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Falso avião caiu no PI · 03/09/2014 - 20h17 | Última atualização em 03/09/2014 - 21h32

EMPRESA confirma clonagem de avião e pede investigação

AERONAVE DE PREFIXO PT-DRO que caiu no Piauí é 'falsa' e cercada por vários mistérios


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O advogado da Marnanglo Empreendimentos e Participações S/C Ltda , Eduardo Diamantino, comunicou à imprensa que o avião bimotor de prefixo PT-DRO foi de fato clonado. Em nota, a empresa conta que foi surpreendida pela notícia da queda do avião, já que a aeronave de sua propriedade permanece estacionada e intacta no aeroporto do município de Jundiaí, em São Paulo.

A informação já havia sido confirmada pela aeronáutica no Piauí e o próprio 180 encontrou na web imagens do verdadeiro PT-DRO, que possui, como confirma a empresa, fuselagem pintada de marrom e bege, diferente do avião que caiu no Piauí, que é pintado com listras azuis.

O Rockwell Twin Commander 500-S que caiu no Piauí é de modelo semelhante ao verdadeiro PT-DRO, com algumas modificações, inclusive em seu interior, onde foram retirados os bancos dos passageiros. O grande mistério que persiste é a quem pertence o avião que caiu, e ainda mais, quem estava na aeronave no momento do acidente e o que tinha nas “malas” carregadas por eles.

A tripulação do avião sumiu, e populares relatam que homens com maletas desceram rapidamente do avião e seguiram para uma picape. A polícia agora tem duas suspeitas principais: envolvimento com crime eleitoral ou tráfico de drogas.

VEJA NOTA DA EMPRESA
Nota de esclarecimento

Com relação às notícias envolvendo o pouso forçado de um avião bimotor prefixo PT-DRO no município de Piracuruca, no Piauí, ocorrido dia 2/9/2014, a Marnanglo Empreendimentos e Participações S/C Ltda. vem a público esclarecer o seguinte:

Para nossa surpresa, fomos informados de que o avião acidentado dia 2/9/2014 tem o mesmo prefixo — PT-DRO — que a aeronave Twin Comander modelo 500-S, número de série 3102, pertencente à Marnanglo. Todavia, nossa aeronave se encontra intacta, no aeroporto do município de Jundiaí (SP).

Cabe, agora, esperar das autoridades ligadas à aviação civil brasileira e das autoridades policiais que investigam o acidente ocorrido em Piracuruca, o esclarecimento do que possibilitou a clonagem do nosso avião que, embora seja do mesmo modelo daquele que se acidentou, tem a fuselagem pintada de branco e bege, sendo, portanto, diferente do aparelho acidentado.

São Paulo, 03 de setembro de 2014.

Marnanglo Empreendimentos e Participações S/C Ltda
PP/ Eduardo Diamantino, advogado

SOBRE A QUEDA DO AVIÃO CLONADO
Nesta quarta-feira (03/09), uma equipe do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) fez uma vistoria no avião, que no momento da queda tinham dois ocupantes. Por volta de 15h30, quando o avião pousou na pista, os ocupantes desceram e se aproximaram de uma caminhonete F-250, que estava carregada com galões de combustível. Todo material foi colocado na aeronave.

Ao tentar novamente levantar voo, a aeronave apresentou falhas, obrigando os tripulantes a tentar retornar ao solo, momento em que o avião bateu em uma árvore e acabou caindo, perdendo parte da asa e um dos trens de pouso. Imediatamente os ocupantes, segundo testemunhas, desceram rapidamente com maletas na mão, que foram colocadas na carroceria da caminhonete, e todos seguiram em rumo desconhecido.

Ao portal Piracuruca Ao Vivo, um senhor de nome Lucas, informou que um dos homens que estava na caminhonete era deficiente, e possuía apenas uma das pernas. Os cabelos já eram brancos e ele andava com o auxilio de uma muleta. Diz ainda que o piloto da aeronave já havia pousado em outras aeronaves na mesma pista, trazendo pessoas de Teresina.

Um dos ocupantes da aeronave chegou a dizer aos moradores do local que iriam procurar a delegacia para fazer um Boletim de Ocorrência, que até a manhã desta quarta-feira (03), nenhum procedimento foi registrado sobre o caso. Chegou à polícia ainda a informação de que no dia 1º de setembro, quatro pessoas estiveram na pista realizando medições no campo de pouso.

Na averiguação realizada pela Polícia Rodoviária Federal - quem primeiro chegou ao local - foram apreendidos 8 galões de combustível e o mais grave várias pontas de cigarro, formando uma combinação perigosa. Além das apreensões, verificou-se ainda que o interior da aeronave estava totalmente alterada, sem os bancos para passageiros.

PT-DRO ‘ORIGINAL’ É DE EMPRESA INVESTIGADA PELA PF
A reportagem do 180 fez a pesquisa na Agência de Aviação Civil e descobriu quem é o proprietário do avião. Ele está registrado no nome da empresa MARNANGLO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, sediada no município de Vassouras, no Rio de Janeiro. Só a Polícia e a Aeronáutica vão explicar o que esse avião foi fazer em Piracuruca e se estava a serviço de sua proprietária.

A empresa Marnanglo Empreendimentos já foi alvo de uma investigação da Polícia Federal na Operação Persona, deflagrada em 2007 e que acabou na condenação do auditor fiscal aposentado da Receita Federal, Ernani Bertino Maciel. A Marnanglo Empreendimentos seria uma das “empresas laranjas” do auditor. Segundo a Polícia Federal, o auditor comandou um esquema de sonegação fiscal que beneficiava a empresa americana de importação Cisco Systems e que teria gerado um prejuízo de R$ 3,3 bilhões aos cofres públicos.

A sentença da 1ª Vara Federal de São Paulo condenou Ernani Bertino ao pagamento de multa equivalente a três vezes ao seu acréscimo patrimonial, a perda da aposentadoria e à proibição de exercer cargos públicos por dez anos. A empresa dona do avião que fez o pouso forçado em Piracuruca era controlada por outra empresa de Ernani Bertino, a Olinda Participações, que era dono de um hotel luxuoso em Barra do Piraí (RJ), o Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer.

COMBUSTÍVEL COMPRADO EM TERESINA
O combustível Avgas que foi apreendido dentro do avião teria sido comprado em Teresina. Pelo menos é o que informa uma fonte ao 180, que preferiu não se identificar. “Eu estive lá quando eles estavam comprando”, diz uma pessoa que conhece o motorista da caminhoneta e que também estava comprando combustível de avião, mas que não quis informar sua identidade.

Segundo esta testemunha, eram sete galões de 50 litros, e um oitavo com capacidade menor que seriam levados dentro do avião. A aeronave permite carregar até uma tonelada. A pessoa presente no momento da compra do combustível disse ainda que a F-250 cinza possuía uma “carroceria de madeira” e que a carroceria estava “coberta com uma lona azul”.

Apenas em dois lugares de Teresina se pode adquirir o combustível Avgas. Um é no aeroporto de Teresina e o outro lugar é no aeroporto de Fátima, localizado na região da Cacimba Velha. O aeroporto de Fátima é de propriedade privada. A fonte que repassou a informação não quis dizer onde foi realizada a compra para não “se comprometer”. O valor do litro é R$ 6,80.

“PAPELOTES” DE “PÓ BRANCO”
Já segundo outras testemunhas que conversaram com policiais da Força Tática presentes no local, dentro da aeronave foram encontrados dois “papelotes” com “filetes” de um “pó branco”.