Aumento no risco de câncer · 07/08/2017 - 09h08 | Última atualização em 07/08/2017 - 09h10

Risco de desenvolver melanoma aumenta 35 vezes em sete décadas

Risco de desenvolver melanoma aumenta 35 vezes em sete décadas


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Em 1935, o risco de um indivíduo desenvolver melanoma durante sua vida era de 1 para 1.500; em 2010, esse risco já era para 1 em 48

Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS) responsável por pesquisas relacionadas ao câncer em todo o mundo, os casos de câncer devem crescer cerca de 50% nas próximas duas décadas, alcançando 22 milhões de pessoas diagnosticadas em 2030 – em comparação com os 14 milhões de 2012. Essa estimativa reforça que o câncer é uma questão de saúde pública, com impacto social e econômico.

Esta previsão se aplicar a todos os cânceres, porém, alguns tipos merecem destaque, dentre estes o melanoma, que embora menos comum, seja o mais agressivo entre os cânceres de pele e tem apresentado uma incidência crescente. No mundo, cerca de 200 mil casos de melanoma são diagnosticados por ano e 55 mil pessoas vão a óbito, o equivalente a 6 mortes por hora, segundo a OMS.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Brasil, são diagnosticados anualmente 5.560 novos casos da doença, com aproximadamente quinze óbitos por dia (1.547 óbitos/ano).

Rodrigo Munhoz, médico oncologista especialista em melanoma do Hospital Sírio Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), afirma que ainda não é possível atribuir esse aumento de casos a um fator específico, embora estudos mostrem que 65% dos casos estejam relacionados a exposição solar excessiva.

Queimaduras solares graves na adolescência aumentam em 80% riscos de desenvolver melanoma
Um estudo publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention (CEBP) revelou que, em uma população de mais 108 mil mulheres brancas analisadas (nos EUA), aquelas que sofreram pelo menos cinco incidentes de queimaduras solares graves entre 15 e 20 anos apresentaram risco 68% maior de desenvolver carcinoma basocelular ou espinocelular e 80% maior de desenvolver melanoma6. Dentre as participantes do estudo, cerca de 24% tiveram episódios de queimadura solar com bolhas dolorosas no início da vida, sendo que 10% relataram já ter passado por esses episódios mais de cinco vezes. Do total de participantes, foram diagnosticados 6.955 casos de carcinoma basocelular, 880 de carcinoma espinocelular e 779 de melanoma.

Para os especialistas, esses dados sugerem que o risco de desenvolver melanoma pode estar diretamente relacionado à exposição solar excessiva na juventude, quando a atenção com a saúde da pele costuma ser menor. Estes fatos demonstram a necessidade de que a preocupação com a saúde da pele comece ainda na tenra idade, quando os pais são os responsáveis.

Alterações genéticas também estão envolvidas em mais de 50% dos casos de melanoma, como uma mutação identificada como mutação V600, ocorrida no gene BRAF, levando a uma maior proliferação celular, o que torna fundamental ao paciente que receba um diagnóstico de câncer tipo melanoma, a realização de teste genético para verificar a existência de alguma mutação, o que permitirá ao médico prescrever o tratamento adequado ao paciente


Fonte: Com informações de Caroline Ferreira, da Edelmansignifica