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Morte na Liberdade FM · 15/08/2015 - 15h10 | Última atualização em 16/08/2015 - 05h49

Governo do CE afirma que morte de radialista em Camocim foi elucidada

MORTE DE RADIALISTA: Em nota, Secretaria deixa de fora um suposto sexto envolvido


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Por Rômulo Rocha
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nviado a Camocim (CE)

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS) informou ao 180, em resposta a questionamentos feitos pelo Portal e ao se posicionar sobre a matéria Assassinato de radialista: Polícia do estado do CE só prendeu 'pequenos', que considera o caso do radialista Gleydson Carvalho "elucidado" pela Polícia Civil local. O profissional da área de comunicação foi morto a tiros no último dia 6 de agosto, em Camocim, município turístico do Ceará, localizado a 379 quilômetros da capital Fortaleza.

Em nota a pasta relata que ao todo seriam cinco os envolvidos, contando com os já presos “Gisele de Souza Nascimento (23) e Francisco Antônio Carneiro Portela (18), ambos sem antecedentes criminais, que deram apoio ao crime”. Acrescentou que “os outro três infratores são os dois autores dos disparos e o mandante da infração”, cujo nome ainda não foi revelado.

A Polícia Civil trabalha com a suspeita de que “os dois autores do crime estejam envolvidos em outro homicídio, ocorrido em novembro de 2014, na cidade de Marco”.

SECRETARIA DEFENDE ATUAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL
Sobre o episódio em que escapou dois pistoleiros do “cerco” feito pelos homens da Polícia Civil no distrito de Serrota, pertencente ao município de Senador Sá, a cerca de 83 quilômetros de Camocim, a Secretaria de Segurança afirmou que cabe à Polícia Civil apurar ou não a necessidade de homens da Polícia Militar. O 180 havia questionado a não participação da PM na operação, reforçando o grupo de homens da Civil, que teria somente com quatro.

“Em relação à participação de policiais militares no caso, a atuação da Polícia Militar se refere ao policiamento ostensivo, de repressão ao crime. Cabe à Polícia Civil a apuração de ocorrências, sendo Polícia Judiciária. Caso a autoridade policial julgue necessário, em determinadas situações, é apropriado apoio dos militares”, informaram, chegando, portanto, a admitir a possibilidade de trabalho conjunto, fato que não chegou a acontecer quando da investida na casa onde estavam os pistoleiros, porque não foi solicitado o apoio pela Polícia Civil da região.

Na matéria publicada pelo 180, o Portal sustentou que havia uma possibilidade muito grande de que o cerco aos pistoleiros na noite do mesmo dia em que ocorreu o crime, poderia ter sido totalmente eficaz, com a prisão dos acusados de pistolagem, se os homens da Força Tática da Polícia Militar tivessem sido acionados. Sustentou também que isso seria um procedimento fácil, já que a frequência da rádio das duas polícias é a mesma.

Os homens da Força Tática, já de prontidão, possuíam todo o material necessário para as buscas, em caso de fuga, e o Estado do Ceará, às expensas dos seus contribuintes, não estaria mais gastando recursos na caça desse dois pistoleiros. Sem falar que já teria dado uma resposta satisfatória à sociedade, incluindo os órgãos de imprensa internacional que acompanham o caso.

A Secretaria de Segurança do Ceará diz ainda que “os policiais militares e civis do Ceará são capacitados e têm dado as respostas necessárias aos crimes ocorridos no Estado”. Fortaleza, para se ter uma ideia, é uma das mais violentas capitais do mundo. Em Sobral, município a cerca de 233 quilômetros da capital, a criminalidade reina.

A afirmação acima foi em resposta à uma das indagações feitas pelo 180, se não seria melhor, ou haveria a possibilidade de convocação da Polícia Federal para o caso, tendo em vista a repercussão do crime, e para não deixar dúvida alguma ao final do inquérito, visto haver a suposta participação de político ou políticos da região.

“Sobre os trabalhos desenvolvidos pela Polícia Federal, de acordo com a Constituição do ano de 1988, a instituição exerce a segurança pública em atividades de Polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras, no combate ao tráfico de drogas, descaminho e contrabando, desenvolvendo com exclusividade as funções de polícia judiciária da união. O caso do homicídio do radialista em Camocim não se enquadra em nenhuma destas circunstâncias citadas", repassou a pasta, que tem à frente o secretário Delci Carlos Teixeira.

Delci já foi superintendente da Polícia Federal em quatro estados. Seriam Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraná.

POLÍCIA FEDERAL PODE SIM ENTRAR NO CASO SE REQUISITADA
A Secretaria de Segurança do Ceará, no entanto, ‘esqueceu-se’ de citar trecho do artigo 144 da Constituição. No parágrafo 1º desse artigo, ao tratar sobre a competência da Polícia Federal, a Carta Maior também deixa expresso que a Polícia Federal pode atuar em “outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei”.

No Piauí, o governo do estado, por exemplo, já recorreu à Polícia Federal para dirimir dúvidas sobre a rumorosa morte de uma jovem conhecida por Fernanda Lages. É uma questão controversa, mas que possui casos de aplicabilidade no País.

PISTOLEIROS ESTAVAM NA CASA, SEGUNDO GISELE NASCIMENTO
O Portal 180graus, quando na delegacia regional de Camocim, teve acesso a um dos depoimentos dos dois presos na operação da Polícia Civil, foi o de Gisele Nascimento, chegando a lê-lo, não sendo possível, porém, obter a cópia.

No seu depoimento, Gisele Nascimento, natural de Fortaleza, faz menção a um “homem coroa”. O delegado não explicou, quando indagado, se o termo “coroa” seria uma referência à idade do “homem” ou se a um apelido.

Ao fazer referência a esse homem, Gisele diz: “um carro pequeno, de cor prata, de quatro portas, dirigido por homem coroa”. “Quem é esse homem coroa, forte estatura média, cabelo curto?”, indaga a reportagem. O delegado não respondeu. Esse homem teria dado apoio ao grupo.

Indagado se tinha a placa da moto Honda Bros, usada pelos executores, o delegado diz não possuir. “Nós vamos ter que mandar para a perícia, para ver se melhora e a gente consegue ver”, diz Herbert Ponte e Silva.

Em seu depoimento, a presa na operação também diz que os dois pistoleiros passaram o dia fora [seria o dia do crime] e só chegaram às 11h30 da noite. Seriam eles “Baixinho e Tiago”. Eles não chegaram mais na moto supostamente usada para a fuga após o crime, segundo as declarações iniciais da jovem à polícia.

Afirma ainda a depoente, que “40 minutos depois que eles chegaram [os dois pistoleiros], a Polícia [Civil] chegou com o proprietário da casa”, na noite da operação.

180: Quem era o proprietário da casa?
Delegado Herbert Ponte e Silva: Era um rapaz lá de Serrota.
180: Mas tem alguma ligação com político?
Delegado Herbert Ponte e Silva: Não, era um cidadão comum.
180: Era o proprietário da casa onde eles [dois] foram presos, não é isso?
Delegado Herbert Ponte e Silva: É. Eles tinham alugado a casa para um ponto comercial, segundo eles. Fabricaram a história. Fizeram tudo direitinho. Só esqueceram um detalhe...
180: Um...
Delegado Herbert Ponte e Silva: Eu estava aqui.

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E QUEM É A OUTRA MULHER QUE SE HOSPEDOU EM FRENTE À RÁDIO?
Na nota encaminhada ao Portal 180graus, a Secretaria de Segurança faz referência a cinco pessoas envolvidas no assassinato: os dois já presos, os dois pistoleiros, que ainda estão soltos, e a um mandante do crime.

Quando com o 180, o delegado disse haver uma mulher a mais (Clique Leia a Matéria), que compunha dois casais que teriam se hospedado em uma pousada em frente à Rádio Liberdade FM, para observarem o movimento.

A informação repassada ao 180 foi feita pelo próprio delegado Herbert Ponte e Silva, quando a reportagem esteve em Camocim.

Ora, se existia mesmo essa mulher, e o delegado não blefou, ela também não deveria compor o rol de acusados, subindo então o número para 6 envolvidos, no mínimo, secretário Delci Carlos Teixeira?

VEJA A NOTA OFICIAL DA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO CEARÁ

"A Polícia Civil do Estado do Ceará informa que, em relação ao homicídio do radialis­ta Gleydson Cardoso, ocorrido no iní­cio da tarde do último dia 06, na cidade de Camocim, a ocorrência é apurada pela Delegacia Regional do município. Com a identificação dos cinco envolvidos no delito, a Polícia Civil elucidou o caso. Dos cinco partícipes, foram presos Gisele de Souza Nascimento (23) e Francisco Antônio Carneiro Por­tela (18), ambos sem antecedentes criminais, que deram apoio ao crime.

Os outros três infratores são os dois autores dos disparos e o mandante da infração. A Polícia segue as apurações no sentido de prendê-los. Durante as diligências, mais de dez pessoas foram ouvidas. Existem suspeitas de que os dois autores do crime estejam envolvidos em outro homicídio, ocorrido em novembro de 2014, na cidade de Marco.

Em relação à participação de policiais militares no caso, a atuação da Polícia Militar se refere ao policiamento ostensivo, de repressão ao crime. Cabe à Polícia Civil a apuração de ocorrências, sendo Polícia Judiciária. Caso a autoridade policial julgue necessário, em determinadas situações, é apropriado apoio dos militares.

Os policiais militares e civis do Ceará são capacitados e tem dado as respostas necessárias aos crimes ocorridos no Estado. Sobre os trabalhos desenvolvidos pela Polícia Federal, de acordo com a Constituição do ano de 1988, a instituição exerce a segurança pública em atividades de Polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras, no combate ao tráfico de drogas, descaminho e contrabando, desenvolvendo com exclusividade as funções de polícia judiciária da união. O caso do homicídio do radialista em Camocim não se enquadra em nenhuma destas circunstâncias citadas".

GOVERNADORA EM EXERCÍCIO É DE CAMOCIM
Última sexta-feira (14), a vice-governadora Izolda Cela (PROS), se tornou a primeira mulher a assumir o governo do Ceará, e ficará como governadora em exercício até 20 de agosto.

Natural de Camocim, Izolda Cela tem uma excelente oportunidade de atuar para que o caso envolvendo o assassinato de Gleydson Carvalho tenha logo seu desfecho.

Já Camilo Santana (PT), ao reassumir o governo, deve vir a público dizer se concorda com a "elucidação" desse crime de repercussão internacional.

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