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Reportagem do Fantástico · 23/11/2014 - 22h11 | Última atualização em 23/11/2014 - 23h01

PIAUÍ CAP: Lar da Esperança teria de receber R$1,8 milhão

REPORTAGEM DO FANTÁSTICO mostra instituições que deveriam ter recebido o dinheiro


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R$ 1,8 milhão. Esse era o valor que deveria ter sido repassado pelo Instituto Ativa Brasil para o Lar da Esperança, em Teresina. O instituto, que recebia os valores do direito de resgate do Piauí Cap, é alvo de uma investigação da Polícia Federal e foi tema de reportagem especial exibida neste domingo pelo Fantástico. O grupo que mantinha pelo Brasil títulos de capitalização e bingos, além da prática do jogo do bicho e máquinas caça-níqueis, é acusado de contrabando, crime contra o Sistema Financeiro Nacional, jogo de azar e lavagem de dinheiro.

O repórter Mauricio Ferraz veio ao Piauí, e em Teresina visitou o Lar da Esperança. Do Ativa Brasil, a instituição recebeu apenas R$ 72 mil. O dinheiro que não chegou se reflete em problemas de infiltração no teto, portas enferrujadas, instalações sem muita estrutura.

Era para o Instituto Ativa Brasil que o Piauí Cap prometia entregar os 50% do resgaste do título de capitalização, que o apostador se comprometia em doar no ato da compra da cartela. Só que após inúmeras denúncias do Ministério Público, a PF inciou a investigação que descobriu que grande parte do dinheiro recebido pelo Ativa Brasil era repassado para uma empresa de publicidade.

Acontece que esta empresa era da família Paschoal, os mesmos donos da Sulamérica Seguros S. A – Sulacap, organizadora dos títulos de capitalização. Para o MP, nada, até agora, explica tanto gasto com publicidade.

Graça Cordeiro, diretora do Lar da Esperança, consegue hoje dinheiro para manter as 150 pessoas que dependem da instituição com a coleta de material reciclável em lojas de Teresina. Já são 25 anos de trabalho em prol de pacientes portadores do vírus da Aids. Ela comprava inclusive os títulos de capitalização, com a esperança de que sorteada, pudesse ajudar a instituição.

Os títulos de capitalização eram vendidos em nove estados e davam direito a concorrer em sorteio de prêmios, feitos todos os fins de semana. As cartelas, vendidas por R$ 5 cada um, só poderiam ser comercializadas se o direito de resgate fosse cedido a uma instituição de caridade. Neste caso, a Ativa Brasil recebia os valores, mas também participava da fraude.

O dinheiro deveria ser repassado a 26 entidades em nove estados. E até repassava um pouco, para não “chamar atenção”. Porém, a maior parte do dinheiro era desviado.

Dona Graça conta que a ajuda começou há três anos, quando todas as contas de luz atrasadas foram pagas pelo Ativa Brasil. De lá pra cá, R$ 2 mil era repassado por mês, somando uma quantia de R$ 72 mil. Mas o repasse deveria ser bem maior, de pelo menos R$ 1,8 milhão.

Nas contas feitas pela Polícia Federal, com dados sobre a venda de pelo menos 200 milhões de bilhetes em um ano pelo Brasil, o que deveria ter sido repassado para as instituições pode chegar a R$ 500 milhões.

Christiano Rocco Carneiro, além de seus sócios Cláudio da Rocha Paschoal Filho, Hermes Coutinho Paschoal, Gustavo Coutinho Paschoal e Júlio Emílio Cavalcanti Paschoal Neto, foram identificados como operadores do esquema de fraude. Eles montaram um verdadeiro império em Pernambuco.

O advogado dos irmãos Paschoal nega a fraude. “Essas pessoas não se apropriaram desse dinheiro nem deram outra destinação. A destinação foi as entidades que se beneficiaram com a filantropia do grupo ativa”, afirma Ademar Rigueira.

Segundo a polícia, o dinheiro que deveria ser doado para as instituições voltava para os irmãos Paschoal, seguia o seguinte esquema: os títulos eram vendidos e parte da arrecadação repassada para a Ativa Brasil. O instituto pagava uma outra empresa para fazer a propaganda dos sorteios e gastava, com isso, quase todo o dinheiro que recebia. O detalhe é que essa empresa de publicidade também pertence aos irmãos Paschoal.

APÓS OPERAÇÃO, PIAUÍ CAP DIZ QUE REALIZA ATIVIDADE LEGAL
Na manhã seguinte à deflagração da Operação Trevo da Polícia Federal, que culminou em buscas na sede do Piauí Cap em Teresina, a assessoria jurídica do título de capitalização encaminhou à imprensa, nota esclarecendo sobre o funcionamento da loteria no Piauí. O texto da nota inicia afirmando que a Sulamérica Capitalização S/A detém a propriedade do Piauí Cap, como uma das “mais antigas do segmento no país”. Leia mais

PARA O MPF, PIAUÍ CAP NÃO É TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO
A Justiça acolheu o entendimento do MPF de que na prática o Piauí Cap não se trata de um título de capitalização, conforme autorizado pela SUSEP, mas tão somente a venda, pura e simples, do direito de participação em sorteios de prêmios; o que na prática, segundo a Justiça, confira fraude à autorização concedida. Leia mais

MPF JÁ HAVIA PEDIDO CONDENAÇÃO DO PIAUÍ CAP
O procurador da República Kelston Pinheiro Lages já havia ingressado em maio de 2012 com uma ação civil pública com pedido de tutela antecipada contra os donos do Piauí Cap. Na ação o procurador requeria que a Justiça Federal determinasse de imediato, através de liminar, a condenação dos réus, por sentença, a título de dano moral coletivo, ao pagamento do valor de 10 milhões de reais, que seriam revertidos em um fundo. Leia mais

PIAUÍ CAP SUSPENDE OS SORTEIOS APÓS OPERAÇÃO DA PF
O advogado do Piauí Cap, Igor Cavalcante, confirmou o sorteio do título de capitalização está suspenso. Segundo ele, os apostadores que compraram a cartela desta semana podem se dirigir ao prédio do Piauí Cap na Frei Serafim para pegar o dinheiro de volta. A venda está suspensa conforme determina a justiça após a operação Trevo deflagrada pela Polícia Federal. Leia mais

PIAUI CAP MANDA RECOLHER SELOS DAS REGIONAIS EM THE
Os gerentes das regionais mandaram recolher os selos e todo material de comercialização dos títulos de capitalização. Muitos vendedores de cartelas sequer saíram de casa ou montaram seus postos de venda e na tarde de hoje foram à sede do Piauí Cap entregar os selos e pegar o dinheiro. No local, nem se comenta sobre a operação. Sem falar do site do Piauí Cap e da página do Facebook, que foram removidas após a operação. Leia mais

PF DIZ QUE SÓ 1,67% FOI REPASSADO PARA INSTITUIÇÕES
A quadrilha atuava através de loterias estaduais, que deveriam ter 50% dos valores arrecadados destinados á instituições filantrópicas. Entretanto, apenas 1,67% do valor era, de fato, enviado. O restante do dinheiro era encaminhado ao Instituto Ativa Brasil, em Belo Horizonte, que possuía funcionários ligados ao esquema e, dessa forma, o dinheiro retornava à empresa. De acordo com a polícia, nos últimos quatro anos, mais de R$ 400 milhões teriam sido desviados do instituto. Leia mais