Protesto na frente da empresa · 20/03/2015 - 09h23 | Última atualização em 20/03/2015 - 10h33

Funcionários da Almaviva paralisam atividades por atraso no pagamento

Funcionários da Almaviva paralisam atividades por atraso no pagamento


Compartilhar Tweet 1



Cerca de 600 trabalhadores da empresa de teleatendimento AlmavivA do Brasil, fizeram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (20/03) em frente a sede no bairro São Pedro, zona Sul de Teresina. As principais reclamações dos funcionários são o atraso no pagamento dos tickets e vales, descontos salariais e acusam a empresa inclusive de assédio moral.

A AlmavivA que se instalou em Teresina há pouco mais de um ano, emprega hoje cerca de 3,5 mil pessoas, maior parte delas no Call Center, que atendem empresas como a Oi e a Tim. O grupo pretende permaneceu de braços cruzados durante a manhã e contou com o apoio do sindicado da categoria. Eles deram um prazo para a empresa de contact center marcarem uma reunião com os representantes sindicais, caso não haja acordo entre as partes, os colaboradores prometem paralisação na semana que vem.

A maioria dos funcionários recebe um salário mínimo, R$ 788, com os descontos algum chegam a receber aproximadamente R$ 500. Além disso reclamam de metas abusivas, acúmulo de função, não pagamento dos treinamentos, além de constantes ameaças de demissão.

PROTESTOS DEVEM CONTINUAR
Lígia Costa trabalha na empresa há um ano e afirma que mais de 80% dos colaboradores aderiu ao protesto. “Hoje é apenas uma mobilização, e não uma greve ainda, se não derem resposta de diálogo vamos fazer paralisação a partir da semana que vem. O objetivo é protestar contra a forma como a empresa tem agido, que tem escravizado de forma geral, nosso ticket é de R$ 4 por dia, além dos descontos indevidos”, reclamou.

AMEAÇAS DE DEMISSÃO
“Nossos companheiros recebem advertências no dia a dia,a te por atraso de quatro minutos, e sabemos que na lei do trabalhador, pode ter até 10 minutos de atraso. Por qualquer coisa eles ameaçam demitir e quem não estiver satisfeito é só pedir demissão. Eu fui eleita delegada sindical e meu supervisar me avisou que faltava pouco para eu ser demitida, mas estou dentro da lei. Perdi audição na empresa, além disso tínhamos que bater metas absurdas sob ameaça de receber demissão”, disse.

ATRASO NO TICKET
O operador de back Office Ricardo Soares, que é um dos representantes do movimento, afirma que a insatisfação dos colaboradores é geral. “Nosso ticket já é muito pouco e eles ainda fazem vários descontos. Além disso, o pagamento era para ter sido feito dia 19/03, mas agendaram para o dia 24, por isso gerou revolta dos funcionários. Ainda não paralisamos os atendimentos, mas se não houver diálogo, vamos fazer novas manifestações”, afirmou.

IMPASSES COM A EMPRESA
Segundo os colaboradores, há uma carga de stress muito grande, primeiro gerada pelos conflitos normais da função, onde muitos clientes já ligam nervosos, em seguida a empresa estaria sobrecarregando os funcionários com metas e regras que atrapalham o serviço. A maioria dos colaboradores tem uma carga horária diária de 6h diárias, 6 dias da semana. Quem opta trabalhar 5 dias da semana, tem carga horária de 8h12min por dia, como determina a lei.

SETOR EM ALTA NA CAPITAL
As empresas que trabalham com teleatendimento investiram muito em Teresina. Pelo menos três grandes empresas já estão instaladas e mais duas iniciam suas operações, mais de 10 mil pessoas já estão empregadas no setor e até ano que vem este número deve dobrar. Em Teresina se paga um salário aos operadores de teleatendimento, que só é exigido o ensino médio, e cerca de R$ 300 a mais para os supervisores, que precisam ter ensino superior. Além disso, recebem ticket refeição/alimentação e vale transporte.

O setor que empregou milhares de jovens que estavam ociosos na capital, enfrenta seu primeiro revés. Outras capitais enfrentaram o mesmo problema o que obrigou a empresas procurarem mão de obra em Teresina, mas agora, precisam contornar a situação para que isso não se torne uma grande dor de cabeça.