Atendimento básico na escola · 11/01/2022 - 16h37

Projeto 'Médico na Escola' revoluciona atendimentos aos estudantes do Piauí


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O Projeto "Médico na Escola" busca revolucionar o atendimento básico em saúde aos estudantes da rede estadual do Piauí. Ainda projeto-piloto, foi realizado nesta sexta e sábado (03 e 04/12) no CETI Didácio Silva, localizado no bairro Itararé. O projeto tem como idealizadores o Dr Vinícius Nascimento, especialista em ortopedia pediátrica e atual diretor do Hospital Infantil Lucídio Portela e o advogado Chico Lucas, ex-presidente da OAB.

A iniciativa começou quando o médico e o advogado debatiam sobre a necessidade de levar mais saúde e bem-estar às crianças e adolescentes, que por diversos motivos não têm facilidade no acesso ao atendimento médico, tendo sua saúde prejudicada ao longo de toda a vida por enfermidades que, muitas vezes, têm cura ou tratamento. Assim, um novo e importante parceiro abraçou a causa: o secretário Ellen Gera, da SEDUC - Secretaria de Estado da Educação, juntamente com o ProPiauí Educação. Buscando mais força em uma rede de amigos e parceiros, Dr Vinícius e Chico Lucas viabilizaram o projeto-piloto, para testar na prática o atendimento médico na escola. A unidade de ensino estadual CETI Didácio Silva foi a escolhida para esta empreitada.

Outros parceiros são a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação - FADEX, representada pelo Dr Samuel Nascimento; o Instituto Galaxy, organizador do evento e responsável pela logística do projeto; as médicas oftalmologistas Dra Teresinha Raulino, Dra Almira Noronha com sua equipe especializada, entre elas a gestora em saúde Aline Melo; a Óptica Jóckey, liderada pelo Sr Delfino Neto, em trio com a Essilor e o Instituto Ver e Viver; o Dr Ramon Nunes, médico pediatra e coordenador da equipe médica do projeto; o Diretor Executivo da FADEX, psicólogo Eduardo Moita.

O "Médico na Escola" começa na prática com uma pré-seleção de alunos. Existe um método de triagem oftalmológica autorizado pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia, que qualquer pessoa pode utilizar para identificação básica de alguma necessidade de atendimento oftalmológico. A partir daí, os professores do Centro de Ensino de Tempo Integral Didácio Silva foram convidados para uma tarde de treinamento. Não tardou muito para que esses profissionais estivesse contribuindo com o projeto-piloto, realizando a triagem com todos os alunos em sala de aula, gerando assim uma demanda de atendimento. O Didácio Silva tem uma média de 750 alunos e destes, foi detectada a necessidade de atendimento oftalmológico para 186 alunos.

Os alunos triados foram convidados para um dia especial de atendimento médico na escola, seguindo um passo a passo médico. A Estação 1 era o Pré-cadastro, realizado em um sistema próprio do Médico na Escola, criado e alimentado pela equipe da FADEX, onde eram inseridas as informações básicas do aluno. A Estação 2 era a avaliação de peso e altura, realizada por dois professores da escola, utilizando balança e estadiômetro. Logo após este momento, o aluno recebia a primeira aplicação de colírio especial para dilatação ocular, feita pela equipe de oftalmologia. Seguia então para a Estação 3, onde o aluno apresentava seu cartão de vacina para uma enfermeira, que verificava se estava tudo em dias ou não, identificando o que faltava; na Estação 4, uma outra enfermeira media o IMC (a partir do peso e altura coletados na Estação 2), media a glicemia, a temperatura e a pressão arterial do aluno. Todos os dados em inseridos no sistema criado, com sigilo médico garantido.

Após isso, o aluno retornava à "sala de estar" criada na quadra da escola, para receber a segunda dilatação ocular. Quando pronto, seguia para a Estação 5, de medição ocular. Após ser atendido com os melhores equipamentos do mercado e tirar todas as medidas oculares, seguia para a Estação 6, onde era atendido pelas médicas oftalmologistas, também com equipamentos modernos e de máxima qualidade.

Após a consulta e havendo indicação do uso de óculos, o aluno retornava à Estação 5 para escolher sua armação. Entre mais de 200 modelos disponíveis, era possível escolher uma armação de acordo com seu gosto e adaptada ao seu rosto, muitas delas seguindo a moda jovem. As lentes de todos os alunos também foram ofertadas pelo projeto gratuitamente.

Cumprida a etapa oftalmológica, o aluno seguia para a Estação 7, onde recebia atendimento médico com pediatras.  Quando detectada a necessidade de exames ou de atendimento com outro especialista (um nutricionista ou ortopedista, por exemplo) o aluno já saía com um encaminhamento em mão.
 

Elisângela Silva dos Santos esteve presente com seu filho, José Henrique dos Santos Sousa, de 15 anos, aluno do primeiro ano do Ensino Médio. Na oportunidade, ela comentou a qualidade do atendimento. "O projeto ajuda bastante as famílias, porque no momento de hoje está tudo difícil, e você ter a oportunidade de ter uma consulta, o óculos e lentes totalmente grátis... Nossa! Eu amei esse projeto! O José nunca usou óculos antes e com a consulta foi descoberto uma miopia nos olhos dele", afirma a mãe. José também parabenizou e mostrou satisfação com o projeto. "De longe eu não enxergo muito bem e acho que agora vai ser bom para mim usar o óculos". 

"Acho muito bom, até porque os nossos filhos estão sendo bem tratatos, com o intuito de melhorar a saúde dos alunos. Morávamos no Maranhão e minha filha estudava numa escola particular, mas ela nunca tinha tido a oportunidade de fazer um check-up assim tão completo, e de estar conseguindo receber até um óculos em parceria com o Estado", comentou o senhor Douglas Tony da Luz, pai da aluna Juliane Carvalho da Luz. 

A mãe Juliana Sousa foi surpreendida em casa pela notícia do projeto. "Eu tive até uma surpresa, pois ela chegou em casa dizendo que iria ter uma consulta. Os professores perceberam que ela tinha uma necessidade, então eles tomaram a iniciativa de marcar o atendimento para ela. Eu achei maravilhoso! Esse projeto é muito importante também para mais escolas em relação ao financeiro, pois tem pessoas que não tem condições de arcar com a consulta e o óculos". Sua filha, Bruna Suellen, descobriu que vai precisar usar óculos. Escolheu a armação de acordo com seu gosto e considerou que "o atendimento foi perfeito. Não tenho nada pra reclamar!". 

Dona Railane Ribeiro Silva, mãe da Siívia Letícia, do Ensino Médio, relatou a dificuldade de outras mães: "Uma oportunidade única, porque gente tem essa necessidade. Eu não sabia que tinha pediatra, passei por ele ali e foi uma surpresa positiva! Espero que o projeto cresça ainda mais, que seja uma oportunidade não só pras minhas filhas, mas para mais alunos. Tem mãe que não tem só um filho, tem dois, tem quatro, e aí o custo é alto, né? A escola está de parabéns, o projeto tá de parabéns, e a equipe também, pelo atendimento excelente! Estou maravilhada e muito agradecida". A filha, Silvia, não usava óculos e, na consulta do Médico na Escola, descobriu a necessidade de uso. A mãe comenta: "Eu achava que era só uma consulta e que eu teria que comprar o óculos, mas ela já saiu com a armação e com tudo certinho. E linda a armação, elas puderam escolher à vontade".

Satisfeita, dona Railane conversou com outras mães e disse que já esperam outras especialidades: "Já queremos outros projetos também, como odontologia. Pois também é um tratamento que é difícil o acesso, e o custo é alto".

O Médico na Escola têm uma força técnica muito grande e capacitada. O Sr Delfino Neto, da Óptica Jockey, acompanhou os dois dias de projeto. Juntamente com a Essilor (fabricante de armações) e o Instituto Ver e Viver (da marca Varilux), fizeram a doação das duzentas armações e lentes personalizadas para cada aluno que necessitou. 

O corpo médico de atendimento do Projeto contou com as oftalmologistas Teresinha Raulino e Almira Noronha; os pediatras Rafael Carvalho e Nágylla Costa, e a médica clínica-geral Marcella Bastos. As enfermeiras são Yarlla Alcântara, Lyane Medeiros e Denize Feitosa. No apoio de psicologia, Yana Leal e Larisse Miranda.

O Projeto "Médico na Escola" já está sendo solicitado por muitas unidades de ensino, desejosas por mais acompanhamento de saúde para seus alunos. O desejo do Projeto é atender toda a rede estadual de ensino, que soma 130.000 alunos. Uma vez cumprida esta grande e valiosa missão em todo o Piauí, almeja realizar convênios e parcerias também com a rede municipal. 

Estima-se que em 15 a 20 dias seja realizada a entrega dos óculos produzidos para os para os alunos, em evento solene a ser realizado no CETI Didácio Silva.

 

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