Protesto -

Só agora os prefeitos se dão conta da gravidade da seca no Piauí

Quatro ministros da presidente Dilma Rousseff estiveram no Piauí, recentemente, e, depois de passarem um dia com os prefeitos piauienses, voltaram para Brasília com a impressão de que tudo vai bem por aqui. Afora uma ou outra cobrança genérica e protocolar, nada mais receberam por aqui além de aplausos.

Passadas apenas duas semanas desse encontro, eis que aproximadamente 200 prefeituras do Piauí tiveram suas portas fechadas, ontem. Foi um protesto contra a falta de ajuda do Governo Federal aos municípios castigados pela estiagem. Na avaliação dos prefeitos, a burocracia federal impede uma melhor assistência aos flagelados.

Segundo o presidente da APPM, Arinaldo Leal, a falta de ações contra os efeitos da seca afeta diretamente mais de um milhão de pessoas no semiárido do Piauí. “Os gestores pedem que o Governo Federal deixe toda burocracia de lado e repasse os recursos diretamente para os municípios. Não queremos que esse dinheiro vá direto para prefeitura, mas para as comissões de defesa civil de cada cidade”, explica Arinaldo.

Hoje, os dirigentes das entidades estaduais que congregam os prefeitos estarão em Brasília para entregar documento aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Nesses documentos, eles fazem uma radiografia dos efeitos da seca na região e apresentam reivindicações do Nordeste para enfrentar o problema.

O presidente da APPM disse que as medidas anunciadas até agora pelo Governo Federal não atuam diretamente na origem do problema e não promovem um trabalho baseado em planejamento e ação continuada. A apreensão dos prefeitos se faz maior porque os técnicos dão conta do prolongamento da estiagem.

No Nordeste, a seca afeta diretamente 10 milhões de pessoas. Elas perderam suas plantações por dois anos consecutivos. Além da safra agrícola, o rebanho foi violentamente castigado pela estiagem. Estima-se que os prejuízos provocado pelo fenômeno à economia da região já ultrapassem os R$ 6 bilhões. O êxodo rural disparou.

E só agora os prefeitos se dão conta da gravidade da situação.

Fonte: (Diário do Povo)

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