Saúde -

Governo brasileiro já hesita na contratação de médicos cubanos

O governo brasileiro começa a ficar reticente quanto à aplicação de seu plano de importar médicos cubanos para trabalhar no interior do Brasil. O que leva o governo à hesitação é a reação das entidades médicas brasileiras. A polêmica começou no dia 6 de maio, quando o governo anunciou que estuda alternativas para suprir a deficiência de profissionais nas regiões mais remotas do País.

O governo analisava, então, a possibilidade de trazer médicos de países como Portugal, Espanha e Cuba. De imediato, o Conselho Federal de Medicina (CFM) criticou a proposta e, na última semana, entrou com uma representação da Procuradoria-Geral da República contra a medida.

Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, os cerca de 6 mil médicos que devem ser contratados vão permanecer no País temporariamente, por um período de até três anos. "Se discute trazer médicos de fora que tenham registro em seu país de origem, que trabalhariam por, no máximo, três anos, em regime provisório. Teria tutoria de universidades e trabalhariam exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS), em áreas de carência de médico", justificou.

O protesto das entidades médicas brasileiras ganhou a adesão de instituições médicas profissionais de nove países iberoamercianos - Argentina, Bolívia, Costa Rica, Espanha, Paraguai, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela. Elas aprovaram moção de apoio condenando qualquer iniciativa governamental que permita a portadores de diplomas de Medicina obtidos em escolas estrangeiras a possibilidade de exercer a profissão em território nacional sem a devida revalidação de títulos.

O plano do governo brasileiro de suprir o interior do país de médicos tem o mérito de chamar a atenção para um dos graves problemas nacionais. Os profissionais resistem a trabalhar no interior. Alegam a falta de um plano de carreira médica e de condições para exercerem suas atividades. Os contratos feitos pelas prefeituras são de modo precário, ao bel-prazer dos prefeitos.

Não é com a importação de médicos estrangeiros, no entanto, que a solução para o problema aparecerá. O governo deve procurar saídas mais inteligentes para atrair médicos para o interior. E as próprias entidades médicas já indicaram o caminho a seguir.

Fonte: (Diário do Povo)

Instagram

Comentários

Canal Zap