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Medida abre lapso constitucional

Foto da solenidade em que o Ato Institucional nº 1 foi anunciado pelos meios de comunicação
Foto da solenidade em que o Ato Institucional nº 1 foi anunciado pelos meios de comunicação    Reprodução

Nada mais chato num artigo de política do que falar sério. A seriedade, sobretudo em nos grandes temas, é apenas um biombo para a falta de brilho ou de argumentos realmente originais. A seriedade é um reboco. O sarcasmo é uma patina. E o pedreiro aqui vai salpicar a parede deste artigo com o reboco de uma sisudez peçonhenta para tratar do primeiro Ato Institucional de nossa democracia, o AI-1. Trata-se do chamado inquérito das Fake News aberto pelo Supremo Tribunal Federal.

O tema serve também de pano de fundo e como pretexto para marcar o início da presidência do ministro Luiz Fux no mais alto posto da magistratura brasileira.

Comecemos fazendo justiça com a Suprema Corte da Justiça brasileira: de fato, havia em marcha um processo de desbalanceamento do equilíbrio entre os poderes e o Judiciário, inclusive os insignes ministros do STF, estavam sendo alvos de ataques seriais que, em última análise, tinham o poder de minar a autoridade e a respeitabilidade da instituição perante a população. Ataques orquestrados e maciços colocavam em risco de colapso a própria sobrevivência da Corte. Como escapar dessa armadilha pelas vias democráticas?

A verdade é que não existe maneira de respeitar integralmente todos os melindres democráticos quando uma democracia está ameaçada de morte. E o que se viu, no inquérito das Fake News, foi a supressão momentânea de alguns princípios da atual Constituição Cidadã, sob a excusa meritória de preservá-la. Os formalistas irão dizer: mas, ora, a instauração do inquérito foi aprovada por ampla maioria do próprio Supremo. Logo, é constitucional!

No primeiro AI-1, de 9 de abril de 1964, o auto proclamado “Comando Supremo da Revolução” também cometeu uma pirueta constitucional. Ao mesmo tempo em que deliberou a cassação de mandatos parlamentares, sacramentou logo em seu artigo primeiro:

– São mantidas a Constituição de 1946 e as Constituições estaduais e respectivas Emendas, com as modificações constantes deste Ato.

Ou seja, a Constituição vigente continuava valendo. Só que não (só iria ser varrida com a outorgada 3 anos depois, em 1967). Era mera pirotecnia retórica. Para todos os efeitos práticos, o arcabouço constitucional estava sendo violado. E Constituições e virgindades são conceitos que não aceitam relativismos. Ou são ou não são. Para todos os efeitos práticos, o AI-1 de 1964 e o de 14 de março de 2019 são historicamente da mesma cepa. A divergência, eventual e hermenêutica, é que o primeiro era para impor o arbítrio e o segundo, para afastá-lo.

O problema de debater questões delicadas é… que são delicadas. E discuti-las no calor dos acontecimentos envolve ainda a borra das paixões, o combustível que incendeia as sociedades e a política, sobretudo em tempos de tormentosos. Chamar o inquérito das Fake News de AI-1, para muitos, pode ser um paralelo deslustroso, ao comparar a iniciativa com o marco inaugural de um regime de exceção que tantas feridas deixou em nossa história recente.

Mas ignorar o lapso constitucional aberto pela medida é negar um fato objetivo: por melhores que tenham sido as intenções (e a História poderá justificar e referendar esse ato), o fato é que nossa democracia deu um salto triplo carpado constitucional, sob a propalada nobre intenção de preservar o sistema constitucional vigente, ao se antecipar ao risco de erosão política da Suprema Corte.

O inquérito das Fake News subverte todos os trâmites processais cabíveis a todos os outros feitos judiciais. Isso não é implicância nem crítica: é um fato. É um magistrado que comanda diretamente as investigações e as ações policiais, sem a mediação (prevista na Constituição) da excelsa instituição do Ministério Publico. O argumento utilizado para essa exceção foi de que o MP adotou postura excessivamente passiva diante dos ataques sucessivos sofridos pelo Judiciário e seus representantes, notadamente os ministros da Suprema Corte.

Do ponto de vista da democracia, o importante é saber como será construída a porta de saída para essa situação de todo sui generis. Sim, porque no caso do AI-1 original aquele era apenas um primeiro passo para a implosão da ordem constitucional em vigor, o que nem os mais pessimistas de hoje em sã consciência podem sequer acreditar ser o propósito. Mas o precedente está dado, frise-se.

O que fica disso tudo é que nossa democracia foi tão abalada nos últimos anos que inúmeras cicatrizes foram deixadas. A extensão do trauma, do ponto de vista constitucional, será a lembrança de que o guardião da Constituição se viu na contingência de outorgar um remédio jurídico inconstitucional para tentar salvar a ordem constitucional! Dos males o menor?

Um verbete: não se pode retirar de todo esse contexto a postura, no mínimo, bipolar, adotada pela Suprema Corte em relação aos princípios da Constituição em vigor, ora respeitando-a, ora ignorando-a, com construções cerebrinas de Plenário no auge da Lava Jato. O tempo mostrou que a “jurisprudência criativa” é um eufemismo para a abolição dos marcos civilizatórios. E só existe Supremos em civilizações.

O episódio todo mostra a que ponto chegamos. Mas somente a sabedoria daqueles que tem o poder de solucionar essa contradição institucional é que mostrará se nós, como sociedade, soubemos evitar o pior e, ao mesmo tempo, mostrar que eventuais arbítrios democráticos são menos deletérios que os arbítrios do autoritarismo. É óbvio que há inocentes no meio disso tudo e que estão pagando o preço de uma “batalha histórico-institucional”. E eles? Serão moídos, destruídos, mártires de uma briga de Titãs? Justiça é isso e esse é o melhor exemplo que o Supremo pode dar?

Que Deus ilumine os homens com boa vontade. Amém. 🙏🏽

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Flexibilidade e conciliação · 26/08/2020 - 17h31

A voz de Deus é a voz do povo: deixa o Mito pedalar, diz Mario Rosa


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Política: flexibilidade e conciliação

As pedaladas sempre existiram

Brasília é realmente uma cidade imaginária. Enquanto Versalhes discute pomposamente “teto de gastos”, aquela outra partezinha em volta do quadrilátero –chamada caprichosamente de “Brasil”– discute o “abismo social”.

Ora, ora, senhores! A tentação do Mito de querer fazer uma pedalada assistencial para se reeleger –colocando o Renda Brasil na veia do povo– não é nova. Nova é essa súbita síndrome de responsabilidade canina com abstrações contábeis para conduzir a política. Vejamos.

(Antes de tudo, para os “racionais”: não se está pregando aqui o fogo às vestes, o populismo fiscal, o curto prazo em sacrifício do desenvolvimento sustentável. Não. É preciso haver disciplina fiscal, claro. Mas todos os últimos presidentes, cada um ao seu modo, fizeram gradações na aplicação dessa “responsabilidade”.

A política é isso: flexibilidade, conciliação. Ainda mais na contabilidade nacional, cheia de números mastodônticos e quase imaginários. Ou seja, há muito espaço para resolver o equilíbrio fiscal fora a única premissa de engessar politicamente o Mito). Vejamos, de novo.

O inefável José Sarney foi o autor de uma das maiores pedaladas da historia, a pedalada inflacionária, chamada “Plano Cruzado”. Segurou aritificialmente a inflação até depois da eleição. Com isso, elegeu todos os governadores e uma maioria fundamental para que a Constituinte –sim, senhoras e senhores, a Constituição de 1988 é fruto de uma “pedalada”– não se tornasse um depositário (ainda maior) de alucinações e idealismos humanitários mofados.

A pedalada inflacionária de Sarney estava certa? Historicamente falando? Olhando em perspectiva? Sim. Porque assegurou a estabilidade institucional, embora possa ser visto também como um estelionato eleitoral pelos críticos.

A pedalada do milênio chamou-se “Plano Real”. O astucioso presidente Fernando Henrique criou a “pedalada monetária” para se reeleger: segurou articialmente a “paridade” entre o dólar e o real –um dólar valia um real: viva o Brasil!– até depois da eleição de 1998.

Eleito, adotou o câmbio flutuante. Tudo explodiu, inclusive a popularidade do governo, as taxas de juros que chegaram a quase 50% em termos reais, as reservas derreteram, o governo teve de fazer acordos humilhantes com o Fundo Monetário Internacional. Olhando em perspectiva foi algo positivo? O segundo mandato de Fernando Henrique deixou alguns marcos importantíssimos, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a própria continuidade de inúmeras políticas de estabilização iniciadas no primeiro mandato.

A “pedalada fiscal” de Dilma, essa, entrou para a História. O governo turbinou os gastos públicos, num movimento anticíclico após a erosão do superciclo das commodities provocado pelo aspirador de compras, chamado PIB chinês crescendo a 15% ao ano. Dilma se reelegeu, incinerando dinheiro público. Ganhou por pouco. Depois foi derrubada, mais por falta de equilíbrio para guiar a bicicleta do que pelo problema com os pedais. Houve méritos nas pedaladas dilmistas? No mínimo, acrescentou um compêndio de experimentações fiscais para futuros estudos de economistas.

E agora? Com o Mito? Como resistir a praticar uma “pedalada assistencial”? O Programa Emergencial está aí, quicando, a pandemia não foi criada por ele, há a possibilidade concreta do Mito entrar pra História como o autor do maior programa assistencial do país. E com justificativa: em tempos de grave crise. Um Roosvelt brasileiro. Aliás, o original se elegeu e se reelegeu por causa da miséria e se reelegeu outras duas vezes –único tetrapresidente americano– por causa da Segunda Guerra Mundial.

E o Mito só precisa pedalar assistencialmente nos próximos vinte e poucos meses: incomparavelmente mais barato do que as pedaladas tucanas, petistas e a de Sarney. E o tamanho da pedalada? Definamos. Não precisa ser gigantesca. E com uma justificativa histórica inquestionável, como a de Roosevelt: quem se lembra de algum viaduto, estrada, barragem feita pelo presidente americano no primeiro mandato? Sua grande obra foi a social, o New Deal.

Salvar a economia, salvar os mais desprotegidos? Os tecnocratas míopes vão ficar contra isso? Podem até ficar. Os políticos “responsáveis” também? Ora, me poupem: todos sabem que o Mito com o Renda Brasil é um candidato forte. E a “responsabilidade fiscal” é um biombo para minar suas chances. Também.

E importante: o Brasil, desde Fernando Henrique e com impulso virtuoso de Lula, já vem ampliando e praticando políticas de proteção social há duas décadas. É o imposto de renda negativo: dar uma parte da riqueza do país para que não haja miséria. Não teremos chegado a essa altura a um estágio de maturação histórica, econômica e social que nos permita, como sociedade, erradicar a miséria absoluta entre nós? Já não temos condições de pagar por isso? Não é algo que vale a pena sob o ponto de vista não apenas moral, mas da própria estabilidade do sistema econômico e social?

Então, estamos assim: o Mito precisa quebrar o Brasil para se reeleger? Não necessariamente.

Com a aliança com os setores conservadores do parlamento, caricaturizado pela imprensa como “ Centrão”, ele pode avançar em diversas medidas modernizadores que compensem sua pedalada assistencial. Reeleito, como fez Fernando Henrique (mas sem a destruição nuclear da pedalada monetária, frise-se), pode encaminhar um governo de enormes e impactantes medidas liberalizantes.

Qual é o problema? O problema é de quem não gosta do Mito. E aí fica batendo na tecla da “responsabilidade fiscal”.

Fala sério!

Prefiro cantar um jingle:

“Nosso povo pobre hoje tem vez
Deixa o Mito pedalar
Meu Brasil auto-suficiente
Deixa o Mito pedalar…”.

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Bom mesmo é elogiar o Mito · 18/08/2020 - 08h16

Coluna verde oliva: uma apoteótica louvação ao Mito, por Mario Rosa


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Todos os presidentes são iguais

Jair Bolsonaro: típico presidente

Getúlio Vargas: único ditador

Ai, ai, ai: que saudade eu tava de falar do Mito!

Fiquei sem publicar colunas alguns meses e só podia falar bem do Mito pelas costas. Mas não é a mesma coisa: bom mesmo é elogiar o Mito publicamente! É igual o Mito falar barbaridades só pros amigos: bom mesmo era quando ele falava no cercadinho, nas lives, nas manifestações contra os Poderes…

Enaltecer o Mito: pense numa coisa que deixa algumas pessoas, sobretudo de esquerda, eufóricas! O Mito falando da democracia como se estivesse num stand de tiro? Ah…

Bons tempos…

Agora o Mito anda tão… Sei lá…

Não quero falar mal do ex-presidente Temer. De jeito nenhum! Mas o Mito anda tão, tão, tão… Temer! Só falta usar mesóclise, porra! Daqui a pouco vão botar um jaquetão no Mito. Te cuida hein, general Braga Neto: o Moreira Franco… tá na área. Fica a dica!

O fato é que se tem uma coisa que mudou no Brasil, nos últimos meses, foi o Mito. Bendita rampa do Palácio do Planalto!!! Ela é como uma trena: todos chegam ali cheios de diferenças, singularidades e imprecisões. Mas basta galga-la que a rampa os apruma, os alinha, os iguala. Todos os presidentes são iguais. E é bom que seja assim. Presidentes diferentes são os que morrem ou os que caem. Ou os ditadores…

Mas os ditadores…ah, os ditadores…esses são tão raros!

Mário Rosa
Mário Rosa 

Ser presidente é um fato histórico. Ser ditador é um acontecimento cosmológico! Tanto que só tivemos UM ditador no Brasil, Gegê, o “velhinho”, Getúlio Vargas. E ainda assim por escassos 8 anos, após o fraudulentissimo golpe do Estado Novo e seu Plano Cohen fajuto (e dizem que só agora é que inventaram as fake news: isso sim, a invenção das fake news, é a maior de todas as fake news. Mas isso a gente fala um dia).

Pois bem: Getúlio Vargas, nome de fundação, de avenidas, praças, hospitais, foi nosso único ditador. O que mostra que se o Mito tentasse se tornar ditador, e conseguisse, seria um gênio político. E todos que tiveram medo disso, aceitem que dói menos, admitiram implicitamente que o Mito tinha/tem a genialidade ou o potencial de matreirice política de um…Getúlio!

Sim, porque no regime militar, o Brasil criou uma jabuticaba sociológica. Eu me ufano do Brasil. Há duas coisas no mundo que nunca falham. Pela ordem. Em segundo lugar, bem abaixo, os relógios suíços. Em primeiríssimo lugar, o Brasil. O Brasil nunca falha. O Brasil é o paraíso da previsibilidade. Muda tudo e tudo permanece de outra forma.

Pois bem: a inventividade brasileira criou a ditadura com mandato e alternância de poder. Coisa linda de se ver. Ditador com mandato? Só no Brasil!

– Meu amor, minha ditadura termina amanhã. A gente vai ter que se mudar…

Havia ditadura militar. Mas não um ditador. É uma construção política inacreditável, que mesmo durante o arbítrio, houvesse essa alternância dentro do próprio sistema e um “ditador” não fosse capaz de se apoderar do aparato estatal.

Então, ditador, ditador mesmo, digno desse nome, só tivemos um, o magistral Gegê, o pai dos pobres –a propósito, muito antes e sem um milésimo da potência do coronavoucher.

Teoricamente falando, todos temos de ser contra a ditadura. Mas…como ficar contra um ditador? É tal a proeza de tornar-se um, sobretudo nos dias de hoje, no mundo digital, que o sujeito que se tornar ditador… é um gênio da raça! Quanto tempo dura uma ditadura hoje? Duas lives? Quantos memes Hitler aguentaria antes de ser desmoralizado?

Então, o fato concreto é que o Mito até agora vem sendo um típico presidente brasileiro. Com duas vantagens. A primeira: ele resgatou o sistema de garantias e de controle dos abusos do poder, fortalecendo os princípios de Constituição de 1988. Chuuupaaaa: o Mito fortaleceu a democracia. É fato. Não é fake.

Segundo: o Mito não governa um governo apodrecido pela corrupção sistêmica. É a primeira vez que isso acontece desde a volta dos civis ao comando da nação.

Não há mais adjetivos para definir o Mito. Ele gabaritou todos. Pelos menos seus inimigos: “homofóbico”, “moto serra”, “machista”, “miliciano”, “ditador”, “desumano”, “golpista”, “fascista”, “desequilibrado”…

Parecia que não faltava mais nada, mas graças à pandemia esgotaram o léxico do campeonato de insultos ao Mito. Agora, ele é também um “genocida”. Parabéns, Mito!!! Acho que não tem mais do que lhe chamarem. Quem sabe inventam algum elogio na falta de impropérios?

Depois do “gabinete do ódio”, botaram a culpa da pandemia no Mito. Não tem 27 governadores, milhares de prefeitos, o SUS não é um sistema que funciona com dinheiro federal e estrutura estadual e municipal? Então, fica assim: “o gabinete do vírus” fica ao lado do “gabinete do ódio”, talquei?

Outro dia eu vi um telejornal falando da pandemia. Sem musiquinha por causa das 100 mil mortes. Fiquei emocionado. Agora, são cerca de 110.000. Vi o mesmo telejornal. Minha surpresa: a musiquinha voltou. Dez mil mortes a mais é mais grave ainda! Não entendo nada nem de musiquinhas nem de telejornais.

Rachadinhas e outros que tais? Bom… o Mito é o primeiro pecador que chega ao poder? Deve ser julgado como presidente pelo que fez na função ou pelo que fez em Niaoque, no Mato Grosso, quando era tenente também?

(Na questão de presidentes, me orgulho de minha mais absoluta e irretocável coerência. Nunca mudei de posição. Nunca me manifestei sobre presidentes movido pelo calor das circunstâncias. Sempre que perguntado sobre quem foi o melhor presidente da República da história do país, nunca mudei de lado e respondi sempre do mesmo modo:

– O melhor presidente da República de todos os tempos é o… atual!

E sempre foi assim. Nunca mudei. Passaram vários presidentes, mas minha reposta é e será sempre mesma. Perdoe minha intransigente coerência…).

Bom, eu tenho que terminar com uma crítica: o Mito agora está usando máscara em público! Que coisa…

Só falta agora uma fazer live em francês com o Fernando Henrique…

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Dilma era 1 stand up comedy · 14/09/2019 - 11h19

Se fosse comédia, o governo seria Zorra Total, diz Mário Rosa


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Dilma era 1 stand up comedy

Atual governo é Zorra Total

Tem bordões que se sucedem

"É realmente uma novidade termos uma família de políticos agindo e interagindo com a plateia", escreve Mario Rosa    Reprodução/Enfu

Kkkkkkkkkkkkk…
– Você viu a última do Carluxo?
– Naaaaooooo!!!
– Pelas vias democráticas, não dá pra mudar o país!
– Kkkkkkkkkkkkk…
– Foi tuitada, retuíte ou foi na live?
– Tuitada, mano! Foi sinistro!!!
– Kkkkkkk….

O governo Dilma tinha momentos bizarros. A gestão Bolsonaro tem seus dias de galhofa. A rigor, todo governo produz lances que humoristas dos mais criativos teriam dificuldade de igualar. Mas a comédia da vida real chamada governo Dilma é bem diferente do magistral espetáculo de galhofas do “programa” Bolsonaro.

Dilma era um stand up comedy. Dilma era a maior e talvez a única piada de seu governo. Ela “estocava o vento”, “dobrava metas” não estabelecidas, homenageava mandiocas. E por aí vai. O governo Bolsonaro pode provocar risos, às vezes amarelados, mas seus deboches lembram um script de humor completo. O atual governo é Zorra Total.

Enquanto Dilma era aquela comediante desconcertante que solava no palco dos palácios e levava às vezes a plateia às gargalhadas com suas tiradas fora da casinha, o governo hoje parece um programa estruturado, roteirizado, com quadros fixos e bordões que se sucedem. No quesito escárnio, o governo parece muitas vezes uma grande produção.

Os brasileiros já vão se acostumando com alguns “quadros” que se repetem quase como num roteiro. O mais famoso e mais inusitado, sem dúvida, é “A Grande Família”. O samba de Dudu Nobre que servia de abertura para o humorístico consagrado diz tudo sobre as reinações do pai e de todos os seus zeros, zero um, zero dois, zero três: “Está família é muito unida/E também muito ouriçada/Brigam por qualquer razão/Mas acabam pedindo perdão…Pirraça pai/Pirraça mãe/Pirraça filha/Eu também sou da família/Também quero pirraçar…”.

É realmente uma novidade termos uma família de políticos agindo e interagindo com a plateia. A “tirada” do 02 dizendo que tem “literalmente se matado” para fazer a comunicação do governo melhor já é um clássico destes tempos. E o filho embaixador em Washington e o pai, numa live, defendendo a teoria sociológica do “filé para o meu filho“? Ou o “eu sou imbroxável”.

Mas, para muito alem da “Grande Família”, há outros sketches no governo que se revesam diante da audiência e criam uma narrativa que tangencia as sátiras mais apuradas. Como num programa de humor, é como se houvesse núcleos bem definidos que poderiam até funcionar como quadros autônomos. Por exemplo:

Sai de baixo – É quando os principais atores do governo saem metralhando contra si e contra todos e, sobretudo, conta o senso convencional no Twitter. O presidente tuíta cenas obscenas, o guru do regime tuíta atacando o exército e o presidente compartilha, o filho zero dois ataca o vice-presidente de todas as formas, o guru ataca os principais ministros, os líderes do PSL se atacam e atacam todo mundo e no final? Todos recebem a mais alta condecoração do pais, a ordem do Rio Branco, em reconhecimento aos serviços prestados. Kkkkkkkkkkkkk. O mais novo “bordão” desse quadro é a diária saidinha do presidente no portão da residência Presidencial. Ele desce do carro, ruma em direção à imprensa todas as manhãs e…sai de baixo!

Pânico – Esse é sensacional. O presidente baixa em meio bilhão o volume de recursos que pretende arrecadar com a reforma da Previdência, justo no dia em que seu ministro solta um estudo oficial. O desautoriza. O presidente chama a primeira dama da Franca de feia. O presidente inventa uma confusão com o presidente da OAB, insinuando que seu pai (morto pela tortura do regime militar) teria sido justiçado pelos próprios companheiros. O presidente torna o fenômeno sazonal das queimadas um problema mundial (contra ele) e ainda põe  a culpa do fenômeno (natural) nas ONGs. Como fez quando disse que ia baixar o preço do diesel enquanto o ministro estava nos Estados Unidos, levando o preço da Petrobras a derreter três dezenas de bilhões. O presidente também “mudou” a embaixada brasileira para Jerusalém, só que não; brincou que ia baixar os juros do Banco do Brasil numa solenidade; e o programa está só começando…

Os normais – É um quadro quase silencioso do governo, geralmente composto pela ala militar e, às vezes, muitas vezes, encenado pelo vice-presidente. É quando alguém com alta patente, da reserva, vem e fala coisa com coisa. É um contraste tão impressionante que torna o todo ainda mais espetacular.

Faça humor, não faça guerra – O chanceler Ernesto e, às vezes, o próprio presidente, ressuscitam esse clássico dos programas de comédia da TV brasileira dos anos 1960, sobretudo no que diz respeito à crise na Venezuela. Falam muito, radicalizam muito na oratória. Fazem guerra nenhuma, mas muito humor.

Os Trapalhões – Sem duvida nenhuma, essa magistral atração da nossa tradição humorística vem sendo encenada todos os dias, todas as semanas, na articulação política do governo com o Congresso e, em alguns casos, com o poder Judiciário. Cenas do pastelão mais ingênuo e infantil se repetem a quase todo momento. Como tudo no teatro, por enquanto é comédia. Mas a tragédia é a outra face do tablado.

Custe o que Custar – bem, para aprovar a reforma da Previdência, o governo falou “sério” e deixou as brincadeiras de lado: liberou 3 bilhões em emendas e começou o festival de nomeações. Kkkkkkkkkkkkk.

Agora, uma reflexão séria sobre a vocação popular de satirizar governantes.

Governo virar piada pode ser bom ou ruim. O lado bom é que governos populares criam aquela empatia com o povo, ficam tão próximos dele, que passam a ser como alguém da família. E nada como pegar no pé daqueles de quem mais gostamos, fazer chacota. Ou seja, virar piada pode ser a semente de um governo que tem enorme potencial de cair no gosto popular, para além da lua de mel deste início, talvez capaz de encenar o tipo de comédia que faz a alegria das massas. O elenco é impactante: o chanceler de fala dura, o presidente do leite moça, a ministra do óculos quadrado e das propostas idem, o vice-vulcânico que virou seda pura, os filhos com retórica de snipers.

Tudo isso representa o novo. Senão o novo como renovação (só o tempo dirá), mas novos códigos, novos estilos. Sem contar a pegada castrense que voltou à moda: o verde agora é vintage. E o lado ruim da piada? O lado lastimável só existirá se o governo não fizer as entregas que se esperam dele. Aí, a frustração dominará a plateia e, além de vaias, uma das expressões da perda de credibilidade são governos não serem levados a sério. E tudo que dizem ou fazem provoca um esgarçado e tenso riso de incredulidade. Quase uma reação nervosa. Mas se o governo der certo, será aquela comédia água com açúcar: todo mundo gosta, ninguém se incomoda, é divertido e não cansa de ver. Só nos resta aguardar os próximos episódios.

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A História faz o cavalo de pau · 07/09/2019 - 11h26 | Última atualização em 07/09/2019 - 22h07

A primeira vez que senti de perto a eletricidade do poder presidencial, escreve Mario Rosa


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A História faz o cavalo de pau

O Rolls Royce apenas segue

João Figueiredo, com o vice, Aureliano Chaves, e o ministro-chefe do gabinete militar, Danilo Venturini, no Rolls Royce presidencial
João Figueiredo, com o vice, Aureliano Chaves, e o ministro-chefe do gabinete militar, Danilo Venturini, no Rolls Royce presidencial    Senado Federal

Que voltas a democracia dá…

Hoje, o Rolls Royce preto Silver Wraith 1952, conversível, de couro marrom, detalhes em madeira, vai desfilar solenemente na Esplanada dos Ministérios neste 7 de setembro de 2019, trazendo a bordo o presidente Jair Bolsonaro, eleito legitimamente pelo povo brasileiro. Um militar da reserva. Egresso da mesma caserna que esse mesmo povo, não faz tanto tempo, queria tanto retirar dos assentos do mesmo Rolls Royce, os passageiros egressos das tropas quando ele trafegava pelas vias escuras do regime de 1964. E tudo que se queria era colocar ali, no Rolls Royce que hoje será o ponto alto deste 7 de setembro, um civil eleito pelo povo. Pois o povo venceu e o Rolls Royce desfilou com inúmeros civis após a redemocratização. Até que… veio o acúmulo de escândalos que culminou com a Lava Jato e o povo deu uma guinada no Rolls Royce e expulsou os civis e trouxe para bordo seu atual passageiro, o Capitão. A História faz o cavalo de pau. O Rolls Royce apenas segue.

Cheguei a Brasília menino de colo, em 1965 e desde então acompanho os triunfais festejos da celebração de nossa Independência. E, neste dia, recordo-me da primeira vez que senti a eletricidade do poder presidencial atravessando a multidão. Eu era menino e o ano devia ser 1971, 73…nem eu sei… só lembro do olhar daquilo tudo se passando pela lente sem filtros daquele menino. O fato é que Brasília e eu crescíamos juntos e ela, àquela altura, era um enorme terreno baldio de barro vermelho e mato alto. O desfile não era na Esplanada, como hoje. No “meu” tempo, na cidade quase fantasma que ainda não existia, o Eixão Sul era o lugar que concentrava a maior parte da população. Por isso, era ali que o Rolls Royce passava. O tédio de uma capital recém-nascida consegue ser ainda maior do que o de uma já consolidada, se capitais provocam tédio em certas pessoas. Pois no meio daquela poeira e daquele vazio, o 7 de setembro era como um carnaval: o maior espetáculo do ano.

As mães, sobretudo as iguais à minha, barnabés da baixa extração do funcionalismo, acordavam cedo e se arrumavam todas para disputar as primeiras filas bem em frente à avenida. E os meninos e meninas íamos com roupas bonitas participar daquela festa. E não entendíamos direito, mas todos estavam muito alegres com o garbo e a elegância de nossos soldados. E apontavam de vez em quando, com certo espanto, para ele, como ele era importante? O general! E chegávamos antes das sete da manhã e tínhamos de disputar um lugar na primeira fila e as horas iam passando e o sol de rachar do Cerrado ia fritando a todos, mas ninguém arredava o pé. Todos esperavam por ele: o Rolls Royce…

Eu me lembro bem da agitação que foi tomando conta de todo mundo. Era uma onda. Eu, baixinho, não conseguia ver nada. Estava em cima do meio fio, mas ouvia o murmúrio vindo, sei lá, de 100, 200, 500 metros? Mas era perturbador e congelante: “é ele, é ele, é ele, é ele, é ele…”. E esse mantra sussurrado por todos os adultos, de olhos arregalados e se esgueirando, contorcendo o corpo, tornava tudo um campo elétrico para um menino como eu. Como poderia saber quem era “ele”? E que ele era o presidente? E o que afinal de contas era o presidente, como eu poderia saber? E mais ainda que ele se chamava Emílio Garrastazu Médici?

Eu só lembro daquela eletricidade atravessando aqueles brasileiros pobres, como minha mãe, vindos de todo lugar, gente que já estava ali há horas apenas para capturar aquele flagrante. E como num filme, hoje, consigo visualizar o balé de crânios na coreografia do espanto enquanto o Rolls Royce passava, lentamente. Eu, eu não sabia o que fazer. Eu não sabia nem quem era e porque era tão importante aquele automóvel. Só sei que tudo aquilo me perturbou. E o meu “grito” para participar da catarse coletiva foi levantar meu cata-vento verde amarelo com a mão direita. E quando o Rolls Royce passou por mim, lá estava eu, com o meu cata-vento verde amarelo no mais alto ponto que podia.

De lá pra cá, foram tantos os 7 de setembro que assisti. Lembro de Geisel, que frequentava uma igreja Luterana na 405 Sul, onde eu morava. E como era bizarro ver aquelas limusines infestando uma quadra modorrenta num domingo de manhã. O que era aquilo? Depois, os desfiles de 7 de setembro foram transferidos para o Setor Militar Urbano, um lugar mais afastado, mais protegido, mais imune a vaias e manifestações. Talvez o povo já não estivesse tão exultante com os passageiros do Rolls Royce. Mas como o menino podia saber? Só notou que mudaram o lugar do desfile. Até que veio a democracia e, num certo momento, o desfile se transferiu para o coração do poder, a Esplanada dos Ministérios.

O Rolls Royce já desfilou sem o presidente que se internou na véspera da posse e subiu a rampa do palácio presidencial num esquife. E desfilou com o primeiro presidente eleito pelo povo e também o primeiro deposto por um impeachment. Bolsonaro vai se sentar no mesmo banco de couro marrom em que Lula, hoje preso, desfilou oito vezes. E de onde Dilma foi tirada, pelo segundo impeachment da República. Em 7 de setembro de 2023, só há uma dúvida e duas certezas. A dúvida é quem estará a bordo. A primeira certeza é que o Rolls Royce estará trafegando no asfalto. A outra certeza é que, se estiver vivo, eu estarei como sempre estive, desde a primeira vez, com meu cata-vento verde e amarelo na mão e projetado no ponto mais alto, vendo o Rolls Royce passar.

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Escândalos dominuíram · 12/08/2019 - 16h24

Chamar Bolsonaro de Bozo é o mais raso senso comum, diz Mario Rosa


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Governo Bolsonaro pensa ‘fora da caixa’

Lista tríplice não está na Constituição

Escândalos de corrupção diminuíram

O palhaço Bozo, criado pelo americano Alan W. Livingston, em 1946, fez sucesso em mais de 40 países, em especial no Brasil, onde foi ao ar pelo SBT de 1982 a 1992
O palhaço Bozo, criado pelo americano Alan W. Livingston, em 1946, fez sucesso em mais de 40 países, em especial no Brasil, onde foi ao ar pelo SBT de 1982 a 1992    Reprodução/SBT

Atenção, esquerdominions: façam como seus clones do campo oposto e preparem todos os insultos possíveis. Este é um artigo a favor do presidente Jair Bolsonaro.

Se você me chamar de Bozo, é engraçado. É engraçado chamar qualquer um de palhaço, dependendo das circunstâncias. A propósito, eu sou meio palhaço mesmo. Mas voltando ao presidente: essa história de chamá-lo de Bozo pode servir para desafogar fígados, mas é bom já ir se acostumando com a ideia de que o governo – apesar das trapalhadas estrepitosas – tem uma coletânea admirável de acertos para ostentar nestes meses de existência.

Você pode até discordar da forma como o governo pode estar acertando em alguns casos (em outros até você vai concordar), mas o importante aqui é observar o conteúdo. E no conteúdo, sejamos justos, este não é o governo de Bozo.

Vamos começar logo pela confusão mais barulhenta ou uma das mais barulhentas da estação: a nomeação do filho 03 Eduardo como embaixador em Washington. Bem, imaginemos o seguinte: e se o ex-presidente Lula tivesse indicado o grande e genial artista Chico Buarque como nosso representante na embaixada em Paris?

Para prestigiar a cultura brasileira e uma nação que é sinônimo das artes? Não seria positivo? Não estreitaria a relação entre os povos e os governos? Chico não teria livre acesso a Lula e não representaria um papel de relações públicas importante perante os franceses? Aí é que está: o cargo de embaixador não precisa ser monopólio de funcionários do Itamarati.

O que precisa ser fundamental é o apoio técnico de profissionais especializados, os diplomatas, ao estado brasileiro. E isso pode se dar, nas embaixadas, por meio do número 2 do embaixador, o encarregado de negócios, assim como é em muitos países civilizados.

O grande mérito do governo Bolsonaro – bizarrices à parte – é pensar e agir fora da caixinha. E isso não é de todo ruim. É benfazejo. E quanto ao filho embaixador? Temos aí uma democracia para frear ou convalidar se essa iniciativa constitui nepotismo. Mas o dedo na ferida que essa discussão colocou é até mais importante do que a nomeação ou não do 03. Vamos para outro tema “fascista”? A mudança na “comissão da verdade”.

A grande e insofismavel verdade é que as comissões da verdade, até hoje, fizeram um trabalho virtuoso de avaliar a responsabilidade do Estado brasileiro sobre os abusos do regime militar. Mas não contaram a verdade inteira. A história oficial, portanto, não está totalmente verdadeira perante a História.

E é natural que fosse assim. É natural que após os anos de chumbo a comoção dos perseguidos quisesse dar voz à sua dor. Mas a transição já tem quase 4 décadas: é hora de ver a verdade também do que fizeram as forças que atuaram contra a ditadura. E a democracia que vivemos está aqui, para julgar se esse julgamento estará certo ou sobrecarregado.

Alguém imagina algum dos outos presidenciáveis vendendo a BR Distribuidora? E alguém acha que a soberania nacional ficou de alguma forma fragilizada com isso? O que ficou fragilizado foi o antro de corrupção que potencialmente aquela estatal poderia se tornar se continuasse nas mãos de governantes.

Outro mérito de uma presidência disruptiva como a de Bolsonaro: ela faz coisas que a política tradicional jamais faria. Para o bem e para o mal. Mas para o bem está enfrentar o mastodôntico peso do estatismo brasileiro com um ímpeto que os políticos “normais” jamais fariam porque estariam presos aos seus acordos de sustentação política que funcionavam como uma trava para a modernização do aparato estatal brasileiro.

Lista tríplice para a procuradoria geral da república: essa foi uma invenção do petismo. Em tese, representa que o procurador geral é alguém com “apoio” da “catigoria”. E Ministério Público por acaso é sindicato? Lula inventou esse critério como uma espécie de tentativa de “cooptação” (que não funcionou) e ficou prisioneiro dele.

O que o presidente tem de fazer é…cumprir a Constituição. E lista tríplice não existe na Constituição. E o que um político, qualquer um, de qualquer tendência, tem de fazer, é buscar um procurador geral que crie o mínimo de confusão possível. Pois governar já é complicado demais para ter mais problemas criados por você mesmo, através de alguém que você escolheu.

Real politik. Encontrar novas formas – privadas – de financiamento da educação, aprovar agrotóxicos de última geração para atualizar as substâncias que podem ser usadas por nossos produtores (e assim escapar de sanções comerciais por causa das autorizacoes para agrotoxicos ultrapassados que poderiam prejudicar nossa economia, o que erroneamente é chamado pela esquerda como “aprovação de agrotoxicos”), taí um governo que fala sério.

Não vou nem falar da reforma da previdência ou da perspectiva de acordo comercial com a União europeia, dois itens que pareciam inatingíveis na agenda brasileira por muitos e muitos anos. Ah, sim: há quanto tempo não temos um governo sem escândalos de corrupção por vários meses? Até agora nada. Pode haver coisa mais poderosa simbolicamente do que isso? Sobretudo depois da avalanche da Lava Jato? Bozo é?

Andar na contramão de temas que o pensamento convencional dessas três décadas de democracia transformou em dogmas talvez seja a maior contribuição histórica do governo Bolsonaro. Questionar certezas, testar tabus, tocar em feridas, enfrentar temas que pareciam inquestionáveis.

Visto assim, não é o governo do Bozo. É um momento rico do ponto de vista de nossa auto-crítica como nação, de nossa reflexão sobre o que somos e para onde queremos ir, sobre se o que temos é o que devemos manter ou não.

É um momento precioso do ponto de vista intelectual e reflexivo. E isso ocorre justamente porque temos à frente da nação um catalisador de sinapses e catarses chamado Jair Messias Bolsonaro. Por ter esse perfil, ele pode uma hora dessas capotar espetacularmente na curva e se arrebentar todo? Pode. Um dos melhores pilotos da história também acabou assim, mas Senna era Senna e não Bozo.

Quer continuar chamando o presidente de palhaço? Pode continuar. Mas pense bem: quem é que está fazendo o papel de bobo?

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Censura é proibida no Brasil · 11/07/2019 - 15h32

Google, Google, Google, Google, Google: não censure, pede Mario Rosa


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Censura é proibida no Brasil

Algoritmo que tem que mudar

Mordaça a liberdade de expressão

Eu, Google, coloquei seu sacrossanto nome cinco vezes no título e mais outra logo no início do parágrafo. Acho que estou querendo chamar sua atenção, não estou não? Sabe o que é, Google? (Olha eu indexando você de novo de modo que você possa se alertar sobre você mesmo, Google, como num imenso salão de espelhos digital).

Google (baixaria minha, hein?), o negócio é o seguinte: outro dia você tirou do ar uma declaração jornalística de um senador postada aqui neste jornal digital. O senador Major Olímpio dizia que “quem dá tiro em policial tem mais é que morrer mesmo”…e por aí foi. Seus robozinhos, Google, retiraram o vídeo do ar e glosaram este veículo jornalístico no YouTube e em você, Google, para uma “revisão” de 90 dias, um bloqueio sob o nome pomposo de “violação sobre a política de conteúdo prejudicial ou perigoso ao YouTube”. Todo mundo sabe que o YouTube é seu né, Google?

Google, falando sério: não é a primeira vez que um poderoso arsenal americano desembarca na selva e parece invencível. Lá no Vietnã, você sabe, consulte aí, deu no que deu. Censura é proibida no Brasil. E se seu “algoritmo” é uma equação que amordaça a liberdade de expressão, ele é que vai mudar. Ou você acha sinceramente, Google, que seu poder é tão grande que vai rasgar a Constituição de um país?

Olha aí Google: com todo o respeito, mas nossa floresta é ainda maior que a do Vietnã, viu? E só faço esse alerta, meu caro Google, porque não são esses “robozinhos” eletrônicos ou esses outros robozinhos, executivos que estão de passagem pela empresa aqui no Brasil, que vão definir o que é a liberdade de expressão.

Como diz uma amiga minha, vocês querem caçar conversa com as instituições brasileiras é? Google, você quer virar um vilão, um censurador, um big brother (talvez bug brother), a mais nova cara do “yankess, go home!”?

Porque sites jornalísticos são feitos para…fazer jornalismo. E se um senador fala algo – concorde-se ou não – o dever jornalístico é levar ao conhecimento da sociedade. Até para que a sociedade condene ou julgue e absolva essa ou aquela postura. Mas o censor, esse seu robozinho, não pode fazer isso. É ilegal, Google. É inconstitucional, Google. É coisa do Cidadão Kane, Google. Sai dessa, Google! Qual vai ser o próximo passo? Seus robozinhos vão ser adestrados pelo seu algoritimozinho e vão impedir, depois, que talvez notícias sobre corrupção sejam difundidas?

Vamos lá, Google, vamos em frente! Qual vai ser o próximo passo da sua guarda pretoriana digital, Google? Proteger governos? Impedir que áudios indiscretos sejam disseminados? Fazer uma eugenia em todos os arquivos de fotos? Fazer um mundo lindo, sem problemas, sem feiura, sem contrastes, sem diversidade, sem pobreza?

É isso, Google? Você quer ser a nova Germânia, a capital do mundo digital, Google? Você com sua SS de robozinhos aparentemente “fofos” e algoritmos aparentemente “neutros”, mas que adulteram, subvertem, contaminam, empesteiam, menosprezam, rasgam a Constituição e o direito de livre expressão assegurado ao jornalismo profissional?

Google, Gooooglllleeee? Eu to chamando você: ei Goooooooggglllleeee? Preste atenção: as instituições brasileiras não são robozinhos. A Justiça brasileira não é um algoritmo. A imprensa brasileira não é um clique, uma mera audiência. Liberdade de imprensa é coisa séria e assim deve ser tratada. Isso aqui é um país. Respeite para ser respeitado. Respeite princípios para, em princípio, merecer respeito.

Você é muito bem vindo e presta um grande serviço à nação. Mas…não se ache não, Google. Os vietcongues, aqui, sabemos de uma só coisa: a floresta é nossa e o arroz nos basta. O resto…passa, viu Google?

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Ministro foi ao Senado explicar Vaza Jato

Chamou a divulgação de sensacionalista

Senado derrubou os decretos das armas

Bolsonaro ganhou uma bíblia de jornalista

Novo ministro do BNDES arrombou portões

Agora, arrombará “caixa-preta” do banco

Os jornalistas Cynara Menezes e Mario Rosa comentam conversas vazadas do ministro Sergio Moro e a derrota do governo no Senado em relação ao decreto das armas
Os jornalistas Cynara Menezes e Mario Rosa comentam conversas vazadas do ministro Sergio Moro e a derrota do governo no Senado em relação ao decreto das armas    Sérgio Lima/Poder360 - 19.jun.2019

O 13º episódio do programa “Reaça & Comuna” já está no ar no canal do Poder360 no YouTube. O quadro é apresentado pelos jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes.

Nesta semana, os 2 comentam conversa vazada envolvendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol. Nos diálogos publicados pelo site The Intercept, o então juiz federal sugere que uma investigação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na operação Lava Jato seria pouco relevante. Também afirma que poderia melindrar alguém “cujo apoio é importante”.

Cynara e Mario analisam ainda a ida de Moro ao Senado para explicar os chats publicados. Na ocasião, o ministro da Justiça negou que houve conluio ou irregularidades nas suas conversas com a força-tarefa da operação e afirmou que o jornal foi “sensacionalista” ao noticiar o caso.

O anúncio do novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, também foi assunto do programa. Montezano foi condenado pela Justiça por arrombar portões de condomínio. Agora, terá que arrombar a chamada “caixa-preta” do banco de fomento –promessa de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.

Assista ao quadro (30min20seg):

O nome da atração é uma ironia à polarização que se intensificou nas eleições de 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto, concorrendo contra Fernando Haddad, do PT, no 2º turno. A ideia do quadro é oferecer uma análise da conjuntura do poder sob pontos de vista antagônicos.

QUEM É O REAÇA E A COMUNA

Mario Rosa – nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1964. É jornalista com passagens pelas Redações da revista Veja e do Jornal do Brasil. Trabalha há mais de 16 anos como consultor de crises, prestando consultoria a políticos e a grandes empresários. Escreve para o Poder360 às segundas e sextas-feiras.

Cynara Menezes – nasceu em Ipiaú, na Bahia, em 1967. É jornalista e já atuou nos veículos Folha de S.Paulo, Veja e Carta Capital. Atualmente, comanda o blog Socialista Morena, que fundou em 2013. Por seu trabalho jornalístico, especialmente na política, recebeu em 2013 o Troféu Mulher Imprensa, na categoria “Jornalista de mídias sociais”.

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Era digital requer técnicas · 10/06/2019 - 09h35

Como defender o indefensável, teoriza Mario Rosa


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A defesa do indefensável se tornou um artigo de primeira necessidade, uma técnica de sobrevivência na selva das polêmicas. Exatamente por isso quero compartilhar com você um guia básico de orientação e navegação quando a necessidade de explicação sobre o inexplicável cruzar o seu caminho.

Regra básica: se lhe questionarem sobre o inexplicável, dê como resposta algo perfeitamente explicável –e de preferência nobre e admirável– que você já fez.

Por exemplo: “O senhor atropelou uma velhinha enquanto estava bêbado?”. Não, nunca, jamais responda sobre isso. Sua resposta deve ser:

– Eu tenho uma história de vida, reconhecida, como uma pessoa que sempre ajudou crianças a atravessarem ruas.

É, claro, essa raça não vai ficar satisfeita. Vai dizer maldosamente que você fugiu da resposta. Daí, você aciona o segundo passo deste guia: invoque o preconceito:

– Eu estou sendo violentamente atacado pelos setores que jamais admitiram que crianças pudessem contar com o apoio para atravessar as ruas deste país.

O preconceito ou forças ocultas, complôs, ajudam muito a embolar a discussão e explicar o inexplicável. Vale para todo mundo, de todos os lados: justamente porque você fez, faz ou pretende fazer algo é que estão falando mal de você. Pronto: você já não está mais batendo em retirada e sua infantaria de sofismas está até avançando um pouco na batalha de explicar o inexplicável.

Você já está numa posição bem melhor, mas há recursos que podem fazer toda a diferença a seu favor. Acredite! Nestes tempos onde todos têm opinião sobre tudo, postam tudo, dão entrevista sobre tudo, há o recurso radical de fazer uma greve de si mesmo: uma greve de posts, uma greve de conversas com jornalistas. Bata na imprensa. Bata duro.

Complô da mídia, críticas. A melhor defesa do indefensável é o ataque, nunca se esqueça. E o silêncio súbito também. Antigamente, uma vítima fechava a boca e fazia greve de fome para protestar contra uma injustiça. Hoje, com as redes sociais, uma vítima fecha a boca e faz uma greve de likes e compartilhamentos. É a nova forma de autoimolação, é o suicídio na era digital. Você apaga o seu perfil.

E se tudo isso não der certo ou, melhor ainda, se tudo isso estiver dando certo e sua defesa do indefensável estiver indo de vento em popa, você ainda tem 2 recursos devastadores à sua disposição. Primeiro, ao invés de discutir o seu indefensável, discuta o indefensável dos outros:

– Como o senhor explica ter atropelado uma velhinha enquanto dirigia bêbado?

– O que precisa ser explicado são os privilégios desses que estão me acusando. Isso sim é inexplicável! Eles estão usando essa acusação para desviar o debate do que realmente importa.

Por fim, há sempre o recurso extremo: é aplicado para uma casta. Pouquíssimos podem utilizar esse conselho. É o princípio da prerrogativa de singularidade. Você simplesmente pode cometer qualquer coisa inexplicável e nem precisar se explicar única e exclusivamente porque você é você. Aliás, você mesmo nem invoca esse argumento. Seus aliados é que o fazem. Vale para todos, de todos os lados:

– Fulano tem uma folha de serviços prestados à nossa sociedade e não podemos permitir que sua enorme contribuição seja colocada em risco por polêmicas extemporâneas e vazias. A grande pergunta que devemos nos fazer agora é: a quem interessa tudo isso?

Como se vê, a defesa do indefensável é uma técnica como outra qualquer. Você precisa praticá-la diariamente para que possa adquirir autoconfiança e repertório para enfrentar as diversas situações.

Quanto à velhinha que foi atropelada, com o tempo, alguém vai publicar que se tratava de alguém ligada a setores que tiveram interesses contrariados por você. Na questão do inexplicável, nada como um dia atrás do outro para tudo se explicar.

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Governo dos stripteases

Olavo: Trotsky de direita

Bolsonaro condecora filhos

Assista ao 8º episódio

Neste episódio, os jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes falam sobre o ministro da Educação, Abraham Weintraub
Neste episódio, os jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes falam sobre o ministro da Educação, Abraham Weintraub    Sérgio Lima/Poder360 - 8.mai.2019

O 8º episódio do programa “Reaça & Comuna” já está no ar no canal do Poder360 no YouTube. O quadro é apresentado pelos jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes.

Neste episódio, os 2 analisam o ministro da Educação, Abraham Weintraub. O novo titular da pasta foi ao Twitter na última 6ª feira (3.mai.2019) para falar sobre uma imagem que tem circulado nas redes sociais. Trata-se de uma foto de seu boletim de aluno de graduação na Universidade de São Paulo (USP), que exibe notas baixas e zeros. Weintraub justificou o seu desempenho dizendo que o seu 1º ano na faculdade foi “1 inferno”. 

Em audiência na Câmara nesta semana, o ministro cometeu uma gafe e trocou Kafka, escritor, por ‘kafta’, tradicional espeto árabe de carne.

Além disso, os jornalistas comentam o decreto sobre uso de armas que foi publicado no Diário Oficial da União da 4ª feira (8.mai.2019). A medida flexibiliza o porte de armas para moradores de áreas rurais.

Assista à íntegra do quadro (30min30s):

O nome da atração é uma ironia à polarização que se intensificou nas eleições de 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto, concorrendo contra Fernando Haddad, do PT, no 2º turno. A ideia do quadro é oferecer uma análise da conjuntura do poder sob pontos de vista antagônicos.

QUEM É O REAÇA E A COMUNA

Mario Rosa – nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1964. É jornalista com passagens pelas Redações da revista Veja e do Jornal do Brasil. Trabalha há mais de 16 anos como consultor de crises, prestando consultoria a políticos e a grandes empresários. Escreve para o Poder360 às segundas e sextas-feiras.

Cynara Menezes – nasceu em Ipiaú, na Bahia, em 1967. É jornalista e já atuou nos veículos Folha de S.Paulo, Veja e Carta Capital. Atualmente, comanda o blog Socialista Morena, que fundou em 2013. Por seu trabalho jornalístico, especialmente na política, recebeu em 2013 o Troféu Mulher Imprensa, na categoria “Jornalista de mídias sociais”.

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‘Que que é isso, minha gente?’ · 29/04/2019 - 11h37

Os caminhoneiros estão fora da realidade, diz Mario Rosa


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‘Que que é isso, minha gente?’

Parem com essa de protestar

Vamos pro Twitter e pras lives

O governo é para bombar nas redes sociais
O governo é para bombar nas redes sociais    Sérgio Lima/Poder360 - 13.mar.2017 - Montagem/ Rafael Lopes/Poder360

Recorro aqui ao arsenal de tiradas do genial narrador esportivo Geraldo José para dar um choque de realidade nas nossas queridas e queridos caminhoneiros. Ao invés de parar o país e dar um mata leão no governo, vocês fizeram muito bem em segurar a mão no volante! Afinal, ele fez tudo por vocês e só merecia isso mesmo de volta: compreensão.

Aliás, por que vocês não dão uma paradinha e assistem a uma live do Mito? Vocês que se comunicam tão bem pelas plataformas digitais: por que não gastam algumas horas em algum acostamento deste nosso imenso Brasil e dão uma lida numa coletânea de postagens do nosso presidente no Twitter?

Ou quem sabe por que não buscam um pouco de iluminação nas palavras radiantes do nosso querido 02? Sem nenhum preconceito, só não recomendo o Olavo porque é incompreensível muitas vezes até mesmo para os mais elevados setores da academia.

Caminhoneiros e caminhoneiras do Brasil, por que vocês iam fazer isso com o nosso presidente? Ele não foi lá e enquadrou o presidente da Petrobras? Depois, a empresa não caiu R$ 32 bilhões de valor de mercado? Tudo bem que, depois do depois, veio o posto Ipiranga (também conhecido como ministro Paulo Guedes) e fez o presidente desfazer tudo que não tinha desfeito.

Mas… é briga de concorrente… o posto Ipiranga odeia mesmo o posto BR…coitado do presidente… ele fez o que podia fazer: criou um fato que durou 24 horas. Resolveu o problema? Não. Mas bombou nas redes. Vocês têm que dar um desconto. Durante um dia todo, era como se vocês tivessem ganhado a parada. Agora, vocês iam fazer isso com o presidente? Que que isso, minha gente!

Caminhoneiros e caminhoneiras do Brasil, vocês têm que entender que o transporte de carga continua o mesmo, as estradas estão piorando, os fretes estão pouco animadores, a segurança no Brasil profundo dá medo, mas o mundo mudou e o Brasil agora é outro. O governo não é para resolver problemas e tomar posições, como antigamente.

O governo é para bombar nas redes sociais. E sejamos justos: o presidente compartilhou com vocês o espaço mais nobre do governo dele: as próprias redes sociais! E agora vocês iam querer vir com essa paralisação? Ia ser muuuuiiittaaaaa ingratidão!!!!

Vocês me perguntam: oh, puxa saco, e o preço do diesel? Geeeenteeee… o mundo mudou, o Brasil também! Qual foi outro presidente que prestigiou tanto vocês nas redes sociais? Qual foi outro que –durante vin-te qua-tro ho-ras in-tei-ras !!!!– deu a impressão de que vocês tinham ganhado a parada?

Vocês têm que ver as coisas como elas são hoje: se vocês forem ao Google, e clicarem “caminhoneiros venceram”, vai ter uma porção de reportagens dizendo isso, daqueles dias. Não é suficiente? Um dia inteiro de exposição positiva na mídia?

Poxa, minha gente, vocês vão continuar exigindo uma solução definitiva do governo sobre qualquer assunto a essa altura do campeonato? Vamos esperar pelo menos a aprovação da reforma –intacta– da Nova Previdência nas duas casas do parlamento, em 2 turnos. Daí, a gente começa a tratar de outros temas como esse, como a criação de empregos, como a retomada de obras paralisadas, como a economia e a vida real.

Por enquanto, vamos viver no virtual! E, lá, vocês ganharam. Lá, o combustível é barato e a Petrobras não precisa fazer nenhuma concessão para vender a preços baixos. Lá, as estradas são maravilhosas, lá elas são seguras, lá os fretes compensam. Gente, vamos pro Twitter, vamos para as lives. Que que é isso, minha gente?

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Filho de Bolsonaro acusa vice de conspirar

Presidente fora das redes sociais por 2 dias

STJ reduz pena de Lula no caso do tríplex

Mario Rosa e Cynara Menezes analisam os fatos políticos da semana no quadro do Poder360
Mario Rosa e Cynara Menezes analisam os fatos políticos da semana no quadro do Poder360    Sérgio Lima/Poder360 - 24.abr.2019

O 6º episódio do programa “Reaça & Comuna” já está no ar no canal do Poder360 no YouTube. O quadro é apresentado pelos jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes.

No episódio desta semana, os 2 falam sobre o sumiço de Bolsonaro nas redes sociais e os ataques do filho do presidente e vereador pelo PSC do Rio, Carlos Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão.

Os jornalistas também comentam o julgamento do recurso do ex-presidente Lula pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a suspensão do pôster feito para divulgação de shows do grupo punk Dead Kennedys no Brasil.

Assista à íntegra do quadro (24min30s):

QUEM É O REAÇA E A COMUNA

Mario Rosa – nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1964. É jornalista com passagens pelas Redações da revista Veja e do Jornal do Brasil. Trabalha há mais de 16 anos como consultor de crises, prestando consultoria a políticos e a grandes empresários. Escreve para o Poder360 às segundas e sextas-feiras.

Cynara Menezes – nasceu em Ipiaú, na Bahia, em 1967. É jornalista e já atuou nos veículos Folha de S.Paulo, Veja e Carta Capital. Atualmente, comanda o blog Socialista Morena, que fundou em 2013. Por seu trabalho jornalístico, especialmente na política, recebeu em 2013 o Troféu Mulher Imprensa, na categoria “Jornalista de mídias sociais”.

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Ajude-me, mestre Friedman · 22/04/2019 - 10h05

Primeira missa na capelinha da Economia, por Mario Rosa


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Ajude-me, mestre Friedman

Preciso reformar a Previdência

Não posso falhar nesta missão 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, na 13ª edição do Poder360-ideias
O ministro da Economia, Paulo Guedes, na 13ª edição do Poder360-ideias    Sérgio Lima/Poder360 - 5.fev.2019

Meu amado Senhor, meu amado Mestre, divino professor Friedman,

Dirijo meus pensamentos para os celestiais telões das bolsas de Nova York, de Londres e para os altares pios da sabedoria divina de Chicago. Em comunhão com as falanges dos espíritos do Fundo Monetário, do Banco Mundial e de toda a ortodoxia econômica que pela teoria dos jogos é absolutamente consistente com a religião e, portanto, pode ter sido obra de Deus (embora a oposição vá dizer o contrário, o que empiricamente também é plausível, mas em minha atual posição não me cabe assumir isso publicamente), enfim, Mestre, venho lhe pedir que não me falte na maior aposta de minha vida. Não me deixe virar miqueiro. Livrai-me do suplício de catar lata, Senhor!

Fui lá no Vaticano, na Meca, quer dizer, Nova York, e o cara do uniforme quase põe fogo no circo todo. Com diesel! Bombeiro a essa altura do pregão? É uma motumbada do destino…

De trader para trader, Senhor, assumi uma posição num governo com uma proposta que, se der tudo certo, é como se estivesse todo mundo vendido e só eu comprado. Quer dizer, se a minha posição prevalecer, vou quebrar essa bolsa chamada História e fazer o que ninguém fez! Vou dar uma porrada.

É por isso que preciso aprovar essa reforma da previdência, Senhor. Porque vai ser a jogada mais arriscada que trader nenhum jamais fez desde os fenícios. E, bom, dizem que também irá ajudar o país e as futuras gerações, organizar o equilíbrio fiscal, destravar a economia, criar empregos. Mas o que me move mesmo é o meu instinto animal. E a minha fé inabalável nos dogmas que me ensinastes.

Eu sei, eu sei, o Roberto Campos aqui, o Delfim Netto aqui não deu aquela sorte de cavalgar um alazão como os do passado. Mas…fazer o quê? Era o que tinha. E se o senhor pensar bem, um general-presidente um dia também já foi um tenente. Então, o meu tenente-presidente (que ao ser reformado pela Previdência que eu quero destruir agora foi promovido duas patentes acima para capitão) tem todas as credenciais dos chefes do Campos e do Delfim. A sorte deles é que naquela época não tinha Twitter e não vou nem falar dos filhos. Porque… não quero derrubar a bolsa nem explodir o dólar.

Mas, Mestre Friedman, ajude este aplicado discípulo. Tenho passado por um urso danado. Tenho andado em repartições públicas o tempo todo, tenho andado em carros oficiais que são chinfrins, tenho tomado cafés de ministérios (que são coados, Senhor!), tenho até me sujeitado a encontrar uns operadores mal educados que usam uns botons na lapela e trabalham numa espécie de grande casa de apostas que existe por aqui, chamada de Congresso Nacional.

Pois imagina que dia desses eu fui lá participar de uma espécie de road show nessa bolsa com esses operadores e um deles veio e me chamou de “tchuchuca”. O mercado parou e o pregão fechou. Uma confusão. A palestra para investidores foi suspensa imediatamente.

Enfim, senhor, estou aqui nesse cassino e já avisei que o que me move é a adrenalina. Se eu não porrar, volto pra minha vidinha de trader e vou me divertir como sempre. Posso até violinar, mas nabo eu não aceito. Tô casado com a aposta da minha vida até o fim. Por isso, Senhor, me ajude, use sua mão invisível (como a do mercado) e interceda por essa sardinha no meio de todos esses tubarões.

In God We Trust!

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Há vazamentos seletivos · 22/04/2019 - 08h14

Abuso no poder dos outros é refresco, diz Mario Rosa


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Há vazamentos seletivos e criminosos

São reedições dos releases da ditadura

O jornalismo do pen drive se aproveita

Eu, você, nós, eles: somos todos Toffoli

#somostodostoffoli
#somostodostoffoli    Sérgio Lima/Poder360 - 26.nov.2018

Quer saber? Liberdade de expressão e de imprensa é algo tão valioso que não vou nem discutir. É o que me permite, por exemplo, falar o que quiser aqui, dentro, é claro, dos limites da civilidade. Então, nem entrarei na polêmica do Supremo Tribunal Federal ter suspendido a veiculação de reportagem de um blog. Óbvio que ninguém concorda.

Prefiro usar a minha liberdade de imprensa para ter a liberdade de expressar outras verdades inconvenientes que a imprensa geralmente se auto-censura. A triste realidade é que o Estado Policial criou um conluio de agentes públicos supostamente bem intencionados que, sistematicamente, há meia década, vêm praticando crimes de vazamentos seletivos para destruir reputações de alvos de ocasião. Tudo isso com o beneplácito fervoroso de jornalistas supostamente bem intencionados.

Como é boa a liberdade de expressão! Como é boa a liberdade de imprensa que me permite dizer aqui, com todas as letras, que estamos vivendo um período medieval de abusos de poder seriais, abusos praticados por autoridades detentoras de documentos sob sigilo e que, com a esfarrapada justificativa moral do interesse da sociedade, escolhem aquilo que será vazado contra quem, no momento que lhes convêm.

E, do outro lado, acumpliciados sob o manto do direito de informar e do dever de servir, a imprensa participa desse jogo tenebroso que escolhe alvos e poupa outros e que transforma a busca tão virtuosa do ideal da Justiça num jogo baixo da política mais comezinha.

Foi preciso que esse esgoto institucional em que vivemos transbordasse e atingisse inimaginavelmente a figura do presidente da mais alta Corte do Judiciário do país para que o transe geral ficasse à vista de todos. A grande realidade é que somos todos Dias Toffoli. Sim, somos todos Dias Toffoli, sim, senhor, sim, senhora.

Não somos o poderoso presidente do Supremo Tribunal Federal que polarizou com o blog. Mas somos o vulnerável ser humano que, a qualquer momento, sob qualquer pretexto, sob as inspirações mais castas ou hediondas, inconfessáveis ou não, podemos ser vítimas de vazamentos e ataques, de abusos de poder, com a cumplicidade permanente da imprensa.

Na baderna que precedeu 1964, havia as “quarteladas”, as rebeliões de unidades militares contra a Constituição. Hoje, vivemos as badernas das “tribunadas”, juizes que prendem quando não deveriam, procuradores que acusam por convicção e não pelas provas, agentes deletérios do Estado que cometem crimes contra a cidadania, contra o desprotegido e frágil cidadão, que tem seu nome, sua casa, sua vida destruídos, muitas das vezes em associação com a imprensa e seus tentáculos.

É claro que há juízes sensatos. É claro que há procuradores sensatos. É claro que há jornalistas sensatos. Mas contra a insensatez é preciso haver um remédio forte, assim como contra a supressão da liberdade de expressão. Falar só de uma coisa e não de outra é fazer um debate enviesado. É conveniente: para que a liberdade de difamar continue livre, mas a obrigação de impedi-la não seja imposta, em nome do consenso absoluto em torno da defesa da liberdade de imprensa numa democracia.

Quando era o PT, a justificativa: combater a corrupção compensa. Flávio Bolsonaro foi bater às portas do mesmo STF em busca de proteção contra bárbaros vazamentos ilegais. Ah, liberdade de imprensa. Ah, liberdade de expressão! Graças a vocês eu posso dizer que a imprensa brasileira vive um conflito de interesses inédito com o surgimento do Estado Policial.

Sim, porque o jornalismo do “pen drive” garante horas e horas de imagens, vídeos, documentos. Tudo DE GRAÇA! Ou melhor, de graça para os veículos de comunicação. Mas pago por você, por mim, por nós: os contribuintes! Então, esse modelo de vazamentos seletivos nada mais é do que uma forma de subsídio à produção de conteúdo da imprensa.

E o que é pior, permitam-me dizer, já que a liberdade de expressão reina soberana neste democrático país: jornalismo NAO é reproduzir o discurso dos poderosos. É, ao contrário, suspeitar dele. E esse jornalismo do pen drive, esse jornalismo do vazamento seletivo, esse jornalismo do abuso do poder não é jornalismo. É propaganda. É apenas um papagaio que repete o que o dono manda. Sem questionar.

Os “vazamentos” de 2019 são os “releases” do regime militar, dos tempos do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Aqueles, analógicos. Estes, digitais. Ambos, oficialescos.

Jornalismo é afligir os poderosos e dar poder aos aflitos. Viva a liberdade de imprensa! Viva a liberdade de expressão! Abaixo o abuso de poder! Pela lei que regule os poderosos e suas tiranias! Taí uma boa pauta. Por que a imprensa, beneficiária do abuso do poder dos vazamentos, não se engaja também na luta pela aprovação da lei contra o abuso do poder? A hora é essa! Ou será que abusos contra a imprensa não podem, mas contra os outros tudo bem?

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STF está no centro de debate · 18/04/2019 - 11h15 | Última atualização em 18/04/2019 - 11h23

Reaça & Comuna analisam Olavo e liberdade de imprensa no 5º episódio; assista


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Guru do governo é conhecido por palavrões

Já trocou farpas com militares e jornalistas

STF está no centro de debate sobre censura

Mario Rosa e Cynara Menezes analisam os fatos políticos da semana no quadro do Poder360
Mario Rosa e Cynara Menezes analisam os fatos políticos da semana no quadro do Poder360 

O 5º episódio do programa “Reaça & Comuna” já está no ar no canal do Poder360no YouTube. O quadro é apresentado pelos jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes.

No capítulo desta semana, os 2 falam sobre Olavo de Carvalho, considerado guru do governo Bolsonaro. O escritor já trocou farpas com o ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, e é conhecido por comentar em suas redes sociais sobre a gestão bolsonarista. Mario e Cynara também analisam a recente decisão do Supremo Tribunal Federal de retirar do ar reportagem publicada pela revista Crusoé que cita o presidente da Corte, Dias Toffoli.

Assista à íntegra do quadro (21min12s):

O nome da atração é uma ironia à polarização que se intensificou nas eleições de 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto, concorrendo contra Fernando Haddad, do PT, no 2º turno. A ideia do quadro é oferecer uma análise da conjuntura do poder sob pontos de vista antagônicos.

QUEM É O REAÇA E A COMUNA

Mario Rosa – nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1964. É jornalista com passagens pelas Redações da revista Veja e do Jornal do Brasil. Trabalha há mais de 16 anos como consultor de crises, prestando consultoria a políticos e a grandes empresários. Escreve para o Poder360 às segundas e sextas-feiras.

Cynara Menezes – nasceu em Ipiaú, na Bahia, em 1967. É jornalista e já atuou nos veículos Folha de S.Paulo, Veja e Carta Capital. Atualmente, comanda o blog Socialista Morena, que fundou em 2013. Por seu trabalho jornalístico, especialmente na política, recebeu em 2013 o Troféu Mulher Imprensa, na categoria “Jornalista de mídias sociais”.

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Remédio é um só: Constituição · 01/04/2019 - 10h48

Cunha Livre ou o Estado Policial venceu, afirma Mario Rosa


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Não pode haver seletividade de mártires

Quem apoia Lula Livre, tem que apoiar

O remédio é um só: nossa Constituição

Pela democracia, #cunhalivre
Pela democracia, #cunhalivre    Sérgio Lima/Poder360 - 27.mar.2019

Mandei fazer uma camiseta Cunha Livre e vesti no último episódio do programa deste portal, “Reaça e Comuna”, que tenho a honra de dividir com a esfuziante e luminosa jornalista Cynara Menezes, todas as quintas-feiras. Fui vestido com minha camisa Cunha Livre para questionar um questionamento destes tempos assim chamados de “Estado Policial”.

Não se questiona tanto que há seletividade na questão dos alvos e dos punidos pelos mecanismos repressores do Estado? Então, se isso é verdade, todos que defendem Lula Livre têm que defender necessariamente Eduardo Consentino Cunha Livre também. Ou será que a defesa vai cair no erro que aponta nos acusadores? Há seletividade de mártires?

Épocas alucinadas colocam dilemas idem perante as sociedades. Lula pode ser um dia inocentado pela história. Quem se lembra do juiz que condenou Mandela? Hoje só lembramos que o apartheid foi uma praga que assolou a África do Sul e que Mandela foi um injustiçado. Assim como foram todos os judeus condenados pelos tribunais nazistas. Assim como foram todos os enviados para a morte pela justiça de Stalin.

Assim como jamais existiram bruxas e Joana D’Arc ardeu nas chamas da opressão cega e do punitivismo odioso antes de seu delicado corpo arder nas chamas das fogueiras da Inquisição. Sabemos que o Terror decapitou inocentes na fúria cega da revolução francesa, incendiada pela chama de lavar os palácios do asco nobiliárquico.

É exatamente por sabermos de tudo isso, por estarmos cansados de saber, aliás, e justamente por sabermos bem que sociedades em determinados momentos entram em transes ou surtos provocados por líderes alucinados ou por uma alucinação coletiva, que sociedades em momentos de mínima sanidade criam e constroem algo abstrato chamado ins-ti-tu-i-ções. E no topo desse conceito vago e rarefeito está uma invenção fenomenal, chamada Constituição.

É ela uma espécie de confissão de loucura das sociedades. Elas estão ali como a nos dizer: “No dia em que ficarmos todos em transe e cegos e regredirmos à selvageria, apliquem este remédio em nós. É um antídoto chamado civilização, que extermina nossos impulsos primitivos”.

E onde entra o Cunha Livre nisso tudo? Ora, os loucos que somos, os mesmos que reconhecemos nossa completa falta de lucidez potencial e, por isso, criamos um antídoto chamado Constituição, inventamos que nessas horas de alucinação o sanatório geral deveria ser comandado por um guardião do antídoto. E demos o nome ao guardião do antídoto de Supremo Tribunal Federal. É uma espécie de junta médica que decide se e quando e também o quanto de antídoto deve ser usado em cada época para curar seus ataques de insanidade.

Ora, a Constituição de 1988 determina expressamente que ninguém pode ser preso até “trânsito em julgado”. Em português que não é de criminalista, todos os loucos têm direito a recorrer até a última dose de Justiça. É assim que está na bula do remédio. Escrito em letras garrafais. Mas a junta médica decidiu que o remédio não deveria ser aplicado em certos casos. E aí, aí, bem, quando quem comanda o sanatório flerta com os surtos, ninguém controla mais doido nenhum.

Então, o fato concreto é que, para todos os efeitos práticos, Cunha, Geddel, Lula, Cabral e a turma toda estão na mesmíssima situação. E a questão é saber: teremos mártires seletivos? Há anjos no inferno ou temos de expulsar o inferno da Terra e libertar todas as almas? Quem acha repugnante que o ex-presidente da Câmara tenha de ficar nas masmorras e é contra o Cunha Livre e se emociona com o Lula idem, está sendo tão parcial e seletivo quanto aqueles que critica. E tão contraditório quanto. A Justiça não tem que ser para todos? Logo, a injustiça não pode ser para ninguém.

Se a prisão de Lula é injusta, Cunha Livre!

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Problemas com laranjal no PSL · 28/03/2019 - 16h26

Ainda bem que o Brasil tem o Paulo Guedes, aplaude Mario Rosa


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Não importa o quanto o governo erre

Tweets polêmicos e latidos do Olavo

Problemas com um laranjal no PSL

O Brasil não deixa de ter o Guedes

 O ministro da Economia, Paulo Guedes, em jantar promovido pelo Poder360
O ministro da Economia, Paulo Guedes, em jantar promovido pelo Poder360    Sérgio Lima/Poder360

O governo está completando quase 100 dias e não aprovou nada de concreto de sua agenda de mudanças. Mas o programa de reformas do ministro Paulo Guedes é um espetáculo. A base política do governo encontra-se, para dizer o mínimo, absolutamente dispersa e sem rumo.

Mas você ouviu o discurso do ministro Paulo Guedes em Washington? Quanta clareza, quanta consistência? O presidente Jair Bolsonaro vem criando algumas polêmicas desnecessárias e desgastantes para sua popularidade, como o famoso vídeo do “golden shower” (agora providencialmente já retirado pelo próprio se sua conta do Twitter). Mas… como o ministro Paulo Guedes fala coisa com coisa não?

O guru do regime já chamou ministros de “filho da puta” e o governo de “privada”, sem contar que disse que a atual gestão não fez nada e que se continuar assim não dura 6 meses, se não acabar com a mídia. Mas o ministro Paulo Guedes é muito articulado e possui um diagnóstico impressionante. Suas sugestões sobre como o Brasil pode sair da crise são impressionantes.

Os escândalos de corrupção eleitoral no PSL minaram uma parte do discurso de renovação da política e a manutenção do atual ministro do Turismo, cuja campanha foi financiada pelos mecanismos hoje colocados sob suspeição, traz para dentro do governo uma mancha desnecessária e precoce de desgaste. E o ministro Paulo Guedes? Esse programa de redução do tamanho do Estado dele parece uma sinfonia aos ouvidos do mercado. Ele diz tudo o que precisa ser dito.

O vice-presidente da República é trucidado nas redes sociais por aliados do governo, é ostensivamente tratado de forma pouco lhana (para dizer o mínimo) pelo círculo íntimo do poder, de uma forma muito pior do que são tratados os adversários políticos do próprio governo. E o general Mourão o que fez? Apenas exprimiu declarações sensatas, posicionamentos irrepreensíveis do ponto de vista do interesse nacional desde que assumiu o cargo.

Mas o ministro Paulo Guedes já provou por A+B que o Brasil vai economizar 1 trilhão de reais com a reforma da Previdência e pavimentar uma década ou duas de crescimento sustentável a taxas de talvez 6% ao ano. Os tuítes palacianos criam crises quase que semanais com os outros poderes. Mas o ministro Paulo Guedes…você sabe, né?

Uma centena de dias depois da estreia do novo governo e, na prática, medida de impacto que tenha trazido melhora efetiva para a grande maioria das pessoas ainda não aconteceu. Mas o ministro Paulo Guedes já delineou todo um cenário de como o novo Brasil, redefinido por uma nova governança e uma nova política, poderá alcançar todo o seu potencial como nação. A questão sensibilíssima da segurança pública continua aterrorizando os brasileiros, sobretudo aqueles que se encontram sequestrados em nossas periferias espalhadas por todo o país.

No entanto, o ministro Paulo Guedes prevê que a economia brasileira, funcionando sob novos fundamentos, vai liberar o instinto selvagem de nosso capitalismo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz que o governo é um deserto de ideias. O ministro Paulo Guedes? Não, não é uma miragem. É um oásis.

Então, estamos assim combinados: o governo pode criar todos os problemas que quiser, mesmo que sejam absolutamente desnecessários e que apenas tornem mais difícil sua complexa missão; as redes sociais oficiais podem espinafrar, azucrinar, empestear o ambiente político e institucional à vontade; os números todos (01, 02, 03, 04…) podem dizer o que quiserem, falar o que lhes der na telha, atacar a imprensa, o Judiciário, o Congresso, a Venezuela, Maduro; podemos ficar adiando por tempo indefinido a criação de empregos, a retomada do crescimento econômico, o combate urgente à criminalidade e a restauração de um ambiente mínimo de segurança pública. Sabe por quê? Porque ainda bem que o Brasil tem o ministro Paulo Guedes! Que sorte a nossa…Paulo Guedes é o trevo de quatro folhas do Brasil.

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Mario Rosa e Cynara Menezes · 23/03/2019 - 14h39

Poder360 estreia programa ‘Reaça & Comuna’ no YouTube


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Com Mario Rosa e Cynara Menezes

Ideia é mostrar visões antagônicas

Reaça&Comuna: os jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes discutem temas políticos com opiniões antagônicas
Reaça&Comuna: os jornalistas Mario Rosa e Cynara Menezes discutem temas políticos com opiniões antagônicas    Sérgio Lima/Poder360 – 20.mar.2019

O 1º episódio do programa “Reaça & Comuna” já está no ar no YouTube do Poder360. O quadro é apresentado pelos jornalistas  Mario Rosa e Cynara Menezes. Eles analisam a conjuntura do poder, muitas vezes defendendo pontos de vista antagônicos.

O programa pretende promover o debate e a divergência de opiniões, mas com civilidade. O nome da atração é uma ironia à polarização que se intensificou nas eleições de 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro na disputa pelo Planalto, concorrendo contra Fernando Haddad, do PT, no 2º turno.

A gravação desta 1ª edição do “Reaça & Comuna” foi na 4ª feira (20.mar.2019). A gravação tem 22 minutos.

Eis o 1º episódio:

QUEM SÃO OS ANALISTAS

Mario Rosa – nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1964. É jornalista com passagens pelas redações da revista Veja e do Jornal do Brasil. Trabalha há mais de 16 anos como consultor de crises, prestando consultoria a políticos e a grandes empresários. Escreve para o Poder360 às segundas e sextas-feiras.

Cynara Menezes – nasceu em Ipiaú, na Bahia, em 1967. É jornalista e já atuou nos veículos Folha de S.Paulo, Veja e Carta Capital. Atualmente, comanda o blog Socialista Morena, que fundou em 2013. Por seu trabalho jornalístico, especialmente na política, recebeu em 2013 o Troféu Mulher Imprensa, na categoria “Jornalista de mídias sociais”.

Conteúdo produzido pelo Portal Poder360 – www.poder360.com.br. Todos os direitos reservados. Reprodução permitida mediante autorização expressa.

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É um homem equilibrado · 18/03/2019 - 09h44

Pense num vice-presidente… ‘muy amigo’, elogia Mario Rosa


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É um homem equilibrado e moderado

O número 2 que quer o bem de todos

Jô Soares como Don Gardelón (dir.), assim como Mourón, muy amigo
Jô Soares como Don Gardelón (dir.), assim como Mourón, muy amigo    Reprodução/TV Globo - 1981

Leia a entrevista que o vice-presidente Hamilton Mourão nunca concedeu.

E essa questão do golden shower?
Daqui a pouco ninguém vai lembrar. É o estilo dele.

E a influência dos filhos no governo?
Temos que entender. É a 1ª vez que um presidente tem filhos com mandato. Com o tempo tudo se ajusta.

E o problema do Queiroz?
Tem que esclarecer. Mas tenho certeza de que o presidente e a família têm resposta para tudo.

Laranjas do PSL?
Tem que investigar. Normalmente.

E os ataques que o senhor sofreu do Olavo de Carvalho?
Sabe que eu não me incomodo? É assim mesmo.

E a reforma da Previdência, na questão dos militares?
Tem que haver a inclusão de todos.

E a demissão da militante de esquerda da comissão de direitos humanos?
Eu acho uma perda para o governo.

E a questão da liberdade de imprensa?
Esse é um direito fundamental, que tem de ser respeitado.

E a possibilidade do Lula ir se despedir do netinho que morreu?
Sou absolutamente favorável. É o que está na lei. Temos de obedecer às garantias e os direitos individuais previstos na Constituição de 1988.

E as redes sociais do filho do presidente que atacaram esse direito?
A gente tem que entender o jeito de cada um. Não podemos criar novos problemas e sim ajudar o Brasil a resolver os que tem.

E a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém?
Temos que avaliar tudo com muita calma e por enquanto tudo fica como está.

Vice-presidente, o senhor só fala coisa com coisa, parece equilibrado, moderado…
Não estou fazendo mais do que a minha obrigação. Meu objetivo é apenas ajudar o presidente e o governo da forma mais suave e desprendida para que todos saibam que podem contar com um humilde brasileiro que se preparou a vida toda para unir o país e as instituições, fortalecer a democracia, fazer avançar a pluralidade, os interesses nacionais, sem polêmicas, sem crises, sem radicalizações.

Uma última pergunta, vice-presidente, nesta entrevista que jamais existiu e que o senhor jamais concedeu: como o senhor enxerga o papel da política nos dias atuais?
Eu vejo que não existe democracia forte sem parlamento forte. O Congresso é a casa da democracia e deve ser respeitado e seu papel, valorizado.

Apenas para fechar: o senhor torce pelo governo Bolsonaro?
Torço muito! Torço para que cada vez mais o governo e o presidente mostrem ao país o que são e para o que vieram e, de outro lado, tenho certeza de que quanto mais o país e a população conhecerem o presidente e o governo, mais inevitável será o encontro de nossa nação com nossa história.

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Vivemos dias bem Bolsonaro · 10/03/2019 - 18h41 | Última atualização em 10/03/2019 - 19h21

Só se fala disso: Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro…, escreve Mario Rosa


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Vivemos dias bem Bolsonaro

Nosso Brasil está Bolsonaro

Leia este artigo Bolsonaro

    Reprodução/Instagram @jairmessiasbolsonaro

Hoje foi um dia, como dizer…bem Bolsonaro. Eu acordei e logo no café da manhã tomei um café Bolsonaro e saí que nem um Bolsonaro, pois estava muito Bolsonaro. Logo que cheguei ao corredor, um vizinho meu, que é um típico Bolsonaro, já estava esperando o elevador. Eu fiquei ali, né, fazer o quê? Com a maior cara de Bolsonaro.

Ainda bem que o elevador chegou Bolsonaro e cada um seguiu seu rumo. Mas o dia estava só começando. Ainda tinha muito Bolsonaro pela frente. Cheguei no ponto de táxi e a fila? Bol-so-na-ro! Eu ali com aquele Bolsonaro todo e não tinha um Bolsonaro de um táxi pra me levar pro aeroporto. E não era turismo. Tava indo Bolsonaro.

Bem, eu sei que dei o maior Bolsonaro e consegui chegar na hora e embarcar. A aeromoça foi super Bolsonaro comigo. Confesso que eu sou meio Bolsonaro com essas coisas de avião e fiquei Bolsonaro o voo inteiro. Pra piorar, de repente, a aeronave atravessou um Bolsonaro gigante. Todo mundo se olhou totalmente Bolsonaro com aquela situação.

Mas graças à misericórdia dos céus foi tudo muito Bolsonaro. Senão o pânico seria um Bolsonaro geral. O lado bom é que depois do Bolsonaro fui conversando com uma cara, você tinha de ver, que cara Bolsonaro! Trocamos o telefone e combinamos um Bolsonaro na próxima vez que eu for por lá. Parece que a gente é Bolsonaro um do outro a vida inteira, entende?

Logo que eu desembarquei eu tava um pouquinho Bolsonaro para a reunião. E eu fico muito Bolsonaro quando isso acontece. Com o tempo, eu fui ficando mais Bolsonaro com essas situações, mas quando eu era jovem, se isso acontecesse comigo eu virava um Bolsonaro na hora. Bom, o fato é que eu aproveitei a situação e fui apreciando os Bolsonaros do caminho.

A cidade está cada vez mais Bolsonaro. Aliás, esse é um dos maiores Bolsonaros do Brasil: ninguém gosta de falar de nossos Bolsonaros. Acham muito melhor botar o dedo no meio dos nossos Bolsonaros, ao invés de considerar todos os Bolsonaros que o país tem de sobra. É o chamado complexo de Bolsonaro: a gente só respeita o Bolsonaro dos outros.

Eu sei é que a reunião correu Bolsonaro e eu saí de lá com a turma e tivemos um almoço num clima que não poderia ser mais Bolsonaro. Não tem coisa mais Bolsonaro na vida do que aproveitar a companhia de pessoas Bolsonaro e compartilhar com elas algumas horas Bolsonaro juntos. E foi isso que aconteceu.

Fora que a comida estava Bolsonaro, embora o serviço estivesse um pouquinho Bolsonaro para um estabelecimento daquele tipo. O garçom acho que tava Bolsonaro naquele dia. Quem de vez em quando não tem um dia Bolsonaro? É preciso ser Bolsonaro nessas horas e bola pra frente.

Encerrando esse relato de minha Bolsonaro aventura, a sensação que eu tenho é que estamos respirando ares de pleno Bolsonaro. Finalmente! Pois ninguém aguentava mais aquela situação Bolsonaro que estávamos vivendo antes. Onde íamos chegar? Quer que eu seja Bolsonaro? O país ia acabar num Bolsonaro, com certeza! Você pode me chamar de Bolsonaro, mas era isso que ia acontecer. Agora não.

Estamos Bolsonaros e vejo um futuro Bolsonaro pela frente, no qual não haja aquela obrigação que havia de você ser Bolsonaro, quisesse ou não. Agora, a gente sente esse grande Bolsonaro e pode voltar acreditar num Bolsonaro muito melhor. Agora você vai dizer o contrário: você não acha isso muito Bolsonaro? Sinceramente? Não. É algo totalmente diferente: é Bolsonaro.

Só se fala em Bolsonaro: golden shower, Carlos Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro. A favor do Bolsonaro, contra o Bolsonaro.

Mas… no final das contas, o Brasil só fala Bolsonaro.

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Voto foi para ‘mito’ Bolsonaro · 24/01/2019 - 17h57 | Última atualização em 24/01/2019 - 18h04

Carta aberta ao general Antônio Hamilton Martins Mourão, escreve Mario Rosa


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O senhor não foi eleito para nada

O voto foi para o ‘mito’ Bolsonaro

Sejam bons parceiros no governo

Sigam exemplo de Bush e Cheney

O último vice, militar e poderoso do Brasil foi Floriano Peixoto, diz Mario Rosa
O último vice, militar e poderoso do Brasil foi Floriano Peixoto, diz Mario Rosa    Reprodução

General, General!

O senhor chegou lá! O capitão partiu e está no maior gelo (metáfora General, refiro-me ao Fórum de Davos, ao qual ele foi e permite que Vossa Excelência assuma pela primeira vez – certamente não a última – a presidência da República Federativa do Brasil).

Daqui a um tempo, ele vai pra mesa e o senhor também. Ele, pra de cirurgia. E o senhor, pra da Presidência. Pra mesa dele!

Isso o coloca numa dupla singularidade. A 1ª vez que um milico foi operado e um vice assumiu, deu xabu. Mas era um paisano, né? Foi com o João Figueiredo, o “João do Povo”. O vice quis ser presidente demais e…nunca mais o João confiou nele. E o senhor, General Mourão, tem um desafio mitológico. Pois o poder, General, é uma furna (caverna, lapa, gruta, antro).

Um lugar claustrofóbico, escuro e ameaçador. É até mais do que uma furna: alguns acham até que é uma furna da onça, tamanha a periculosidade. Mas o senhor, General, é um bravo combatente. Por isso, pelo bem do Brasil –que a meu ver está acima de todos e não de tudo, pois acima de tudo está Deus– eu lhe transmito minhas mais sinceras considerações. Vamos lá então.

General, tenho de começar dizendo que o senhor não foi eleito para nada. E, aí, o senhor poderia redarguir com algo mais ou menos assim, se quisesse:

– Oh idiota, meu rosto apareceu na urna eletrônica junto com o do presidente e quem teclou nele, teclou em mim. Claro que fui eleito!

Eu responderia que o senhor está duplamente certo. Primeiro, eu realmente sou um idiota. Segundo, como candidato a vice, seu nome foi sufragado pelos eleitores. Mas…eu continuaria exatamente no mesmo ponto: o senhor não foi eleito para nada. O “eleito” foi o “mito”.

Ninguém votou nele por causa do senhor. Se fosse o Magno Malta ou a Janaina Paschoal, daria no mesmo. Assim como ninguém votou em Itamar, mas em Collor; nem em Marco Maciel, mas em Fernando Henrique; nem em Temer, mas em Dilma (a rigor, aqui, em Lula, mas é uma longa história).

Então o senhor me pergunta: o que esse idiota vem me aporrinhar e ainda mais em público? Bem, é que embora o senhor não tenha sido eleito para nada, o senhor parece que vai participar de tudo no governo. E isso é uma coisa nova. Não diria inédita. A última vez que houve um vice-presidente, militar e poderoso foi Floriano Peixoto. Mas, mesmo assim, Floriano foi e-lei-to, como o senhor sabe.

Naquela época, a primeira eleição republicana, era possível eleger um presidente por uma chapa e o vice por outra. E o resultado é que Floriano era tão mais onipotente que o desgastado general Deodoro que…ofuscou o velho Marechal (já na posse, coitadinho). E tomou o poder logo depois. Essa é a dupla singularidade que lhe falei: assumir com um presidente militar a ser operado e ser um vice militar poderoso.

Estou eu lá rogando praga contra o presidente Bolsonaro? Cruz credo! Estou só falando que esse modelo de um vice-presidente com poder delegado é um experimento, dai sim, inédito em nossa sistema. O senhor pode dizer: mas o presidente não delega até mais poder para o ministro da Fazenda? Sim senhor! Mas…o ministro pode ser demitido. O vice, não. Porque foi eleito.

(Aí o senhor vai dizer: idiota, contraditório, você não disse que ninguém me elegeu para nada? Disse sim senhor! Ninguém o elegeu para nada no sentido de ninguém ter levado em conta sua presença como fator de escolha na eleição. Mas o senhor, claro, foi eleito sim. E não pode ser demitido).

Bom, quero lhe dizer que particularmente eu considero sua influência benéfica e benfazeja para o núcleo do poder. Acho que sua formação, seu tempo de vida, sua trajetória, permitiram que o senhor construísse uma visão mais permanente sobre o Brasil e seus desafios perenes. O presidente, como todo fenômeno, tem o grande mérito de ter o brilho de um cometa, mas sabemos que o equilíbrio do universo necessita de forças gravitacionais mais poderosas, de órbitas planetárias, de sistemas solares, de galáxias.

Cometas, claro, são espetáculos no crepúsculo, mas são incandescentes e fulminantes. E aí é que está minha dúvida, general: o senhor pode assumir o papel de quilha desta nau bolsonarista e conferir-lhe o prumo e a estabilidade que, sem o senhor, talvez jamais tivesse.

Eu sinceramente torço para que o presidente e o senhor pudessem fazer parte da mesma família. Ou melhor, família não, porque os meninos criam muita eletricidade, às vezes desnecessariamente. Refazendo a frase: eu gostaria muito que o senhor e o presidente fizessem parte de uma grande parceria. Assim como fizeram Bush (filho) e Dick Cheney. A minha duvida é se isso será possível.

Se o presidente tiver a capacidade de perceber algumas limitações que acumulou justamente porque sua trajetória de fenômeno exigiu que despendesse seu talento e sua energia em outros campos e, a partir disso, tiver a humildade de buscar complementar em alguém com sua formação aquilo que lhe falta, não estaremos decerto diante de um cometa radiante. Mas de uma prodigiosa e fulgurante inteligência estelar. Boa sorte, General.

E todo cuidado aí na furna…

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Quadro trata de conjuntura nacional

Atração tem 21 minutos e 5 blocos

Os analistas Mario Rosa (à esq.) e Alon Feuerwerker
Os analistas Mario Rosa (à esq.) e Alon Feuerwerker    Sérgio Lima/Poder360

O 4º episódio do programa Analistas de poltrona já está no ar no YouTube do Poder360. O quadro é apresentado pelos analistas Alon Feuerwerker e Mario Rosa.

O nome da atração é uma ironia a respeito da proliferação de programas com comentaristas sentados e dando opiniões sobre o que se passa em Brasília.

Nesta semana, a gravação foi realizada na 2ª feira (7.jan.2019) e tem 21 minutos divididos em 5 blocos. Entre os temas tratados, estão o imbróglio sobre o aumento do IOF, a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que a população “começou a se libertar do socialismo” e o papel da oposição diante do novo governo.

QUEM SÃO OS ANALISTAS
Alon Feuerwerker 
– nascido em 1955 a cidade de Arad, na Romênia, Alon Feuerwerker vive no Brasil desde 1960. Participou do movimento estudantil contra a ditadura militar nas décadas de 1970 e 1980. Trabalhou em veículos de imprensa como Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Hoje é analista político da FSB Comunicação e articulista do Poder360. Seus textos são publicados aos domingos e quintas-feiras. Lançou o livro “Brasil em capítulos” em dezembro de 2018, sobre desenvolvimentos recentes da política brasileira.

Mario Rosa – nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 1964. É jornalista com passagens pelas redações da revista Veja e do Jornal do Brasil. Trabalha há mais de 16 anos como consultor de crises, prestando consultoria a políticos e a grandes empresários. Escreve para o Poder360 às segundas e sextas-feiras.

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Nem tudo que é novo é bom · 25/12/2018 - 08h51

Qual é o dilema de riaJ oranosloB após virar rei, escreve Mario Rosa


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Nem tudo que é novo é bom

Permanecer pode ser melhor

Eis o paradoxo de oranosloB

A coroação de riaJ oranosloB foi precedida por uma facada no futuro rei, diz Mario Rosa
A coroação de riaJ oranosloB foi precedida por uma facada no futuro rei, diz Mario Rosa    A coroação de Napoleão (adaptada), pintura de Jacques-Louis David - 1807

ENQUANTO ISSO, NO REINO DAS MIL E UMA NOITES, APENAS DESERTO…

(As mil e uma noites avançam e sua escuridão avança e toma conta de todo o deserto. Enquanto isso, o reino de riaJ oranosloB vive dias de alegria e esperança. Sua majestade parece cumprir à risca sua misteriosa profecia –o paradoxo de oranosloB– um feitiço encantado feito por sua bondosa fada madrinha quando o pequeno monarca ainda estava no berço. Assim protegeu-lhe sua diva, nessa linda história de magia e imaginação:

– oranosloB, oranosloB, meu filho querido, eu te protejo com este feitiço: todas as vezes em que tiveres a sabedoria de recuar, avançaras! Mas…todas as vezes em que, por pirraça, insistires em avançar, então só alcançarás o retrocesso!).

E o fato é que, feito grande, riaJ oranosloB começou a despachar os complexos, terríveis e exasperantes assuntos de interesse do reino. E em tudo se percebia a sutil influência de sua bondosa fada madrinha…

– Eu vou fazer isso!

– Vossa Alteza, com todo perdão, fazer isso Vossa Alteza não pode, pois se fizer isso, seu reino vai ficar completamente sem chances de vender farelos. E farelos é uma fonte preciosa de riqueza do reino.

– Bom, então eu vou fazer aquilo.

– Aquilo é mais prudente, Alteza.

– Eu vou mudar o que sempre foi cá para lá!

– Alteza, sempre foi cá porque o reino ganha muito mais sendo cá do que sendo lá e, se for lá, os prejuízos serão enormes.

– Então eu vou manter cá mesmo!

– Cá é mais prudente, Alteza!

– Eu vou exigir que meu Édito seja aclamado pela Corte!

– Alteza, o Édito é muito impopular e a Corte pode ficar contra Vossa Alteza dizendo que vai ficar ao lado do povo.

– Então, então, eu não vou exigir. Vou tentar dialogar.

– Dialogar é mais prudente, Alteza.

– Eu não vou aceitar nem esse nem aquele nesse e naquele lugar.

– Alteza, esse e aquele podem até serem preteridos, mas talvez seja melhor não haver vetos, pois não há de Vossa parte como impedi-los. Então, seu reinado pode parecer fragilizado.

– Então, vou aceitar, se eles ganharem.

– Aceitar é mais prudente, Alteza.

– Vou nomear para a minha entourage gente com marcas que, nos outros, sempre chamei de defeitos, sempre tripudiei, sempre condenei e disse que jamais iria adotar.

– Sem nenhum reparo, Alteza.

– Como assim? Quer dizer que tudo que eu imaginar de inovação eu terei de recuar, mas se repetir as coisas velhas terei muito menos obstáculos?

– Alteza, pois é essa a realidade…

– Então, estarei condenado a ser apenas um reverberador do que é velho, do conhecido? Não poderei nunca deixar a minha marca indelevel de renovação sobre o meu tempo?

– Alteza, era uma vez um Monarca que tinha grandes ideias. Eram ideias boas e ideias novas.

– Foi um gênio esse Soberano, não?

– Infelizmente não, Alteza. O problema é que as ideias novas dele não eram boas e as boas não eram novas…

– Então não adianta apenas fazer a coisa nova. É preciso fazer a coisa boa para ser um Monarca amado pelos súbditos?

– É o mais prudente, Alteza.

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Vivo a história como comensal · 14/12/2018 - 08h28

Todas as sinapses que eu senti nos próximos 4 anos inteiros, diz Mario Rosa


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Vivo a história como comensal

Sou um dependente do poder

Leva-se uma vida para prová-lo

E só um segundo para se acostumar

 Meu único unguento é aspirar os ácaros da faixa de tempos em tempos, diz Mario Rosa   Reprodução/Twitter

Cheguei!

Sei finalmente agora qual é o gosto de saborear a História não como um convidado, mas como um comensal. Mais que isso: no assento de destaque da mesa principal. Sinto todo o burburinho, os olhares que me encaram, a estupefação, as contrações nas faces por onde quer que eu passe. Sinto o que só se sente quando alguém se investe deste disfarce.

Sei, agora eu sei, finalmente sei, o que é ser o que me tornei. Demora-se uma vida para experimentar esse choque. Quase ninguém –qua-se nin-guem– já sentiu o que sinto. E agora que sei, já é tão banal. Leva-se uma vida inteirar para se provar o poder, mas quer saber? Basta um segundo pra se acostumar.

Porque agora todos os ritos eu vou conhecer e, logo, logo, se tornarão repetitivos. Todos os protocolos eu vou conhecer de cor e talvez me entediar e, ao longo do tempo, eis a dura verdade, ai que chatice, de novo, vão esse hino tocar? Não, não que eu não o ame, não! Pelo contrário!

Mas todo dia, toda hora, essa mesma gente, essa mesma conversa, esses mesmos lugares, esses mesmos sorrisos, esses mesmos banquetes, essas mesmas contrações das faces, esse mesmo burburinho, esses mesmos olhares, essas mesmas estupefações. Ai, esses mesmos crânios aquiescestes! Ai, eu já não aguento mais esse mesmo disfarce…

Mas não posso jogá-lo fora. Não posso simplesmente sair, ir embora. E o pior: quanta decepção! Quanta crueldade! Quanta ingratidão! Os mesmos que me aplaudiam com entusiasmo agora me viram a cara com expressão de escárnio.

Os que mais protegi se afastam de mim quando mais preciso de proteção. E as rapinas, traiçoeiras como são, como se vingam! E tentam me trucidar, arrancam pedaços de mim, furam meus olhos, cravam suas garras à vista de todos. Será que ninguém percebe? Sim, são os mesmos de sempre, os que me odeiam que agora me ferem? Onde estais vós? Por que me deixastes? E ao lado de mim, Carlos, bem que dissestes!

E aí o vazio profundo, do silêncio profundo, da solidão profunda se fechará em torno de mim. Sim, eu conheci as pompas, eu conheci as glórias, eu conheci os ritos, eu conheci os monumentos, eu conheci as ruínas, eu conheci as pessoas –ah, essas eu definitivamente conheci– e nessa viagem toda fui me isolando de tudo, fui me isolando de todos e, na solidão, na solidão do poder, eu me conheçi.

Hoje eu sei quem sou. Conheço as minhas fraquezas. Conheço os meus pontos cegos. Conheco os meus desatinos, conheço meus sortilégios. Perdi toda a inocência e me enxergo do jeito que sou. Não tenho nenhuma clemência, comigo o com quem for. Porque na solidão em que vivo e na qual me lancei, aprendi a ver tudo de perto e, por isso mesmo, a ficar longe de tudo. Não, eu não imaginava que seria assim tão diferente.

Pensei que tudo era o arrepio e a adrenalina de estrear de repente. Mas não. Agora finalmente eu sei, o sabor da História. É doce, é amargo, é picante, é cremoso, é ácido. Tem todos os sabores. Mas pra mim hoje é insípido. Enjoei. Mas é um vício. Sou um dependente e meu único unguento é aspirar os ácaros da faixa de tempos em tempos. É minha única cura, meu único tratamento.

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Ministro exalava otimismo · 14/12/2018 - 08h01

Onyx Lorenzoni, mas pode me chamar de Cândido, escreve Mario Rosa


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Poder360-ideias: ministro otimista

Leia o artigo de Mario Rosa

O ministro exalava otimismo, assim como o personagem do clássico de Voltaire
O ministro exalava otimismo, assim como o personagem do clássico de Voltaire    Wikimedia Commons

Você viu o ministro Onyx Lorenzoni, que interrompeu bruscamente uma entrevista coletiva dia desses e parecia um tanto colérico ao defender o presidente eleito Jair Bolsonaro das acusações contra o “01”, o filho e senador eleito Flavio?

Pois aquele Onyx não compareceu ao jantar promovido na noite de 2ª feira por este portal, em Brasília. Foi lá o Cândido Lorenzoni, de terno claro, camisa branca, sentado num lugar com fundo claro, sorridente, suave e mais do que tudo: otimista!

O ministro exalava otimismo, assim como o personagem do clássico de Voltaire, aquele que repetia a máxima de seu mestre, doutor Pangloss, segundo o qual “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”. Jair Bolsonaro? “Um homem com espírito de missão”. O futuro governo? “Em sintonia com a sociedade e formado por técnicos de alto nível e militares com experiência de gestão”. A relação com o Congresso? “Sem toma lá dá cá e vai ser a melhor de todos os tempos”.

Cândido Lorenzoni não vive, obviamente, no mundo da lua. É um político no sétimo mandato, parlamentar imantado por aquele entusiasmo de quadros genuinamente convencidos de que estão prestes a serem testemunhas oculares de uma trama com final feliz.

Já vi esse mesmo entusiasmo em outros próceres de outras linhagens e convicções assim costumam brotar de uma sensação quase celestial de se estar em conexão online com essa substância rarefeita e misteriosa chamada História. É quando podem ver esse ente abstrato chamado Brasil e todas as suas potencialidades. E não há quem não se deslumbre com tudo que nosso país é e pode ser. Ainda mais quando se está no centro do tabuleiro, como Onyx.

Sobrou até para o general Mourão. Digo: elogios. Reforma da previdência? “Passa”. Crescimento econômico? “Vamos liberar a iniciativa privada e o país vai crescer. Mesmo com tudo que passamos nos últimos anos, não deixamos de ser uma das 10 maiores economias do mundo”. E o comando da Câmara e do Senado? “Não vão atrapalhar. Não vão ficar contra o sentimento do país”.

Onyx tem certeza de que as medidas de reestruturação dos ministérios serão aprovadas sem dificuldades, até mesmo a extinção do simbólico ministério do Trabalho. Acredita que a independência do Banco Central será um tiro certeiro.

Durante mais de duas horas, Onyx não conseguiu verter nenhum mau agouro. É muito bom saber que no epicentro do poder prestes a assumir se respira essa atmosfera de otimismo e positividade. Que Cândido Lorenzoni esteja certo e que o Brasil dê certo.

Na obra de Voltaire, quando o Cândido original foi tomado pelo pessimismo, ainda assim, formulou sua negatividade como só os otimistas empedernidos são capazes. “Devemos cultivar nosso jardim”, disse o personagem. Que daqui a quatro anos, seja essa a frase mais nebulosa que Onyx possa vir a dizer. Boa sorte!

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