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Inflação nos EUA derruba dólar e Bolsa supera os 110 mil pontos

CLAYTON CASTELANI
SÃO PAULO, SP
(FOLHAPRESS)

A taxa de câmbio no Brasil recuou e o mercado de ações tomou fôlego nesta quarta-feira (10), dia em que a divulgação de um índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos menor do que o esperado impulsionou investimentos considerados mais arriscados.
O dólar comercial à vista fechou em queda de 0,79%, cotado a R$ 5,0880 na venda, menor valor para um encerramento de pregão desde meados de junho. Na cotação mínima desta quarta, a moeda americana chegou a ser negociada a R$ 5,0360, quando recuou quase 2%.
O índice de preços ao consumidor americano permaneceu inalterado em julho, após avançar 1,3% em junho, segundo o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Projeções da agência Reuters indicavam alta de 0,2% do índice no mês passado. O índice acumulado em 12 meses caiu de 9,1%, em junho, para 8,5%, no mês passado.
A desaceleração da inflação levou investidores a apostarem na diminuição no ritmo do aumento dos juros do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) e, consequentemente, na desvalorização do dólar.
O novo dado, que confirma a desaceleração da inflação, fez o mercado voltar a esperar que o Fed desaperte o passo na sua política de elevação de juros. Analistas já falam em uma alta de 0,50 ponto percentual no próximo mês.
Antes, parte do mercado considerava que o Fed poderia repetir em setembro o agressivo aumento de 0,75 ponto percentual da sua taxa de juros, assim como fez nas duas últimas reuniões de política monetária.
O temor de uma elevação novamente muito forte dos juros tinha ganhado espaço na semana passada, quando a criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos acima das expectativas para julho surpreendeu o mercado.
Isso indicou que a economia americana não estava em recessão, apesar de duas quedas trimestrais consecutivas do PIB (Produto Interno Bruto).
Sobre os efeitos das novas perspectivas no câmbio do Brasil, a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, diz que há uma combinação dos contextos internacional e doméstico para favorecer a queda do dólar.
É que sem o aperto mais forte na taxa do Fed, o prêmio oferecido pelo juro real brasileiro -diferença entre inflação e a taxa de crédito- tende a aumentar a disposição de investidores para abandonarem a segurança da renda fixa americana em direção a uma economia menos estável.
Na terça-feira (9), a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central apontou para a estabilização da taxa de juros, enquanto a deflação mensal registrada pelo IPCA de julho confirmou a expectativa de desaceleração dos preços.
"A combinação gera um movimento de apetite para o risco, trazendo o câmbio para baixo", comentou Consorte.
BOLSA AVANÇA ACIMA DOS 110 MIL PONTOS
Na Bolsa de Valores brasileira, o indicador de referência Ibovespa subiu 1,46% nesta quarta, a 110.235 pontos. É o melhor resultado desde 3 de junho.
O desempenho das ações locais esteve alinhado nesta sessão à força global dos mercados de ações.
Nos Estados Unidos, o índice de referência da Bolsa de Nova York, o S&P 500, saltou 2,13%.
Marcelo Oliveira, especialista em renda variável e fundador da Quantzed, ressalta que investidores tomam o mercado de ações americano como parâmetro para a Bolsa brasileira. O humor positivo por lá foi determinante para o resultado doméstico, segundo ele.
"Tivemos um número muito positivo de CPI [sigla em inglês para índice de preços ao consumidor] americano, que veio zerado para mês de julho, e o núcleo [que desconta a variação de alimentos e energia, que são mais voláteis] também veio abaixo do esperado", comentou
Os principais mercados europeus também subiram. A Bolsa de Londres ganhou 0,25%. Paris e Frankfurt fecharam com altas 0,52% e 1,23%, nessa ordem.
Na terça, ganhos das ações do setor bancário somados ao desempenho positivo do ramo das matérias-primas impulsionaram a alta da Bolsa, que resistiu a um dia de valorização do dólar e de elevação dos juros.
O Ibovespa, índice parâmetro da Bolsa, subiu 0,23%, a 108.651 pontos. Essa foi a sexta elevação consecutiva do indicador, que avançou na contramão dos principais mercados mundiais.
Entre os papéis que tiveram maior peso nesse resultado, o Itaú Unibanco subiu 2,61% e a Vale avançou 2,07%.
O lucro líquido de R$ 7,7 bilhões do Itaú no segundo trimestre de 2022 deu fôlego ao setor bancário nesta sessão.
A empresa de viagens CVC desabou 10,96%. Investidores apostaram na desvalorização da companhia após o J.P. Morgan ter rebaixado os preços dos papéis da companhia.

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