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Ainda não pode doar medula · 16/02/2012 - 10h31

Menina que nasceu para salvar irmã só doará células daqui a três meses

Embrião foi escolhido geneticamente para curar doença congênita de irmã mais velha


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A pequena Maria Vitória, que ganhou uma irmã para curá-la de uma doença congênita, ainda terá que esperar, no mínimo, três meses para receber o transplante de células-tronco umbilicais. Maria Clara, que nasceu no último sábado (11), em São Paulo, foi a primeira criança brasileira a passar por seleção genética para servir como doadora.

Maria Vitória nasceu com uma doença chamada "talassemia maior", que afeta as células do sangue. Os glóbulos vermelhos produzidos por ela são muito frágeis e duram muito pouco na corrente sanguínea, o que provoca anemia. Para se manter saudável, a menina de cinco anos recebe transfusões de sangue a cada 20 dias, aproximadamente.

A cura da doença acontece com um transplante de medula óssea – o tutano do osso –, parte do corpo responsável pela produção dos glóbulos vermelhos.

“Você destrói a medula óssea do receptor e coloca as células sadias do doador”, resumiu o médico responsável pela operação, Vanderson Rocha, chefe do setor transplante de medula óssea do Hospital Sírio Libanês.

A recém-nascida Maria Clara foi selecionada geneticamente para ser a doadora dessas células produtoras de sangue. Mas, nesse caso, o transplante não será feito com células da medula óssea, mas com material coletado do cordão umbilical – que está congelado.

Somente caso as células do cordão umbilical não sejam suficientes para a transfusão, será preciso completar com a medula óssea da doadora. É por isso que o transplante não pode ser feito agora: Maria Clara ainda é pequena demais para doar medula óssea.

De toda forma, Rocha prefere mesmo usar as células umbilicais no transplante. “As células do cordão umbilical dão menos reação do enxerto contra o hospedeiro. Nessa doença, as células do doador atacam as células do paciente”, explicou o médico.

Nos transplantes em crianças, o problema acontece entre 20% e 30% das vezes em que as células doadas são da medula óssea. Com o material do cordão umbilical, o número cai para menos de 10%. Os números são de pesquisas conduzidas pelo próprio médico na França, país pioneiro nesse ramo.

Seleção genética

Maria Clara é a doadora perfeita para Maria Vitória porque não tem a doença e é compatível com a irmã. Como a talassemia é genética – e os médicos conhecem o gene responsável por ela –, foi possível saber com antecedência que a caçula era saudável.

Para fazer a seleção, os pais Eduardo e Jênyce Cunha procuraram a Fertility, uma clínica de reprodução assistida. Como em qualquer inseminação artificial, os médicos pegaram espermatozóides do pai e óvulos da mãe para a fecundação.

Dos 13 embriões formados, dez foram para a análise genética. Desses, oito apresentavam os genes da talassemia e dariam origem a crianças doentes. Os dois embriões saudáveis foram colocados no útero da mãe. Um não funcionou e o outro gerou a gravidez de Maria Clara.

Edson Borges, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, foi o médico responsável pela seleção. Ele contou que Maria Clara foi a primeira a ser selecionada com um transplante em vista, mas que o processo já é feito para evitar a transmissão de doenças genéticas.

“Há entre 80 e 100 doenças que a gente consegue selecionar”, afirmou o médico. Segundo ele, a seleção não é praxe na reprodução assistida e só se justifica se há histórico familiar de doenças genéticas – que possam ser identificadas pelos exames disponíveis.


Fonte: Com Informações Do G1