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Caso Arimateia Azevedo · 14/04/2021 - 17h09 | Última atualização em 14/04/2021 - 17h40

Delegado de Polícia do DF determinou envio de denúncia de "vítima" de médico à Polícia do Piauí

Despacho com denúncia de suposto erro médico - estopim para prisão de Arimateia Azevedo, data de outubro de 2019. Não se sabe as providências tomadas


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

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Veja documentos abaixo
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_Jornalista Arimateia Azevedo e o médico Alexandre (Imagem: Montagem/Divulgação)
_Jornalista Arimateia Azevedo e o médico Alexandre Andrade Souza (Imagem: Montagem/Divulgação) 

INVESTIGAÇÃO SELETIVA?

Apesar de autoridades que atuaram contra o jornalista Arimateia Azevedo no caso de suposta extorsão qualificada terem feito nos autos do processo apaixonada defesa explícita do médico Alexandre Andrade Souza, o apontando como “vítima”, sustentando nada existir contra ele que desabonasse a sua conduta ou profissão, há documento comprovando a determinação de remessa à Polícia do Piauí de ocorrência policial registrada pela suposta vítima do médico, de nome Emanuela Dourado Ferreira Ferraz, para que as medidas necessárias fossem tomadas. Até o momento, no entanto, não se sabe se a "diligente" polícia do Piauí deu continuidade às investigações com as informações inicialmente colhidas pela polícia da capital federal.

Emanuela Ferraz apresentou problemas de saúde no pós-operatório e Alexandre Andrade Souza é apontado como o responsável pela implantação de uma prótese de silicone no seio da denunciante. Ela procurou a polícia. E o seu marido, Ney Ferraz, a imprensa - o Portal AZ, justificando que não queria que outras mulheres passassem pelo mesmo.

DESPACHO PARA REMESSA

O documento oriundo da Quinta Delegacia de Polícia do Distrito Federal  traz despacho do delegado chefe Gleyson Gomes Mascarenhas datado de 25 de outubro de 2019,  às 16:03, determinando remessa do fato narrado pela vítima à Polícia Civil do Piauí. 

Pouco menos de 8 meses depois a Polícia do Piauí fez uma prisão, mas a do jornalista que noticiou os fatos, em operação do Greco, que contou com massiva cobertura (sem questionamentos) de setores da 'imprensa' local que atuam contra o jornalista.

_Imagem: Reprodução / Modificações em Vermelho: Realce e preservação das funcionais.
_Imagem: Reprodução / Modificações em Vermelho: Realce e preservação das funcionais. 

O despacho em questão (acima), assinado pelo delegado chefe da Quinta Delegacia de Polícia do Distrito Federal encaminhava informações sobre a ocorrência e detalhes da apuração inicial. Ainda: “documentos relacionados ao fato narrado”, informação de que “a mídia com informações do fato foi apreendida”, informações de que “o corpo estranho encontrado no interior do corpo da vítima não foi apreendido” por falta de condições de armazenamento adequado, além de informações de que a vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal.

O registro da ocorrência policial traz o seguinte trecho: “Compareceu a esta delegacia de polícia a comunicante/vítima EMANUELA DOURADO REBÊLO FERRAZ para denunciar um caso de erro médico, segundo a declarante o médico que a operou esqueceu uma compressa cirúrgica no interior da sua mama direita. Segundo EMANUELA DOURADO REBÊLO FERRAZ, na data do dia, 05/04/2019, realizou uma cirurgia plástica na região abdominal e colocação de prótese mamaria, no HOSPITAL UNIMED - TERESINA/PI, com o médico cirurgião ALEXANDRE ANDRADE SOUZA, CRM 3385/PI. Poucos meses depois teve uma complicação em sua mama esquerda (silicone subiu), retornando ao Centro Cirúrgico, para correção, com o mesmo médico, Dr. ALEXANDRE ANDRADE, no HOSPITAL DE TERAPIA INTENSIVA- HTI, sendo os custos cirúrgicos custeados pelo plano de saúde GEAP, o médico apenas subsidiou o silicone”.  

"ESTRANHO MUNDO ESTRANHO"

_Advogado Palha Dias (Foto: Divulgação)
_Advogado Palha Dias (Foto: Divulgação) 

Na peça de resposta à acusação, assinada pelo advogado Palha Dias, ele diz estranhar ("estranho mundo estranho") que a investigação policial não tenha avançado um milímetro em sentido oposto. 

"Como dito, estranho mundo estranho em que a investigação [policial] não avança um milímetro na linha do fato criminoso efetivamente objeto da notícia crime, em que se dá a confissão de lesão corporal grave, de mutilação, com risco de morte, dano reparável somente com outra cirurgia, que importou em novo risco de morte, sendo a própria robusta autoincriminação o vetor da investigação ou do inquérito que não foi levado a efeito. Por que seria? Isto é uma indagação sem resposta, ou outras novas sombras lançadas ao caso sob foco”, sustenta o advogado.

Veja a íntegra das informações colhidas pela Polícia do DF ao ouvir Emanuela Ferraz:

_Imagem: Reprodução / Destaque em vermelho: Realce
_Imagem: Reprodução / Destaque em vermelho: Realce 

 

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