Desafios históricos do futebol · 26/02/2020 - 11h09

Ex-capitã diz que a geração atual do futebol feminino é melhor


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A bola corre no gramado do Sesc Interlagos, zona sul de São Paulo. Temperatura acima dos 30 graus. Vinte e duas meninas em campo e outras tantas ao redor — mais de 30 — esperando. Uma espectadora de luxo, no alto de seu 1,80m, admira a partida de futebol feminino com um sorriso de orelha a orelha.

"Quando que a gente teria cinco equipes de campo, com mulheres, ocupando um gramado onde, por anos, só homens jogaram? De campo, não de salão!"

Aline Pellegrino tem motivos de sobra para apreciar a vista proporcionada por jovens de coletivos e comunidades da capital paulista que participavam de um festival de futebol feminino do programa Sesc Verão. Nunca a modalidade que vivencia há mais de 20 anos esteve tão em evidência.

E olha que ela passou por muita coisa. Começou a jogar aos 15 anos, em 1997, pelo São Paulo, com jogadoras que tinham idade para ser sua mãe. Foi capitã em parte da década que defendeu a seleção brasileira, entre 2004 e 2013. Usou a braçadeira, inclusive, em um dos grandes momentos da geração que também apresentou Marta, Cristiane e Formiga: o vice-campeonato mundial em 2007, na China. Fez parte, também, da equipe medalhista olímpica de prata em Atenas, na Grécia — ah, aquele toque de mão da zagueira norte-americana na prorrogação, que a arbitragem nada marcou...

Pendurar as chuteiras em 2013 não significou à Aline ficar longe do esporte. Formou-se em Educação Física, foi técnica (por seis meses, dirigiu o Vitória das Tabocas logo após se aposentar dos gramados), supervisora da parceria entre Corinthians e Audax no feminino. Há quatro anos, assumiu a direção da modalidade na Federação Paulista de Futebol (FPF), onde tem como uma das bandeiras o trabalho com novas gerações — para 2020, por exemplo, prevê a criação de um Estadual sub-15.

Antes das pelejas, Pellê bateu papo e distribuiu atenção e carinho às meninas, muitas emocionadas — para algumas, foi a primeira vez — de estar tão perto de uma das vozes mais ativas do futebol feminino do Brasil. E entre uma jogada e outra do festival, Aline conversou com a reportagem da Agência Brasil.

Em quase 25 minutos de entrevista, a ex-zagueira falou sobre os desafios históricos do futebol feminino e o avanço dos últimos anos. Cravou, "sem medo de errar", que a nova safra é melhor que a dela — e olha que estamos falando de Marta, Cristiane e companhia. Revelou a tentativa para que, pelo menos nos jogos entre as mulheres, a medida de torcida única nos clássicos paulistas, tomada pelo Ministério Público em 2016, seja repensada.

 


Fonte: Agência Brasil

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