Mundial de Formula 1 · 03/04/2016 - 10h59

Sem unanimidade, decisão sobre novo modelo de classificação é adiada

Sem unanimidade, decisão sobre novo modelo de classificação é adiada


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A área em frente ao prédio da torre de cronometragem do Circuito de Sakhir ficou lotada de jornalistas e câmaras de TV neste domingo, ainda há pouco, horas antes da largada da segunda etapa do campeonato - a corrida começa ao meio dia (horário de Brasília). Todos queriam saber dos personagens que aos poucos começavam a sair se haviam, finalmente, chegado a um acordo. Pauta do encontro: discutir um novo formato para a sessão de classificação.

“Não, não houve unanimidade. Combinamos de cada um estudar um modelo de disputa e apresentar na próxima reunião, quinta-feira”, afirmou Jean Todt, presidente da FIA.

O sistema adotado pela primeira vez na F-1 no GP da Austrália, no dia 19 de março, e repetido ontem, no Circuito de Sakhir, não agradou quase ninguém na F-1 e mesmo entre os fãs da competição. Depois do choque em Melbourne, com a pista vazia no final do Q3, quando todas as atenções deveriam estar na luta pela pole position, lá mesmo, no Circuito Albert Park, representantes das equipes, Todt e Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, decidiram, por unanimidade, não adotar aquele modelo na definição do grid de ontem, segunda etapa do calendário.

Mas nos dias seguintes Christian Horner, da RBR, e o representante da McLaren, expressando a opinião de Ron Dennis, sócio e diretor, mudaram de ideia. Na sua visão, o formato experimentado na Austrália tinha aspectos interessantes. Eles propunham um ajuste, apenas. Nesse formato, os pilotos vão para o Q1 e depois de 7 minutos o mais lento é eliminado. O mesmo ocorre a cada 90 segundos. A sistemática vale para o Q2, após 6 minutos, e no Q3, ao final do quinto minuto.

Ecclestone não falou com a imprensa, hoje. Toto Wolff, da Mercedes, disse: “Podemos até mesmo manter o atual formato se não houver acordo”. O austríaco, chefe e sócio da equipe Mercedes, é um dos críticos mais ferozes do modelo em uso, apesar de seus pilotos terem estabelecido primeiro e segundo tempo nas duas sessões realizadas.

“Eu assisti ao treino dos boxes e não entendia muita coisa. Vi volta lançada não valer nada, como no caso de Perez (largará em 18.º), um entra e sai de piloto dos boxes, confuso demais.” Niki Lauda, seu sócio, também comentou: “Eu imagino quem está em casa, vendo a TV. Eu procurei acompanhar e me perdi, não faz sentido. As coisas têm de ser mais simples”.

Para mudar o formato atual é preciso que todas as equipes concordem, bem como Ecclestone e Todt. Paul Hembery, diretor da Pirelli, comentou o que Todt havia adiantado. Ficou acertado que esses quatro dias antes do próximo encontro servirão para todos apresentarem suas propostas. E também expressou não saber se haverá um consenso, a exemplo do que aconteceu até agora.

O grupo permaneceu reunido por quase duas horas e como não houve acordo quanto a voltar ao sistema antigo ou às emendas propostas ao usado na Austrália e ontem, a saída foi fazer com que cada um apresente, então, o que considera melhor para a F-1. Na realidade, para si. Todt praticamente descartou a possibilidade de a definição do grid ser a mesma usada até o GP de Abu Dabi do ano passado.

Se não houver unanimidade, de novo, quinta-feira, no encontro com local ainda não definido, provavelmente até a classificação do GP da China, dia 16, as coisas não deverão se mexer. E nesse caso a F-1 apresentaria no Circuito Internacional de Xangai o mesmo espetáculo que não agrada quase ninguém. Em tom de brincadeira, Toto Wolff, falou: “Se surgir alguém contra a ideia de mudar o que vimos deveríamos sacrificá-lo publicamente no paddock”.


Fonte: Com informações do Globo Esporte