Mártir Venerado · 21/05/2008 - 01h46

A história do motorista Gregório vira o livro "Parabélum"

?Parabélum? é uma obra que mistura fatos da realidade com ficção


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A morte do motorista Gregório é uma história que ainda vive forte no imaginário do piauiense. Apesar de ter acontecido em outubro de 1927, depois de Gregório ter atropelado o filho do delegado de polícia de Barras na época, a execução do motorista às margens do Poty transformou o homem em um mártir venerado em Teresina. O julgamento do tenente Florentino Cardoso, seu executor, pelo Tribunal do Júri é recriado no romance “Parabélum”, de Enéas Barros, que será lançado amanhã, na Casa da Cultura, às 19h.

“Existem muitas contradições na história da morte do motorista Gregório. E através de uma pesquisa histórica eu descobri coisas que não estão no imaginário popular. Por isso, o livro é focado no julgamento do crime”, esclarece o autor.

Na época, o tenente Florentino Cardoso confessou o crime, foi preso, mas conseguiu fugir da prisão. Ele foi julgado três vezes e as circunstâncias de seu julgamento se revelam como o momento mais emocionante da narrativa.

“Parabélum” é uma obra que mistura fatos da realidade com ficção, numa busca para desvendar os mistérios que envolvem o assassinato de Gregório. O nome da obra por exemplo, é uma referência à arma usada para matar o motorista, uma pistola automática de procedência alemã pertencente ao delegado Florentino Cardoso.

As criações do autor entraram na narrativa nos momentos em que o ele não conseguiu informações históricas sobre o crime. Esta não é primeira vez que a morte de Gregório é levada é contada em livro. Em “Finado Gregório: mártir, homem ou santo”, o escritor William Palha Dias usa o fato como pano de fundo para um romance. A saga já ganhou também uma versão para a televisão local em formato de docudrama.

COMOÇÃO

A história do motorista Gregório resiste ao tempo e é contada e vivenciada pelas pessoas por seu apelo místico e religioso, conta o jornalista Enéas Barros. “O assassinato gerou muita comoção, porque a vítima era humilde e foi maltratada por uma pessoa que era para defender a lei”.

Ainda hoje, 83 anos depois do ocorrido, o túmulo do motorista no Cemitério São José é um dos mais visitados pela população e seu monumento na avenida Marechal Castelo Branco sempre recebe homenagens e rezas.

A trajetória de um rapaz negro, simples, anônimo que com sua morte transforma-se em mártir e passa a ser venerado pelas as pessoas na sua fé é mais um dos mistérios que envolvem a história. Tanto é, que um grupo de devotos de Gregório Pereira dos Santos luta desde 1975 pela santificação do que viria a ser o primeiro piauiense. Os relatos de milagres alcançados por devotos que os creditam ao motorista são muitos.

Além do homicídio, Florentino Cardoso foi acusado de maltratar Gregório, por deixá-lo preso por três dias sem água e comida até à sua execução nas margens do Rio Poty, em Teresina.

Mesmo antes de morrer, o tenente nunca se disse arrependido, porque, segundo ele, “transformou em santo um pecador”. Ainda que sem entregar o destino que teve o delegado Florentino Cardoso o autor Enéas Barros acredita que “se o crime acontecesse hoje, o assassino estaria preso”.


Fonte: Diário Do Povo