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Mais polêmica no Caso Emgerpi - 01/07/2009 às 17:31h

EXCLUSIVO: 'Eu provo tudo que eu digo na frente da Lucile'

DENUNCIANTE QUEBROU O SILÊNCIO: Jaylles deixou ser fotografado e fez verdadeiro desabafo

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Jaylles quebrou o silêncio e falou tudo Jaylles quebrou o silêncio e falou tudo

Jaylles José Ribeiro Fenelon, 20 anos, ex-funcionário da Emgerpi (Empresa de Gestão de Recursos de Pessoal) é estudante do curso de Direito da faculdade CEUT. É filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), assim como parte de sua família. Natural de Esperantina, ele mora em Teresina para estudar -pede que não seja revelado o endereço, temendo pela própria vida- e virou o 'nome da semana' após as inúmeras e graves denúncias apresentadas que comprometem o Governo Wellington Dias (PT).

Em entrevista exclusiva concedida à equipe de reportagem do 180graus, Jaylles Ribeiro Fenelon quebrou o silêncio e fez um verdadeiro desabafo. Falou tudo que viu, ouviu e sentiu dentro e fora da Emgerpi, presidida por Lucile Moura, a secretária estadual considerada 'braço forte' do governador W.Dias. Ele já havia apresentado um dossiê, entregue ao Ministério Público, contando todos os "podres" aos deputados estaduais de oposição e à imprensa (através deste Maior Portal do Piauí e do jornal Diário do Povo). Mas agora resolveu aparecer: deixou-se fotografar e falou tudo!

O estudante é firme nas suas convicções. Centrado durante a entrevista, ele fala como quem tem certeza absoluta do que diz. Não gagueja e não titubeia. Confirmou todas as irregularidas e atos de corrupção dentro da Emgerpi que viu e denunciou, como contratação de firmas fantasmas e utilização de recursos públicos em campanhas eleitorais. Aproveitou para negar as acusações de que é ligado a um ou outro nome, como disse a própria Lucile Moura. Ela rebateu o estudante, em entrevista ao Diário do Povo, dizendo que ele tinha um "relacionamento de sexo e com drogas" com o ex-prefeito de Esperantina Felipe Santolia (DEM). "Não tenho nada com o Santolia. Minha família trabalhou foi contra sua administração", afirmou Jaylles.

Ele conta que entrou na Emgerpi em abril de 2008. Foi demitido em maio deste ano. "Passei exatos um ano e um mês lá", explicou. Jaylles garante que sabe de muito "rombo" dentro da empresa. "Vi muita coisa lá dentro. E tudo que eu denuncio, eu provo". Perguntado se tem coragem de uma 'acariação' com Lucile Moura, falar as denúncias que tem na frente da secretária, ele é enfático: "Com certeza. Eu provo tudo que eu digo na frente da Lucile". Como já publicado no 180graus, Jaylles enviou uma carta à presidente da Emgerpi com cópia para o o próprio W.Dias no dia 22 de maio de 2009, uma sexta-feira, pedindo sua transferência para outro órgão. O motivo do seu pedido era "por não aguentar mais conviver com tantas irregularidades e falcatruas". Com medo de ser prejudicado, tomou a atitude. de  "abrir a boca" Na segunda-feira seguinte, dia 25 de maio, ele descobriu pela voz da própria Lucile Moura que não fazia mais parte do quadro de funcionários da empresa. "Ela disse assim pra mim: 'peixe pequeno sempre cai'"

CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

180graus: Quando você entrou na Emgerpi?
Jaylles: Eu entrei na Emgerpi em abril de 2008. Passei por todos os setores da empresa. Eu comecei fazendo serviços externos, participando em uma campanha de combate a dengue  depois me chamaram para o setor de gestão de pessoa, depois passei para contabilidade, e aí  fui chamado para o setor financeiro, onde eu consegui perceber as irregularidades da Emgerpi. Isso foi no período pré-eleitoral do ano passado.

180graus: Você descobriu o quê de errado lá dentro?
Jaylles: Tinha várias irregularidades nos dados da empresa, processos não solicitados. Apenas a Dra. Lucile, através de requerimento tinha acesso. Enviava para o fornecedor, o fornecedor fazia a obra e só após ele fazer a obra e dela pagar, que ela ia se licitar, que na verdade ela iiria era falsificar o processo licitatório. Criava uma carta convite, sendo que a carta convite era feita antes para convocar as empresas. Na verdade ela escolhia a empresa primeiro. Tinham empresas de pessoas dela que eram privilegiadas lá dentro. Eram várias as empresas.

180graus: Porque você resolveu denunciar?
Jaylles: O ultimo setor que eu passei, central de contratos e convênios, me fez pensar em abrir a boca. Criaram esse setor só para falsificar todas as documentações dentro da Emgerpi. O rombo da Emgerpi não tem mais nem como reverter a situação. Foi quando eu vi eu já estava era participando, das falcatruas sem saber. Quando foi criada essa central, ela (Lucile) não me falou o que era pra fazer. Ela me disse que era apenas um 'check list'. Era pra fazer uma análise dos processos e o que estavam faltando neles. Aí foi quando eu percebi que na verdade era para falsificar documentos.Os processos que foram obras do período eleitoral que não tinham licitação, que era para beneficiar no caso o atual prefeito de Esperantina (Chico Antonio). Isso me chamou muita atenção. Aí foi quando eu redigi a carta solicitando minha transferência de setor ou do órgão , eu já estava comprometido se eu continuasse. Mas aí me demitiram e resolvi denunciar.

180graus: Alguém te pediu para fazer isso? Ou você se sentiu no direito?
Jaylles: Eu me senti no direito de redigir essa carta. De contar a minha trajetória na Emgerpi e de tudo que eu vi por lá. Pedi a transferência no dia 22 de maio eu enviei uma cópia para o governador e para a Dra. Lucile dar entrada no protocolo. Isso foi numa sexta feira, quando foi na segunda seguinte, dia 25 de maio, eu fui demitido. Cheguei na empresa e já me informaram da demissão.

180graus: E o governador respondeu sua carta?
Jaylles: O governador não me respondeu, a única resposta que eu tive foi a minha demissão.

180graus: A notícia que temos é que você estaria vazando informações?
Jaylles: Não, não. Ttudo que eu falo, eu provo. Na verdade eu fui demitido por ter feito essa carta informando as irregularidades da Emgerpi, que comprometem não só ela mas toda a hierarquia do governo do estado. Cara, o que eu sei, compromete muita gente grande.

180graus: Existem boatos que você fez isso pela opção sexual da Dra. Lucile?
Jaylles: Não tem nada haver isso. Eu sai da Emgerpi limpo e a minha parte eu fiz. Eu pedi minha transferência para não colaborar com aqueles atos. Após uma semana da minha demissão, o diretor administrativo e de finanças da Emgerpi, Jose Dutra Ribeiro Filho me chama, e pergunta o que eu queria, e quanto eu queria para ficar calado. Eu falei pra ele assim: "a minha intenção de redigir essa carta foi pedir a minha transferência. Se você tiver lido a carta, em momento algum era eu pedindo dinheiro. Eu não aceito". Eu nem queria espalhar essa notícia, só queria a transferência de local. Quando eu voltei duas semanas depois, reclamando dos meus direitos, a Dra Lucile não quis nem ouvir, já mudou de assunto e foi logo falando da carta, falou para mim que todos tinham conhecimento da carta, inclusive o governador e do que estava acontecendo dentro da Emgerpi, ainda disse essa frase pra mim: "Qual foi sua intenção de informar o governador?" Eu falei: "A minha intenção foi garantir minha transferência". Ela falou para mim: "Se sua intenção foi me tirar daqui, você não conseguiu. Eu continuo aqui e você continua aonde?". Eu falei que a minha intenção em momento algum tinha sido essa. Aí foi quando ela falou que tinham várias pessoas grandes envolvidas. E quando alguém ia interferir eles passavam por cima. Foi desse jeito que ela falou.

180graus: Porque você denunciou para os deputados da oposição?
Jaylles: Aí foi quando ela me ameaçou. Ela falou que eu era peixe pequeno. Que sempre sobrava para o lado menor. Ela falou que iria acabar com a minha imagem em Esperantina. Ela disse que eu tinha relação com Felipe Santolina. Eu não tenho relação nenhuma com ele. Ela afirmou que eu dava informações para ele. Isso é conversa dela. Em momento algum ela falou das denúncias que eu fiz, Ela transferiu o foco para outro lado.

180graus: Você tem amizade com Santolia?
Jaylles: Eu não tenho amizade nenhuma com ele.

180graus: Você toparia fazer uma acariação com Lucle Moura?
Jaylles: Eu toparia, porque quem não deve não teme.

180graus: Qual foi sua indicação para Emgerpi?
Jaylles: Eu prefiro não revelar quem me indicou. Eu entrei em abril de 2008 e sai em maio de 2009. Fiquei um ano e um mês.

180graus: Você esperava pela repercussão do caso?
Jaylles: Não esperava que a repercussão desse caso fosse tão grande. Vou para a luta mesmo. Estou com o apoio de vários funcionários da Emgerpi que me procuram. Eles também querem denunciar,. Eles estão vendo que eu estou falando a verdade: tesoureiro, caixas, etc, eles têm conhecimento de que é pura verdade do que eu estou falando.

O OUTRO LADO
A reportagem do 180graus entrou em contato com Lucile Moura. Ela foi informada do conteúdo da entrevista. Foi perguntada se gostaria de rebater ou prestar seus esclarecimentos. Mas, ela não atende nem o seu telefone celular. No seu lugar falou a assessora dela, Ana Cristina. "A Lucile não vai falar com ninguém da imprensa agora. Ela só vai falar quando for à Assembleia Legisaltiva (os deputados estaduais aprovaram requerimento solicitando a sua presença) na segunda-feira próxima", afirmou a assessora.

VEJA A COBERTURA COMPLETA

CONFIRA AQUI TODOS OS DOCUMENTOS DO DOSSIÊ EMGERPI

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Edição: Allisson Paixao
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