Os dois foram ouvidos · 11/07/2019 - 15h10 | Última atualização em 11/07/2019 - 15h32

Ex-marqueteiros do PT admitem 'caixa 2', mas falam em arrependimento


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Marqueteiros foram ouvidos pela CPI do BNDES

Disseram que todos candidatos usam caixa 2

    Will Shutter/Câmara dos Deputados

Os marqueteiros políticos João Santana e Mônica Moura foram ouvidos na 3ª feira (09/07) pela CPI do BNDES da Câmara dos Deputados. O casal foi convocado pelos deputados para falar sobre empréstimos que o banco de fomento fez a países sul-americanos e africanos de 2003 a 2015.

Questionado sobre as campanhas políticas, João Santana declarou que todos os candidatos usavam caixa 2. Ele afirmou que se arrepende de ter aceitado o pagamento do seu trabalho vindo deste dinheiro:

“Me sinto profundamente arrependido sim em algumas coisas, na parte específica do método de financiamento, isso sim eu não me perdoou. Eu acho que mesmo sabendo que era uma prática que todos faziam, pela minha própria formação, por uma série de valores que eu trazia e ainda tento realimentar e trazer da minha família e de todos, eu realmente me arrependo profundamente. Agora, não me arrependo de ter exercido a profissão de consultor, de marqueteiro.”

Assista:

O marqueteiro disse que gostaria de colaborar e dar informações sobre o suposto uso do BNDES para esquemas de corrupção nos governos petistas, mas que não tinha qualquer dado sobre isso.

Sua mulher, Mônica Moura, também negou ter conhecimento sobre as atividades da instituição financeira, mas declarou que diversas empresas utilizavam o artifício do caixa 2.

“Só como exemplo, na Venezuela, onde nós fizemos a campanha do Hugo Chávez e que a Odebrecht colaborou com uma boa parte do caixa 2, a outra parte foi a Andrade Gutierrez: Eu sabia, nós sabíamos, todos sabiam, e depois foi noticiado pela Lava Jato, que o candidato Capriles, que era o candidato opositor ao Chavez, […] a Odebrecht colaborou com o Capriles, pagou caixa 2 pro Capriles. O caixa 2 sempre existiu, não sei se tem a ver com o BNDES, não tenho ciência disso, sempre existiu, e não existia só pra uns, várias empresas doavam para o candidato, no caso se fosse presidente ou candidato que estivesse na frente, e pros outros candidatos também. Aqui no Brasil nós sabemos, a Odebrecht doou para Dilma e doou pro Aécio”, declarou a marqueteira.

João Santana cumpre prisão domiciliar desde outubro de 2018. Ele e Mônica Moura foram condenados pelo ex-juiz da Lava Jato e agora ministro da Justiça, Sérgio Moro, a 8 anos e 4 meses de prisão por irregularidades na campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010.

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