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Patrimônio da Humanidade · 31/07/2008 - 06h28

SLZ poderá perder o título de Patrimônio da Humanidade

Foram atestadas transformações de 50 casarões tombados em estacionamentos. Veja detalhes


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São Luís está em risco de perder o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, concedido à cidade em 1997 pela Unesco, entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) voltada para a educação, a ciência e a cultura. O anúncio é do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida, que vistoriou ontem o acervo de casarões antigos da capital maranhense e atestou a transformação de 50 casarões tombados em estacionamentos.

“Esse patrimônio é a vida da cidade. É a identidade do Brasil. São Luís é uma das cidades mais importantes que contam a história do nosso país, enfim, um Patrimônio da Humanidade. E eu estou aqui para fortalecer essa ação de fiscalização do acervo arquitetônico. Isso é muito importante. São Luís, inclusive, corre o risco de perder o título da Unesco, caso continue esse processo de descaracterização do Centro Histórico”, declarou Fernando de Almeida.

O presidente do Iphan afirmou ainda que convocará uma nova missão da Unesco para visitar São Luís e reavaliar o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. Almeida fez esse anúncio ontem, durante uma reunião com representantes do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Prefeitura de São Luís e Governo do Estado, ocorrida na sede da Superintendência do Iphan, na rua do Giz.

Participaram da reunião, além do presidente do Iphan, o promotor de Justiça para a Defesa do Meio Ambiente, Fernando Barreto; o delegado da Polícia Federal, Valdecy Urquiza Júnior; o procurador da República, Alexandre Soares, e a superintendente do Iphan no Maranhão, Kátia Santos Bogéa.

Fernando de Almeida considera que a transformação de casarões antigos, de valor histórico, em estacionamentos configura um dano irreparável ao acervo tombado. “É claro que as cidades sempre sofrem pressão dos especuladores imobiliários. E é por isso que o interesse coletivo deve se sobrepor a interesses particulares. Neste caso, o Iphan agirá de forma propositiva, de dialogar com a sociedade brasileira e saber se é de interesse da nossa sociedade preservar o Centro Histórico de São Luís, assim como de outras cidades que tem patrimônio tombado, e também se cabe à sociedade propor uma ação de recuperação desse patrimônio”, ponderou o presidente do Iphan.

Vale lembrar que, na semana passada, uma operação de fiscalização resultou no embargo de nove estacionamentos e mais 41 notificações de embargo dessa atividade, que funcionava em casarões no centro de São Luís. Atualmente, o acervo arquitetônico da cidade consta de 5.600 casarões, dos quais 3.500 são tombados pela União. Trata-se do maior acervo arquitetônico deste tipo de toda a América Latina.

Título

Em maio de 1996, a então governadora, Roseana Sarney, apresentou à Unesco, órgão das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura, a proposta para incluir São Luís na lista do Patrimônio Mundial. Em dezembro de 1997, o plenário do Comitê do Patrimônio Mundial aprovou sem ressalvas a recomendação. Com o título da Unesco, o governo Roseana Sarney fez a maior obra de restauração e preservação de um centro histórico na América Latina e, certamente, uma das maiores entre todas as intervenções feitas nos mais de 500 bens internacionais que integram a lista do Patrimônio Histórico da Humanidade.


Fonte: O Estado Do Ma