FFutebol Brasileiro · 22/03/2020 - 22h30 | Última atualização em 22/03/2020 - 22h51

Sem jogos e com queda de receitas, clubes elaboram plano para salvar finanças


Compartilhar Tweet 1



Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, deu detalhes da proposta

Clubes vão propor medidas para conter gastos e salvar finanças 

Uma das lideranças dos clubes brasileiros, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, revelou neste domingo uma proposta elaborada pelos clubes para "salvar o futebol brasileiro" em meio à pandemia do novo coronavírus. O objetivo é equilibrar as finanças das agremiações, que já vêm sofrendo com a perda de receita e queda no fluxo de caixa.

 

" O Fluminense já está sofrendo as consequências, como outros clubes. Tivemos patrocinadores cancelando contratos, estamos sem as receitas, obviamente, de bilheteria, venda de camisas, atrasamos o lançamento da nova camisa que seria hoje até. Estamos reduzindo muitas receitas, não tem como vender atletas. O Corinthians já teve patrocínio cancelado, Flamengo, Vasco, o próprio Maracanã, vi uma matéria hoje mais cedo que o Barcelona está sofrendo. Imagina, se eles sofrem, imagina os brasileiros", disse o dirigente, em entrevista ao canal SporTV.

 

Além de presidente do Flu, Bittencourt atua como porta-voz da Comissão Nacional de Clubes. Ele revelou que representantes de clubes das quatro divisões do futebol brasileiro se reuniram na sexta-feira, por videoconferência, para discutir a proposta apresentada à Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf).

 

"Tem uma comissão de clubes das séries A, B, C e D, que já existia anteriormente. Eu faço parte junto com Grêmio, Palmeiras, Bahia e Atlético. Na sexta, fizemos uma grande videoconferência, uma reunião com mais de 20 clubes presentes, e tentamos desenvolver uma proposta de acordo, deixando claro que não é algo unilateral, é algo para ser levado aos atletas. É algo para minimizar o prejuízo que nós temos como clubes, que os atletas têm, os jornalistas têm. A ideia é tentar manter o maior número de empregos possível."

 

A principal proposta é colocar os jogadores em férias coletivas, enquanto todas as competições nacionais foram paralisadas em razão da pandemia. "Assim, poderíamos esticar o calendário até o fim do ano. Não sabemos o que vai acontecer, quanto tempo a temporada vai ficar paralisada."

 

Pela proposta, os clubes pagariam 50% do salário das férias neste momento. O restante seria quitado no fim do ano. Ao fim das férias, caso os campeonatos ainda não sejam retomados, a alternativa seria orientar os jogadores a fazerem treinos individuais em suas casas, com o suporte dos clubes. Neste período, eles sofreriam um corte de 50% na remuneração na carteira de trabalho e também nos direitos de imagem. O pagamento seria na íntegra caso já pudesse haver jogos com os portões fechados.

 

Se a paralisação do futebol brasileiro se estender além de 60 dias, contando o período das férias e o primeiro mês ao fim da folga, a proposta dos clubes será de suspender todos os contratos de trabalho. Segundo Bittencourt, os jogadores seriam compensados com a extensão dos seus vínculos no futuro em período proporcional ao tempo parado em razão da pandemia.

 

O porta-voz dos clubes explicou ainda que a proposta contaria com dez dias extras de folga, ao fim do ano, para que os jogadores possam aproveitar o descanso para viajar, algo não adequado neste momento de quarentena. "Fizemos a proposta, entregamos para a Fenapaf e esperamos até amanhã (segunda) ou terça uma resposta", declarou Bittencourt.
 

Também ao SporTV, Marcus Salum, presidente do América, aprovou as ideias de Mário Bittencourt, porém chamou a atenção para a extensão do prazo de combate ao coronavírus. O dirigente do Coelho acredita que os meses de março, abril e maio serão preenchidos por campanhas de prevenção à COVID-19, de modo que o futebol só seria retomado em junho.

 

“O futebol brasileiro hoje está passando por um momento difícil. Essa primeira ideia colocada pelo Mário é boa. Mas mês de março, abril e maio, estão completamente tomados pelo combate à doença. Talvez em junho haverá alguma luz. Acho que temos que começar a estudar calendário e outras soluções já pensando num quadro pior. Temos que desenhar uma realidade um pouco pior e, a partir da realidade, se as coisas melhorarem, vamos agregando melhores soluções”.

Fonte: Estadão 


 


Comentários