Droga antiga, novas indicações · 12/05/2017 - 06h41 | Última atualização em 12/05/2017 - 10h39

Metformina apresenta fortes evidências que poderá vir a ser utilizada no tratamento do Alzheimer

Metformina apresenta fortes evidências que poderá vir a ser utilizada no tratamento do Alzheimer


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Sempre temos mostrado novas descobertas que têm levado a novos usos de antigos medicamentos. Em meados de agosto do ano passado, publicamos que a metformina, droga conhecida e utilizada há mais de 60 anos em vários países do mundo, inclusive no Brasil, poderia ser uma alternativa para o tratamento do Alzheimer.

Pesquisas recentes tem demonstrado que a droga poderá se sair melhor que o esperado nos testes e, além do Alzheimer, pode ser benéfica também no tratamento da doença de Parkinson e outros tipos de demência e comprometimento cognitivo.

Há muito tempo que o o diabetes é considerado um fator para o surgimento de doenças neurodegenerativas. Porém, o uso de metformina está associado a uma redução radical na incidência dessas patologias.

Cientista da Universidade de Tulane que acompanharam 6 mil veteranos diabéticos, demostraram que, quanto mais tempo um paciente utilizava metformina, menores eram as possibilidades de desenvolver as doenças degenerativas. Pacientes que utilizavam a droga por mais de quatro anos apresentavam um quarto da incidência da doença em comparação com pacientes que só faziam uso de insulina ou a insulina associada a alguma outra medicação, trazendo o nível de risco de diabetes para um nível correspondente àquele da população geral.

A esperança de pesquisadores é que a metformina possa ajudar a corrigir os problemas ligados à insulina no cérebro em processo de envelhecimento. Pesquisas em animais mostram que o efeito da droga nas células-tronco neurais pode ser a chave para novas descobertas nessa área.
Estudos conduzidos no Hospital de Toronto para Crianças, tem demonstrado que quando se administra metformina a ratos não diabéticos, sua memória melhora devido a um aumento na população de células-tronco neurais e maior número delas que se desenvolvem de forma saudável no hipocampo, o centro da memória no cérebro.

Estudos clínicos humanos também acenam com promessas no tratamento de Alzheimer na fase inicial da patologia. O neurologista Steven E. Arnold, do Hospital Geral Massachusetts, demonstrou recentemente que pacientes diagnosticados com a doença apresentavam melhoras pequenas, mas significativas - na capacidade mnêmica e no funcionamento cognitivo - após ingerir metformina por oito semanas, em comparação àqueles que tomavam placebo. O imageamento do cérebro revelou também algumas melhoras no metabolismo neural. Os efeitos modestos são a norma quando se trata de Alzheimer: mesmo as drogas já aprovadas e utilizadas apresentam somente uma pequena eficácia e por um período limitado.

O pesquisador pretende conduzir um estudo maior que possa avaliar melhor a eficácia da metformina, um medicamento simples, comum e barato que pode afetar um aspecto importante do comprometimento cognitivo em adultos idosos, e há uma razão científica convincente para examiná-la, porém os financiamentos têm sido um problema. É que, como a medicação é genérica, as indústrias farmacêuticas têm pouca motivação em termos de lucro para testá-la. Se a industria ou algum órgão governamental tivesse interesse na pesquisa, um estudo definitivo poderia ser concluído em dois anos.

Se aprovada para uso em humanos com doenças degenerativas, o medicamento apresenta ainda outra grande vantagem: é que a mesma já é utilizada por milhões de pacientes, é considerada bastante segura e apresenta poucos efeitos colaterais além do desconforto gastrointestinal que provoca em parte dos usuários. Outra vantagem é que seu custo é acessível. A novidade agora é que, segundo novos estudos, há indícios de que a metformina possa ajudar a proteger o cérebro de desenvolver doenças do envelhecimento, mesmo em não diabéticos.

Lembro aos leitores que pesquisas ainda necessitam ser realizadas e qualquer medicamento somente deve ser utilizado com prescrição médica ou orientação de um farmacêutico (para os isentos de prescrição)!

Vamos aguardar quem financie os estudos!!!


Fonte: Com informações da Revista Mente e Cérebro