Comissão Parlamentar de Inquérito -

Relatório da CPI deve indiciar Dutra; G. Dias não é certeza

Com provável entrega em outubro, o relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do 8 de Janeiro deve propor o indiciamento do general Gustavo Henrique Dutra de Menezes. Contudo, não há certeza sobre um possível indiciamento do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Gonçalves Dias, segundo apurou o Poder360.

Foto: © Lula Marques/ Agência BrasilGeneral Dutra nega negligência na retirada de acampamento do QG
General Dutra 

Uma CPI não pode indiciar uma pessoa, mas indicar a responsabilização civil e criminal às autoridades responsáveis por determinados crimes, como o Ministério Público.

A definição deve vir somente com as próximas reuniões da CPI. O relatório está previsto para ser entregue em 17 de outubro pela relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA). No entanto, é provável que a entrega atrase e seja feita somente em 24 de outubro.

Dutra foi ouvido na 5ª feira (14.set) pela comissão que investiga os envolvidos nos atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes. Na data, o general era o chefe do Comando Militar no Planalto. Foi demitido do posto em 11 de abril para assumir cargo de 5º Subchefe do Estado-Maior do Exército.

Governistas consideram que Dutra foi o responsável por permitir que bolsonaristas radicais permanecessem acampados em frente ao QG (Quartel General) do Exército, em Brasília.

Em depoimento à comissão, Dutra negou omissão ou inércia por parte dos militares durante os atos extremistas e nas ações de desmobilização do acampamento. Segundo o general, os manifestantes que chegaram a Brasília em 7 de janeiro, na véspera dos atos, não eram os mesmos que estavam acampados.

Já o caso de G. Dias é mais complexo. A oposição insiste que o general deve responder por omissão no 8 de Janeiro. Também afirmam que se isso não for indicado no relatório, Eliziane Gama estará sendo parcial.

“Se o relatório da relatora não vier com o indiciamento do senhor general G. Dias e do senhor Flávio Dino, esse relatório pode ter 1.000 páginas, mas não serve para nada, pode jogar no lixo, porque não é um caderno de investigação, é apenas parcialidade, conivência e blindagem. E não é uma blindagem político-partidária, blindagem de crime”, disse o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) durante a sessão em que o general foi ouvido.

O indiciamento de Dino é improvável. A oposição não conseguiu acordo para a convocação ou convite para o ministro da Justiça e Segurança Pública ser ouvido. Já G.Dias, além da convocação, teve seu sigilo telemático quebrado no colegiado.

O ex-ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi demitido do posto depois de aparecer em filmagens reveladas pela CNN que mostravam G. Dias no circuito interno do Palácio do Planalto com os invasores (veja fotos aqui). Na gravação, é possível ver o general servindo água aos extremistas.

O ex-ministro também depôs à CPI. Em sua participação, G. Dias afirmou que as imagens se tratavam de uma “montagem”. Disse ainda ter acionado o Plano Escudo –protocolo de defesa do Palácio do Planalto–, mas que o mesmo não foi cumprido.

INDICIAMENTO DE MILITARES

Eliziane afirmou na 5ª feira (14.set) que pedirá o indiciamento de militares e de “pessoas ligadas ao Exército” no seu parecer. Segundo ela, os depoimentos e informações reunidas até o momento indicam a participação de pessoas ligadas à corporação.

Em agosto, a relatora afirmou que havia “fortes condições” para indiciar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Fonte: Poder 360

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