“Essas queixas causam sofrimento ou conflitos para elas, especialmente no relacionamento das mulheres com suas parcerias sexuais”, destaca Rufino. A professora argumenta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) há mais de 30 anos já fala que a saúde sexual está atrelada a felicidade e qualidade de vida.

“Ter uma vida sexual satisfatória, feliz e agradável, é importante pra gente se sentir feliz em outros aspectos da nossa vida. Então, quando as pessoas têm qualquer problema com relação a sua vida sexual como falta de desejo, excitação, orgasmo ou presença de dor, há insatisfação e infelicidade”, comenta Andréa. Para ela, ofertar um atendimento para as queixas sexuais é ajudar as pessoas ter mais qualidade de vida e mais saúde.

Atendimento no ambulatório é gratuito

Atualmente, no ambulatório, são atendidas 12 pessoas por semana. Andréa Rufino e os médicos residentes em Ginecologia do Programa de Ginecologia e Obstetrícia na Uespi realizam consultas todas as terças e quartas-feiras, das 7:30 às 11:00. O atendimento é gratuito e destinado para pessoas diversas, desde jovens a adultos, de Teresina e cidades do interior do Piauí.

Rufino explica que, geralmente, o tratamento das queixas sexuais segue modelo preconizado mundialmente e recomendado pela Comissão de Sexologia da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A primeira etapa é a escuta das queixas sexuais da paciente. A segunda fase é a oferta do conhecimento. “A maioria das pessoas não tem o conhecimento sobre a questão sexual, não sabe como o corpo responde, não entende a resposta sexual do corpo”, afirma a pesquisadora.

A terceira e última fase são as orientações a serem dadas para a resolução do problema. São orientações terapêuticas de como trabalhar o desejo, a excitação, o orgasmo e a satisfação sexual. A terapia combina medicamentos, psicoterapia e fisioterapia quando necessário. “O tratamento da queixa é feito aqui, com equipe multiprofissional”, reitera Andréa.

A residente de Ginecologia e Obstetrícia, Raiza Rodrigues, faz o acompanhamento de pacientes, junto com Andréa Rufino, como parte da grade curricular do programa de residência médica. Para Raiza, o atendimento relacionado à sexualidade é um diferencial. “Aqui no Piauí, existem duas residências nessa área e só na Uespi a gente tem esse acompanhamento no quesito da sexualidade”, pontua a residente.

Segundo ela, é importante o ginecologista ter um olhar voltado para a sexualidade. “Muitas queixas das pacientes, das demandas sexuais que elas trazem para o ginecologista, elas não conseguem ser atendidas. Seja por falta de preparo do profissional em si, ou que ele não tenha o conhecimento adequado”, comenta Raiza, além de outros fatores que ela elenca, como falta de questionamento do profissional sobre as queixas sexuais do paciente e o receio da paciente em falar do problema.


Fonte: CCOM

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