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História de superação · 29/11/2013 - 00h15

Ex-mendigo brasileiro vira empreendedor de sucesso nos Estados Unidos

Depois de comer grama com catchup e mostarda, Roberto Vascon tornou-se conhecido designer de bolsas


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A infância sofrida. As noites frias num banco do Central Park. O sonho que transformou sua vida. O sucesso, a fama e o dinheiro. A troca do luxo pela cultura. O recomeço em Nova York. A vida hoje em Belo Horizonte. Essas e muitas outras passagens são contadas em detalhes na biografia do designer de bolsas Roberto Vascon, recém-lançada sob o título “Nas Asas de um Sonho - Uma história que muda vidas e motiva pessoas”, pela Editora Novo Século.

A INFÂNCIA SOFRIDA
Eli Roberto Vasconcelos Matos nasceu em 1961 na pequena Raposos, cidade que fica a 35 km da capital mineira, Belo Horizonte. Filho de garrafeiro alcoólatra e de mãe lavadeira, aprendeu desde cedo a se virar. Comprava e revendia de tudo, ferro-velho, colorau, garrafas. Buscava pão e leite para os vizinhos em troca de algumas gorjetas. Na ânsia de brilhar, criou um espetáculo de circo dentro de casa, ao lado da irmã, Regina, e cobrava ingressos dos amigos. Narra com emoção a alegria de calçar um tênis pela primeira vez.

Com o pai, senhor Edson, o menino Eli, aprendeu as artimanhas da negociação, tornando-se um exímio vendedor. Com a mãe, dona Terezinha, aprendeu o valor da honestidade e do caráter. Certa vez recebeu dinheiro dela para comprar seis laranjas. Fez as contas e notou que sua família era composta por sete pessoas, os pais e os cinco filhos. Sem hesitar, pegou uma laranja sem que o dono da venda percebesse. Ao descobrir a mentira, a mãe deu-lhe um soco na boca que o fez cuspir um a um, oito dentes. Desde então, sempre que se sente tentado a fazer algo errado, lembra-se dos dentes perdidos.

Após a morte do pai, aos 12 anos de idade, a família mudou-se para Belo Horizonte. Na cidade grande, Eli tornou-se Roberto. Num banco da praça do Parque Municipal de Belo Horizonte, foi convidado para integrar o Corpo de Baile da Escola de Balé da Fundação Palácio das Artes. Tornou-se bailarino. Mais tarde foi convocado para servir o Exército, onde também aprendeu muito. Relata com louvor sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, onde dormiu na praia e mais tarde tornou-se guardador de carros. “Era a cidade das dificuldades, mas também das oportunidades”.

O SONHO QUE TRANSFORMOU SUA VIDA
Não satisfeito, o jovem juntou dinheiro para alçar um voo mais alto. Comprou uma passagem para Nova York. Dormiu por quatro meses num banco do Central Park. Catou latinhas para sobreviver. Comeu grama com ketchup e mostarda que pegava no McDonald´s para não morrer de fome. Cansado de tanta luta e sofrimento, entrou em profunda oração e pediu a Deus que sua vida fosse transformada ou que ele simplesmente o tirasse dela.

Adormeceu e sonhou com pássaros voando e se transformando em bolsas com asas. Interpretou o sonho e com os noventa dólares que tinha no bolso depois de ter trabalhado por três dias numa delicatéssen, comprou couro, agulha e linhas para costurar doze bolsas. Coincidência ou não, sua primeira cliente foi Nancy Harris, editora de moda do The New York Times. Nancy a levou ao jornal e logo foi veiculada a primeira de muitas reportagens que revelariam a história do brasileiro. Ali transformava-se em Roberto Vascon, “o mágico do couro”.

Logo veio a fama, o sucesso e o dinheiro. O então morador de rua, era agora um dos mais desejados designers de bolsas da América. Chegou a ter sete lojas, noventa funcionários, faturou milhões. Fez bolsas para Madonna, Oprah Winfrey, Beyoncé, Aretha Franklin e tantas outras celebridades. Conviveu com o luxo. Mas, não demorou muito e deu um novo voo. Decidiu trocar tudo por cultura. Para ele “a verdadeira riqueza não é o dinheiro no banco, mas o que ele propicia em termos de realizações e cultura”.

A TROCA DO LUXO PELA CULTURA
Vendeu tudo o que tinha e passou cinco anos viajando. Percorreu os cinco continentes no que chamou de “universidade da vida”, já que só teve a oportunidade de estudar até a quarta série do ensino fundamental. Por onde passou, “dedicou-se a abrigar pessoas, doou casas e próteses mecânicas, pagou cursos, colégios e universidades. Encheu geladeiras, despensas e guarda-roupas”. Gastou tudo o que tinha. Mas diz que trouxe muito mais do que deixou em cada lugar que passou. “Assim como antes, trouxera pouca bagagem de mão. A maior e mais rica estava no coração e na mente”.

Com os bolsos vazios, decidiu recomeçar. Juntou dinheiro e mais uma vez comprou uma passagem só de ida para Nova York. Dormiu no mesmo banco do Central Park. Procurou Nancy e a mídia novamente o aclamou. Agora, o “mago das bolsas” estava cheio de bagagens sobre suas andanças pelo mundo. Abriu uma nova loja em Nova York. Reconquistou amigos e dinheiro.

Em 2009 a crise abateu profundamente o país. Decidiu fechar as portas e voltar ao Brasil. Hoje, em Belo Horizonte, tem uma fábrica e uma loja de bolsas. Diz que “fabricar bolsas não significa trabalhar, significa viver”. É livre demais para planejar o futuro. Diz que com o seu talento, sua fé e sua vontade, podem lhe tirar tudo que ele recomeça e conquista o que quer e precisa. Fala apenas sobre o sonho não realizado de ser ator. Na intimidade, revela ainda o desejo de assinar uma coleção para uma grande grife. Ver suas bolsas e livros expostos numa vitrine é mais um voo que pretende decolar. Entretanto, o futuro a Deus pertence. E nele Vascon confia.

A biografia, escrita pelo jornalista Elias Awad, emociona e contagia o leitor. Ao longo das quase trezentas páginas, este homem com alma de artista compartilha sua história. Suas vitórias e derrotas. Suas alegrias e tristezas. Suas aventuras e desventuras. Revela-se como um ser humano encantador e criativo, cuja criatividade maior não está na mera arte de produzir bolsas, mas em se reinventar e viver.


Fonte: Com informações da Assessoria