Mudanças recentes no mercado · 23/03/2021 - 16h05

Como a pandemia mudou o cenário do comércio eletrônico


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A pandemia do novo Coronavírus, no início de 2020, alterou significativamente o cenário do comércio eletrônico no Brasil. 

Ao final de 2019, a projeção do Ministério da Economia era de um aumento de 2,4% no PIB nacional para o ano de 2020. Dentro destes 2,4%, 19% era o crescimento previsto para o comércio eletrônico. 

Estes foram números divulgados em janeiro de 2020 e, conforme pudemos acompanhar, a partir do mês de março deste mesmo ano, as circunstâncias econômicas mudaram consideravelmente. 

Com os decretos de lockdown, lojas que não estavam enquadradas nos serviços considerados essenciais, precisaram fechar temporariamente suas portas e estagnar seus serviços. Deste momento em diante, presenciamos uma enorme transformação no cenário do comércio eletrônico.

 

Impacto da pandemia nas lojas físicas

Diante de uma situação onde não podiam abrir suas portas, diversas lojas sentiram brutalmente a queda de faturamento. A saúde do comércio e da economia passou a ser outro grave problema social. Angústia e o medo do futuro tomaram conta de muitos empreendedores Brasil afora, que viram seus negócios ameaçados, sem saber como agir. 

Os serviços considerados essenciais estão dentro das áreas de alimentação, supermercados, setor de pets, higiene e produtos hospitalares. As demais áreas fora deste contexto, precisaram buscar novas alternativas para continuar operando. E não foi fácil, muitas empresas não resistiram. 

Segundo dados da Boa Vista Serviços, em 2020 houve aumento de 12,7% nos pedidos de falência no Brasil e aquelas que não encerraram as atividades, sofreram quedas bruscas no faturamento deste mesmo ano. 

A possibilidade mais viável e efetiva para este momento de crise foi o e-commerce. O processo de mudança precisou ser rápido e pegou muitos empreendedores de surpresa. Vendo-se obrigados a reinventar seus negócios, muitos lojistas migraram para a internet

 

Fluxo de migração dos lojistas para a internet

Se antes, algumas lojas enxergavam no e-commerce apenas uma opção para expansão, em 2020 foram pressionadas a implementar ou acelerar sua migração para a modalidade online. 

Até então, dentro do padrão de consumo eletrônico brasileiro incluíam apenas determinados tipos de serviços, já conhecidos por esta via. Pedidos de comida, streaming de filmes e música, e serviços de transporte privado, eram algumas das atividades essencialmente eletrônicas bastante conhecidas e utilizadas pelos consumidores.

Com a pandemia, no entanto, houve uma drástica  alteração no cenário do comércio eletrônico: lojas que antes, sequer cogitaram operar de maneira remota, enxergaram no e-commerce a estratégia vital para manterem-se ativas.

 

Comércio eletrônico como veículo de salvação das empresas 

Antes da pandemia, o consumo através da internet ainda estava ganhando força na cultura brasileira. Conhecidos por ser uma população calorosa e amigável, os brasileiros preferiam sair às compras até o início de 2020.

Apesar de em 2018, 70% da população brasileira já estar conectada à internet, o consumo de produtos e serviços online ainda era visto como alternativa às compras presenciais apenas em situações onde estas não fossem possíveis. O distanciamento social não fazia parte da realidade brasileira. 

Ano a ano, presenciávamos a lotação de grandes centros de compra de varejo. Fossem estes centros populares ou mais sofisticados, como os shoppings centers, era garantida a presença de consumidores à procura dos produtos que precisavam. Sair às compras fazia parte também de um momento de lazer e interação por parte da população. 

Para mais, muitas pessoas preferiam fazer suas compras direto nas lojas, por não sentirem total confiança no processo digital. E diversos lojistas, por sua vez, também não enxergavam compatibilidade entre seus serviços e a modalidade de e-commerce.

No entanto, com os decretos de lockdown e distanciamento social, tais preferências foram restringidas. Quaisquer produtos ou serviços que não estavam enquadrados como essenciais, mas que eram necessários ao dia a dia dos consumidores, passaram a ser buscados e adquiridos através da internet. E este começou a ser o principal meio para aquisição de produtos e serviços. 

Foi dentro deste contexto que diversas lojas tiveram o e-commerce como seu veículo de salvação. O comércio eletrônico tornou-se extremamente aquecido e fundamental para a manutenção da economia.

Nesta corrida, acabaram vencendo as lojas que melhor se adaptaram à nova realidade econômica. Os lojistas mais atentos alteraram suas estratégias de venda, adaptando seu comércio a plataformas online. 

Soluções como criação de sites, cadastros em marketplaces, utilização das redes sociais, e estratégias de marketing digital tornaram-se imperativas para seguir faturando desde o início da pandemia.

 

Mudanças no cenário do comércio eletrônico 

Se até o início de 2020, o comércio eletrônico era apenas uma opção remota para algumas lojas, com a chegada da pandemia do novo Coronavírus, ele adquiriu o status de protagonista.  

Segundo dados do IBGE, com ajuda do comércio eletrônico e do auxílio emergencial, o varejo brasileiro fechou com alta de 1,2% em 2020. 

O e-commerce tornou-se uma realidade necessária para diversos setores econômicos, contribuindo também para geração de novos empregos. 

Além da área da saúde, foi também o e-commerce um dos responsáveis pelo aumento das contratações formais em 2020. A necessidade de mão de obra especializada em vendas digitais e setores de logística quase dobrou.

As lojas passaram a apostar na transformação digital e, o que antes era uma ameaça, passou a ser encarado como um caminho de expansão. 

A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) registrou um crescimento de 68% no comércio eletrônico em 2020, muito acima dos 19% esperados pelo Ministério da Economia ao final de 2019. 

E esta revolução do comércio eletrônico está longe de ser apenas uma fase. Se por um lado, tais mudanças afetaram negativamente muitas lojas, outras por sua vez, conseguiram se adaptar e encontraram no e-commerce uma solução satisfatória. Os consumidores também integraram a realidade digital ao seu dia a dia, percebendo as vantagens e comodidades do consumo pela internet.

Este novo cenário do comércio eletrônico pode nos mostrar que, mesmo em momentos de crise, reinventar-se continua sendo a melhor alternativa para o crescimento social. Sendo a internet uma poderosa ferramenta de comunicação e interação, podemos estar presenciando uma mudança radical na forma de consumo dos brasileiros, transformando o ambiente digital no principal centro de varejo dos próximos anos. 


 

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