Preocupação com os juros -

Os números da economia que pressionam Lula no início de mandato

A preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os juros é política: ele quer entregar algum resultado positivo na economia ainda em 2023, para melhorar a sua popularidade, principalmente entre os brasileiros de classe média. O Lula do terceiro mandato é eleitoralmente muito mais fraco do que o dos dois primeiros.

Essa não será uma missão simples. Apesar do período de expansionismo fiscal, por causa da pandemia, e do aumento dos gastos suplementares, na tentativa de se reeleger em 2022, Jair Bolsonaro entregou números positivos na economia.

O desemprego encerrou dezembro do ano passado em 9,3%, a menor taxa desde 2015 – ano em que, vale lembrar, a cadeira presidencial era ocupada pela petista Dilma Rousseff. Uma redução significativa na comparação com a taxa de desocupação que chegou a beirar os 15%, com a desaceleração da economia durante a crise sanitária.

O mercado de trabalho foi impulsionado principalmente pela retomada do setor de serviços, com o fim das medidas sanitárias de restrição e isolamento. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que acompanha a criação de vagas com carteira assinada, mostram uma criação de 2 milhões de empregos em 2022. Apenas os segmentos de serviços e comércio geraram 1,5 milhão de postos no ano passado.

Tais números também apareceram nos dados do PIB. Em 2022, a economia brasileira cresceu 2,9%. O setor de serviços cresceu acima da média, com contribuição de 4,2% para o resultado geral.

“Do lado da demanda, o consumo das famílias foi beneficiado pelo impulso fiscal (aumento do Auxílio Brasil, redução dos preços dos combustíveis, redução de impostos) e pelo recuo da inflação”, observa David Beker, chefe de economia para o Brasil e de estratégia para a América Latina do banco UBS, em relatório.

A inflação, embora ainda esteja acima da meta estipulada para o Banco Central, também deu uma trégua. Os índices de preços, que fecharam 2021 com alta de 10%, recuaram para perto de 6% no acumulado de 2022.

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Fonte: Metrópoles

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