Geral

Segundo Inquérito Questionado · 11/10/2021 - 22h03 | Última atualização em 11/10/2021 - 22h06

ABRAJI diz que prova considerada para prisão de Arimatéia Azevedo é um print de tela de WhatsApp

"Não há nada que relacione o jornalista à suposta tentativa de extorsão praticada por Rony Samuel em 2021", sustenta associação nacional


Compartilhar Tweet 1



 

Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

_Jornalista Arimatéia Azevedo (Foto: Divulgação)
_Jornalista Arimatéia Azevedo (Foto: Divulgação) 

MAIS UM INQUÉRITO QUESTIONADO

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) emitiu nota sobre a prisão do jornalista Arimatéia Azevedo, a pedido da Polícia Civil do Piauí. 

E reforçou: 

"A prova considerada para a prisão de Arimatéia foi um print de tela de uma conversa de Whatsapp entre o advogado Rony Samuel de Negreiros Nunes e Lamarque Lavor Santana de Almeida Rocha, representante da Saúde e Vida na região de São Raimundo Nonato".

"Não há nada que relacione o jornalista à suposta tentativa de extorsão praticada por Rony Samuel em 2021", complementa.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA:____________________

Jornalista do Piauí é preso acusado de suposta tentativa de extorsão

O jornalista Arimatéia Azevedo, dono do Portal AZ, teve a prisão preventiva decretada no dia 07.out.21 e encontra-se detido na Penitenciária Irmão Guido, em Teresina (PI). Ele foi preso acusado de suposta extorsão contra Thiago Gomes Duarte, cuja empresa, a distribuidora de medicamentos Saúde e Vida, é investigada pela Polícia Federal por possíveis fraudes em licitações no estado. 

A prova considerada para a prisão de Arimatéia foi um print de tela de uma conversa de Whatsapp entre o advogado Rony Samuel de Negreiros Nunes e Lamarque Lavor Santana de Almeida Rocha, representante da Saúde e Vida na região de São Raimundo Nonato. Na conversa, Rony manda a Lamarque um print de tela da nota publicada por Arimatéia sobre a Saúde e Vida em 29.mai.2021 e escreve: "Se ele não terminar de pagar o rafael [sic] vai ser uma nota por dia até sexta feira. Pelo menos atenção da polícia eu tenho certeza que chama."

No inquérito aberto pela Polícia Civil, há vários prints de tela de conversas de Whatsapp extraídas do celular de Arimatéia que provam a relação entre ele e Rony Samuel como jornalista e fonte. Não há nada que relacione o jornalista à suposta tentativa de extorsão praticada por Rony Samuel em 2021. Porém, há uma conversa entre os dois, de 21.mai.2019, em que Arimatéia menciona o pagamento de R$ 150 mil para uma pessoa chamada André da parte de Edson Ferreira. "Procura saber se vai dar pra nós", escreveu o jornalista. O inquérito não avança sobre quem seriam essas pessoas, muito menos se o fato tem relação com o caso deste ano. "Não foi possível identificar o motivo do citado pagamento ou qualificar as pessoas de Edson Ferreira e André, sendo necessárias outras diligências", diz o inquérito.

Segundo a filha de Arimatéia, Maria Tereza Azevedo, Rony Samuel de Negreiros Nunes está em casa. "Contra Rony havia um pedido de prisão temporária. Ele é de São Raimundo Nonato e estava a caminho de Teresina. A Polícia Rodoviária Federal o prendeu na cidade de Floriano. E, do próprio posto da PRF, via videoconferência, ele respondeu a três perguntas do delegado e foi liberado", disse.

A defesa de Arimatéia considera a prisão "um absurdo jurídico" e entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado do Piauí. Para o advogado Paulo Germano, o jornalista ignorava a troca de mensagens entre Rony Samuel e o representante da Saúde e Vida. "Não há dúvidas de que ele foi uma vítima nesse processo. Esse advogado passava informações ao jornalista, como qualquer fonte faz. O Azevedo não tinha conhecimento de que ele estava, caso se comprove, fazendo esse tipo de extorsão contra o empresário", disse, acrescentando que a prisão de Arimatéia foi decretada sem que o jornalista fosse ouvido durante as investigações.

Em reportagem publicada no dia da prisão, o Portal AZ disse que o advogado Rony Samuel é quem deve esclarecer se, ao passar a nota sobre a Saúde e Vida a Arimatéia, teria agido "com o propósito de obter alguma vantagem, o que, se assim tiver acontecido, em nenhum momento terá sido a pedido, interesse ou motivação partida do jornalista Arimatéia Azevedo". E conclui que "a matéria em si não pode ser o móvel do crime, porque, se assim for, mais parece uma censura prévia à imprensa que denuncia ou questiona, o que passa bem longe de tentativas de práticas de ações não republicanas". 

Não é a primeira vez que o jornalista é preso. No dia 23.jul.2020 ele se apresentou ao Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), depois de mandado de prisão preventiva emitido pela 8ª Vara Criminal de Teresina. Azevedo, que foi encaminhado a um presídio, era investigado por extorsão, depois de noticiar uma falha médica do cirurgião plástico Alexandre Andrade. Na noite de sexta-feira, 24.jul.2020, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu prisão domiciliar ao jornalista.

Em 24.nov.2020, o STJ concedeu-lhe novamente um habeas corpus após o jornalista ter tido a prisão preventiva decretada devido ao mesmo caso de extorsão. 

Comentários