Escândalos dominuíram · 12/08/2019 - 16h24

Chamar Bolsonaro de Bozo é o mais raso senso comum, diz Mario Rosa


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Governo Bolsonaro pensa ‘fora da caixa’

Lista tríplice não está na Constituição

Escândalos de corrupção diminuíram

O palhaço Bozo, criado pelo americano Alan W. Livingston, em 1946, fez sucesso em mais de 40 países, em especial no Brasil, onde foi ao ar pelo SBT de 1982 a 1992
O palhaço Bozo, criado pelo americano Alan W. Livingston, em 1946, fez sucesso em mais de 40 países, em especial no Brasil, onde foi ao ar pelo SBT de 1982 a 1992    Reprodução/SBT

Atenção, esquerdominions: façam como seus clones do campo oposto e preparem todos os insultos possíveis. Este é um artigo a favor do presidente Jair Bolsonaro.

Se você me chamar de Bozo, é engraçado. É engraçado chamar qualquer um de palhaço, dependendo das circunstâncias. A propósito, eu sou meio palhaço mesmo. Mas voltando ao presidente: essa história de chamá-lo de Bozo pode servir para desafogar fígados, mas é bom já ir se acostumando com a ideia de que o governo – apesar das trapalhadas estrepitosas – tem uma coletânea admirável de acertos para ostentar nestes meses de existência.

Você pode até discordar da forma como o governo pode estar acertando em alguns casos (em outros até você vai concordar), mas o importante aqui é observar o conteúdo. E no conteúdo, sejamos justos, este não é o governo de Bozo.

Vamos começar logo pela confusão mais barulhenta ou uma das mais barulhentas da estação: a nomeação do filho 03 Eduardo como embaixador em Washington. Bem, imaginemos o seguinte: e se o ex-presidente Lula tivesse indicado o grande e genial artista Chico Buarque como nosso representante na embaixada em Paris?

Para prestigiar a cultura brasileira e uma nação que é sinônimo das artes? Não seria positivo? Não estreitaria a relação entre os povos e os governos? Chico não teria livre acesso a Lula e não representaria um papel de relações públicas importante perante os franceses? Aí é que está: o cargo de embaixador não precisa ser monopólio de funcionários do Itamarati.

O que precisa ser fundamental é o apoio técnico de profissionais especializados, os diplomatas, ao estado brasileiro. E isso pode se dar, nas embaixadas, por meio do número 2 do embaixador, o encarregado de negócios, assim como é em muitos países civilizados.

O grande mérito do governo Bolsonaro – bizarrices à parte – é pensar e agir fora da caixinha. E isso não é de todo ruim. É benfazejo. E quanto ao filho embaixador? Temos aí uma democracia para frear ou convalidar se essa iniciativa constitui nepotismo. Mas o dedo na ferida que essa discussão colocou é até mais importante do que a nomeação ou não do 03. Vamos para outro tema “fascista”? A mudança na “comissão da verdade”.

A grande e insofismavel verdade é que as comissões da verdade, até hoje, fizeram um trabalho virtuoso de avaliar a responsabilidade do Estado brasileiro sobre os abusos do regime militar. Mas não contaram a verdade inteira. A história oficial, portanto, não está totalmente verdadeira perante a História.

E é natural que fosse assim. É natural que após os anos de chumbo a comoção dos perseguidos quisesse dar voz à sua dor. Mas a transição já tem quase 4 décadas: é hora de ver a verdade também do que fizeram as forças que atuaram contra a ditadura. E a democracia que vivemos está aqui, para julgar se esse julgamento estará certo ou sobrecarregado.

Alguém imagina algum dos outos presidenciáveis vendendo a BR Distribuidora? E alguém acha que a soberania nacional ficou de alguma forma fragilizada com isso? O que ficou fragilizado foi o antro de corrupção que potencialmente aquela estatal poderia se tornar se continuasse nas mãos de governantes.

Outro mérito de uma presidência disruptiva como a de Bolsonaro: ela faz coisas que a política tradicional jamais faria. Para o bem e para o mal. Mas para o bem está enfrentar o mastodôntico peso do estatismo brasileiro com um ímpeto que os políticos “normais” jamais fariam porque estariam presos aos seus acordos de sustentação política que funcionavam como uma trava para a modernização do aparato estatal brasileiro.

Lista tríplice para a procuradoria geral da república: essa foi uma invenção do petismo. Em tese, representa que o procurador geral é alguém com “apoio” da “catigoria”. E Ministério Público por acaso é sindicato? Lula inventou esse critério como uma espécie de tentativa de “cooptação” (que não funcionou) e ficou prisioneiro dele.

O que o presidente tem de fazer é…cumprir a Constituição. E lista tríplice não existe na Constituição. E o que um político, qualquer um, de qualquer tendência, tem de fazer, é buscar um procurador geral que crie o mínimo de confusão possível. Pois governar já é complicado demais para ter mais problemas criados por você mesmo, através de alguém que você escolheu.

Real politik. Encontrar novas formas – privadas – de financiamento da educação, aprovar agrotóxicos de última geração para atualizar as substâncias que podem ser usadas por nossos produtores (e assim escapar de sanções comerciais por causa das autorizacoes para agrotoxicos ultrapassados que poderiam prejudicar nossa economia, o que erroneamente é chamado pela esquerda como “aprovação de agrotoxicos”), taí um governo que fala sério.

Não vou nem falar da reforma da previdência ou da perspectiva de acordo comercial com a União europeia, dois itens que pareciam inatingíveis na agenda brasileira por muitos e muitos anos. Ah, sim: há quanto tempo não temos um governo sem escândalos de corrupção por vários meses? Até agora nada. Pode haver coisa mais poderosa simbolicamente do que isso? Sobretudo depois da avalanche da Lava Jato? Bozo é?

Andar na contramão de temas que o pensamento convencional dessas três décadas de democracia transformou em dogmas talvez seja a maior contribuição histórica do governo Bolsonaro. Questionar certezas, testar tabus, tocar em feridas, enfrentar temas que pareciam inquestionáveis.

Visto assim, não é o governo do Bozo. É um momento rico do ponto de vista de nossa auto-crítica como nação, de nossa reflexão sobre o que somos e para onde queremos ir, sobre se o que temos é o que devemos manter ou não.

É um momento precioso do ponto de vista intelectual e reflexivo. E isso ocorre justamente porque temos à frente da nação um catalisador de sinapses e catarses chamado Jair Messias Bolsonaro. Por ter esse perfil, ele pode uma hora dessas capotar espetacularmente na curva e se arrebentar todo? Pode. Um dos melhores pilotos da história também acabou assim, mas Senna era Senna e não Bozo.

Quer continuar chamando o presidente de palhaço? Pode continuar. Mas pense bem: quem é que está fazendo o papel de bobo?

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