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Polêmica no dia do PSIU-UFPI · 19/01/2010 - 15h03

REITOR DA UFPI acusado de suposto desvio de R$ 1 milhão

POLÊMICA BEM NO DIA DO ANÚNCIO DO \'PSIU\':Denúncia feita ao MP e ele já respondeu, à altura


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A UFPI (Universidade Federal do Piauí) encontra-se imersa num inacreditável regime de exceção, tudo em face da truculência intimidatória do reitor Luiz Soares Júnior. A acusação parte do professor-doutor Kilpatrick Muller Bernardo Campelo, da área de Letras, que apresentou representação contra a administração da Universidade junto à Procuradoria Geral da República, Polícia Federal e Receita Federal.

Entre outras acusações, Kilpatrick Campelo acusa Luiz Júnior de patrocinar desvios superiores a R$ 1 milhão. O professor prepara representação contra a gestão do reitor. Ele afirma que há funcionamento irregular das comissões de concursos Copeve (Comissão Permanente do Vestibular), Copese e Comissão de Recursos Humanos. “É possível de se perceber o desvio de finalidade dos dois órgãos e o enriquecimento ilícito dos seus membros.”

A denúncia ocorre justamente no dia do anúncio do resultado do PSIU da UFPI (Programa Seriado de Ingresso a Universidade Federal do Piauí). Ele acusa diretamente o reitor. Luiz Júnior seria o responsável direto por toda e qualquer ilegalidade que venha a ser praticada nas comissões porque são diretamente ligadas ao seu gabinete. Neste caso, conforme Kilpatrick Campelo, Luiz Júnior não pode alegar desconhecimento de causa.

Conforme a denúncia, a UFPI e a FADEX - Fundação Cultural de Fomento à Pesquisa, Ensino e Extensão mantêm relação promíscua e atuam no sentido de desviar recursos públicos para garantir pagamento de gratificações ilícitas e consequentemente propiciando o enriquecimento ilícito de servidores comissionados e coordenadores de concursos. “Os valores pagos estão sempre muito acima do teto permitido em lei”, pondera o professor-doutor.

Ele disse que em 2008 os membros da Copeve receberam recursos da ordem de R$ 35 mil cada um, totalizando valores de R$ 330,1 mil. No seu entendimento o valor máximo a ser pago a cada servidor, no presente caso, seria de R$ 4,9 mil. Kilpatrick Campelo ressalta que o prejuízo ao erário é superior a R$ 200,1 mil. Ele acredita que os prejuízos causados à Universidade sejam superiores a R$ 1 milhão.

Enfatizou que o reitor deixou de criar mecanismos de controle interno que poderiam proteger a instituição de situações como esta. Segundo ele, o antigo reitor da Universidade de Brasília foi destituído do cargo por conta de desvios de valores da ordem de R$ 542 mil, sendo que R$ 470 mil foram aplicados na decoração do seu apartamento enquanto que R$ 72 foram gastos na compra de um automóvel de luxo.

Muitos concursos realizados pela UFPI não constariam do site da instituição ou do Diário Oficial da União, o que afeta diretamente os princípios da administração pública, que são legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. “Defendo o afastamento do reitor para que não haja problemas na investigação. Ele age sempre de forma a intimidar, de forma truculenta, para impedir que a sociedade conheça a verdade sobre sua gestão e que os órgãos responsáveis atuem na devida punição dos seus atos irregularidades.”

NEGLIGÊNCIA NA CONVOCAÇÃO DE ALUNOS

Luiz Júnior é acusado ainda de ter negligenciado a convocação de 151 candidatos aprovados no vestibular 2008 da instituição. Muitos conseguiram ser convocados depois por meio de ação judicial, razão pela qual o vestibular passado se encontra na 11ª chamada, o que é absolutamente incomum, de acordo com o denunciante. Não foram convocados pela Copese ou pela Pró-Reitoria de Ensino e Graduação os candidatos mais bem posicionados na lista de classificáveis, tratando-se de descumprimento à regra do edital. O documento estabelece que remanescendo em qualquer dos cursos vagas de cotistas, estas devem ser preenchidas por candidatos não cotistas habilitados.

O exemplo utilizado é do curso de Medicina. A Copese teria convocado os alunos cotistas Hesio José dos Anjos e Evandro Costa, considerados cotistas mais bem posicionados na relação dos classificáveis. Foram prejudicados, entre outros, José Antonio Fortes Braga Filho, Ricardo Reges Lima de Oliveira, Moisés Adaildo Arêa Leão Barjud e Victor Nunes Santos. Os estudantes Victor Nunes Santos, Taffarel Francisco Soares e Maycon Conrado Resende decidiram ingressar na Justiça pedindo o reconhecimento dos seus direitos. Kilpatrick entende que a maioria dos alunos nem sabe que foi prejudicada. O denunciante afirma que está solicitando à Procuradoria Geral da República que os estudantes prejudicados sejam matriculados de imediato e devidamente indenizados.

REITOR LUIZ JÚNIOR REBATE AS ACUSAÇÕES

A reportagem do 180graus entrou em contato com o reitor Luiz Júnior e ele rebateu a altura. Disse que essas acusações partem de gente \"medíocre\" e \"invejosa\", que não sabe reconhecer o seu trabalho pelo crescimento da UFPI hoje. \"Não é a toa que a UFPI é hoje uma das melhores instituições de ensino superior do Brasil\", afirmou. O reitor disse que até o momento não foi informado e nem notificado de qualquer representação que tenha sido impetrada contra a administração da Universidade Federal do Piauí junto à Procuradoria Geral da República, Polícia Federal e Receita Federal. Para ele, o motivo para a denúncia do professor Kilpatrick Muller Bernardo Campelo é um só: a sua demissão.

\"Ele (Kilpatrick Muller Bernardo Campelo) foi demitido por incompetência. Chegou um dia que precisava assinar uma documentação e não aceitou. Eu estava viajando para Fortaleza-CE e liguei para ele para saber o que aconteceu. Mas ele insistu em dizer que não ia assinar. Quer dizer, descumpriu com o que a UFPi estabelece e perdemos a confiança nele. Daí resolvemos demiti-lo. Por isso fica tentando levar a vocês da imprensa esses tipos de denúncias infundadas. Mas já disse: não aceito pessoas que não são de confiança na universidade\", afirmou. Luís Júnior revela uma novidade sobre o professor Kilpatrick Muller Bernardo Campelo. \"Engraçado é que ele, que vem fazendo denúncias contra a UFPI, ficou tentando entrar na equipe da COPEVE a todo custo. No dia 4 de janeiro passado, suspendeu uma manhã inteira de trabalho para fazer escândalo. É um absurdo. porque isso agora? Porque ele denuncia e quer tanto participar? Tem algo muito estranho nisso tudo\". Luiz Júnior evita falar a palavra perseguição à sua gestão an UFPI, mas acredita que existem \"pessoas invejosas que já passaram pela UFPI e o denunciam hoje porque têm inveja do seu bom trabalho na instituição\".

CLIQUE E CONFIRA COBERTURA DA LISTA DE APROVADOS DO PSIU DA UFPI

REPÓRTERES: Toni Rodrigues e Allisson Paixão