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Métodos da Lava Jato em Xeque · 02/11/2021 - 13h59 | Última atualização em 02/11/2021 - 14h37

Livro revela conivência da mídia com autoridades no caso que levou reitor da UFSC ao suicídio

"Envolvido em acusações, humilhado publicamente com uma prisão espetaculosa e afastado da universidade, não resistiu", traz resenha


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

_Imagem: Reprodução
_Imagem: Reprodução 

MÉTODOS DA LAVA JATO EM XEQUE E IMPRENSA ACRÍTICA

Livro de autoria do jornalista Paulo Markun, que trata sobre a Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que acabou por utilizar métodos da Operação Lava Jato, e teve como uma das consequências o suicídio de então reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, acaba por evidenciar não só eventuais abusos na operação, força desproporcional, mas também a conivência acrítica da imprensa com as autoridades tidas por heróis de outrora. 

“Recurso Final - A investigação da Polícia Federal que levou ao suicídio de um reitor em Santa Catarina” traz “os meandros dessa operação”, oriundos do mergulho “em mais de vinte mil páginas de documentos oficiais, além do vasto noticiário sobre o episódio”, entrevistas “com parentes, amigos, autoridades, professores, servidores e estudantes da UFSC”.

“No início da manhã do dia 2 de outubro de 2017, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina subiu ao sétimo andar do Shopping Beiramar, em Florianópolis, e saltou no vão livre. Luiz Carlos Cancellier de Olivo – o Cau – havia assumido o posto de reitor pouco mais de um ano antes e foi um dos investigados na Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, num suposto desvio de verbas universitárias focado no sistema de ensino à distância. Envolvido em acusações anteriores ao seu mandato, humilhado publicamente com uma prisão espetaculosa e afastado da universidade por decisão judicial, Cau não resistiu”, traz a resenha do livro. 

Em matéria sobre o livro jornalístico, assinada por Rodrigo Haidar, o site Conjur afirma que “o ato extremo colocou em xeque um método de investigação que havia se tornado praxe no Brasil: prende-se e humilha-se primeiro; ouve-se, depois. Sob aplausos acríticos da maior parte da imprensa brasileira, era esse o modus operandi da comemorada "lava jato", replicado na investigação sobre supostos desvios de dinheiro público na UFSC”.

O que se sabe hoje, no entanto, é bem diferente do jogado à mídia pela Polícia Federal. 

RÉUS

Em novembro de 2020, a juíza da 1ª Vara Criminal Federal de Florianópolis, Janaína Cassol Machado, descartou o crime de lavagem de dinheiro, mas aceitou denúncia contra treze denunciados por peculato e concussão. A Polícia Federal havia indiciado 23 pessoas.

Entre os 13 réus constava o nome de Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier, filho do então reitor que veio a cometer suicídio. 

A UFSC chegou a externar nota em apoio aos envolvidos neste caso que divide opiniões. 

"Queremos externar nosso total apoio e solidariedade aos servidores que já sofreram abuso de autoridade e aguardam há 1.158 dias a oportunidade de se defenderem juridicamente. Todos são inocentes até prova em contrário, e esperamos que nossos colegas sejam tratados com base nesse princípio constitucional e na Lei Cancellier, a Lei nº 13.869/2019, que coíbe o abuso de autoridade”, diz nota da instituição.

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