Voluntários estão ajudando · 16/05/2014 - 11h05

Risco: falta de local adequado prejudica tratamento de animais silvestres

Risco: falta de local adequado prejudica tratamento de animais silvestres


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A falta de um centro de recuperação de animais silvestres em Pirassununga (SP) tem colocado em risco a vida de espécies feridas na cidade, segundo a Polícia Militar Ambiental. O problema tem sido amenizado por um projeto voluntário idealizado pelo veterinário Rodrigo Levy. Há 12 anos, ele e uma equipe de voluntários prestam atendimento em uma clínica e uma chácara particulares.

Atualmente, os locais são o único destino para os animais lesionados, a maioria deles vítimas de atropelamento. A Secretaria de Meio Ambiente alega não haver normas sobre locais e tipos de tratamentos para a fauna silvestre.

Desde a criação do projeto, mais de 500 bichos receberam atendimento veterinário. Boa parte deles chega às mãos dos veterinários em estado muito grave. E pelo menos metade não resiste aos ferimentos, o que evidencia a necessidade da criação de um local especializado, segundo Levy.

“Temos que ter um pronto-socorro animal, e depois disso, um lugar onde eles possam ficar internados e fazer o processo de convalescência, de recuperação da saúde, para depois voltarem à natureza. Ou, então, aqueles que não têm mais condições de voltar à natureza que sejam abrigados para o resto da vida”, explicou o veterinário.

Em todo o Estado de São Paulo, a PMA resgatou 7.723 mil animais silvestres entre janeiro e abril deste ano. Destes, 73 deles são exóticos. O sargento José Amaro de França, da base da PMA em Pirassununga - que também responde por Leme, Santa Cruz da Conceição e Santa Cruz das Palmeiras - ressalta a importância da ação voluntária.

“Na região, nós temos um hospital veterinário em Leme, que também já nos ajudou varias vezes, mas o contato mais efetivo é o veterinário Levy. Hoje, não temos outro local para levá-los”, contou França.

Entre os animais atendidos e que estão sob cuidados do projeto, há um veado com queixo quebrado que ainda não se recuperou da lesão. Apelidado de "Toninho", ele ainda não consegue ficar em pé. Assim como Toninho, um filhote de quati também recebeu nome próprio: Sherazade. A fêmea foi ferida na cabeça, passou por cirurgias, e agora já faz três refeições diárias.

“A gente tem muita fruta aqui na chácara. Hoje, eu ofereci melão, mamão e ovo caipira orgânico. Nós não damos nada que tem hormônio e oferecemos uma alimentação que seja a mais próxima do que ela teria na natureza”, disse a voluntária Tânia Trevisan. Uma maritaca é outra hóspede. A ave torceu o pé ao se enroscar em um fio e a recuperação tem sido lenta.

Alegria
Mesmo com a falta de estrutura adequada, alguns animais conseguem sobreviver. O que se transforma em uma recompensa para a equipe de Levy. Nesta semana, houve a soltura de uma cobra às margens do rio Mogi-Guaçu. “O ferimento da jibóia já está cicatrizado e agora ela vai seguir a vida dela. A gente fica com dó porque cria uma afeição pelo animal”, conclui o veterinário.

Prefeitura
A Secretaria de Meio Ambiente informou que não existem normas sobre os locais e tratamento de animais atropelados. Entretanto, orienta que os bichos feridos devem ser encaminhados aos Centros de Triagem de Animais Silvestres ou Centros de Reabilitação. Ainda de acordo com o poder público, animais domésticos podem ser acolhidos pelos Centros de Controle de Zoonoses.


Fonte: Com Informações do G1