Cobrança por autonomia · 09/10/2019 - 12h31 | Última atualização em 09/10/2019 - 21h40

Governo falta à audiência sobre a Uespi e alunos dão as costas para o reitor


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A audiência pública convocada pelos deputados Teresa Britto (PV) e Gustavo Neiva (PSB), para debater a situação da Universidade Estadual do Piauí, foi realizada na manhã desta quarta-feira (09/10) no Cine Teatro da Assembleia Legislativa do Piauí. Apesar da grande mobilização para o encontro e da pressão dos estudantes, nenhum representante do governo compareceu.

"Nossa intenção é justamente expor toda essa problemática, colocar as partes para que a gente possa discutir e buscar uma solução imediata, urgente. Do jeito que está, não podemos continuar", diz o deputado Gustavo Neiva.

Para ele, o ponto crucial que representaria uma virada de situação para a instituição seria a independência administrativa e financeira. "Para que a Uespi possa ter seu duodécimo e fazer um planejamento que possa ser executado em cima do seu orçamento. Nós aqui sempre aprovamos o orçamento, com reajuste para Uespi maior que para outros órgãos. Mas infelizmente o governo não cumpre, não repassa aquilo que é previsto", explica.

Ausência do governo

Já a deputada estadual Teresa Britto lamentou a ausência do governo e de seus secretários na audiência. "Falta de compromisso da gestão. Seus secretários se escondem e não vem aqui para dar satisfação, para participar do debate e se comprometer com essa instituição tão importante para o estado do Piauí. Fizemos aqui nosso repúdio. O governador está em seu quarto mandato e com uma dívida muito grande com o ensino público estado do Piauí".

Situação da Uespi "beira o ridículo"

Mesmo reconhecendo que a situação da Uespi na capital não é tão grave como no interior, onde até 600 disciplinas estão sem professor, o diretor do Campus Clóvis Moura, Renê Aquino, classifica como ridícula a falta de autonomia da universidade, mesmo na resolução de demandas simples.

"Imagina que a Universidade, que tem uma garantia constitucional de autonomia, precisa de uma autorização do governador do estado para contratar professor, ainda que provisório. É uma situação realmente absurda. Ela beira o ridículo. Para ter recurso para manutenção básica precisa de autorização da Secretaria de Fazenda para executar a comprar de lâmpadas, por exemplo", conta.

Estudantes ficam de costas durante discurso de Evandro Alberto, reitor em exercício
Estudantes ficam de costas durante discurso de Evandro Alberto, reitor em exercício    Foto: Thiago Amaral/Alepi

Falta de apoio do reitor

Amanda Norberto, aluna do curso de Letras, lamenta não só os problemas de ordem estrutural e financeiro, mas da falta de compromisso do reitor com a Universidade e os estudantes. "O que deixa a gente chateada com o reitor é que ele vai para reunião com governador, não leva nenhum professor, nenhum aluno, sendo que o governador está com projeto de aumentar carga horária do professor. Os cursos irão perder. Quem é que vai querer ficar na Uespi, com sobro da carga horária, sem receber?", avalia. 

 


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