O mau hálito não vem do estômago!
O mau hálito tem um efeito devastador sobre a autoestima de quem o possui. Timidez, insegurança, dificuldades em estabelecer relacionamentos pessoais, profissionais e afetivos, é uma característica comum aos seus portadores, o que pode leva-los a desenvolver alterações comportamentais, denominadas de ACDH (Alterações Comportamentais Decorrentes da Halitose).
Estima-se que em torno de 30% da população, tem ou já teve o problema, que pode ter sido do tipo passageiro ou se tornado crônico, persistindo mesmo após a mais perfeita higiene bucal e parece não ter uma causa definida.
Hoje sabemos que existem mais de 90 causas que podem levar uma pessoa a ter halitose, no entanto, para que o hálito fique com odor ruim, é necessário que várias causas atuem conjuntamente, por exemplo: rinite, sinusite, avitaminoses e estresse, podem contribuir no aparecimento da halitose. No entanto, sozinhos não são capazes de alterar o odor bucal, afinal, mesmo sendo o estresse causa de halitose, nem todos os estressados tem mau hálito.
Existem muitos mitos a respeito do problema e infelizmente eles são repassados de pessoa para pessoa, até mesmo por profissionais de saúde. Isso gera dúvidas a quem procurar: ao gastroenterologista, otorrinolaringologista, ao dentista?
Depois do dentista , o gastroenterologista é o profissional mais requisitado a tratar a halitose, embora em raríssimos casos o estômago seja causador de halitose crônica. A literatura fala que em torno de 1% dos casos sejam de origem estomacal, no entanto, isso não observamos na prática.
Em mais de 12 anos trabalhando com o tratamento de halitose e mais de 2.000 pacientes atendidos, nunca vi um caso sequer onde o estômago fosse o causador de halitose. No entanto, um percentual muito grande de pacientes que nos procuram já foram diagnosticados e tratados de alguma patologia estomacal, como a gastrite e o refluxo gastroesofágico, acreditando que isso resolveria o problema e não obtiveram nenhuma melhora no hálito. Embora na presença de pouca saliva ou saliva muito grossa, o refluxo gastroesofágico pode contribuir para o mau hálito, no entanto, sozinho dificilmente ele consegue provocar uma halitose crônica.
A explicação para isso é simples: a halitose crônica é formada num pH básico, em torno de 7.0 e tem um cheiro de enxofre, já o pH estomacal é ácido e abaixo disso. O odor que pode vir do estômago durante a eructação, é um cheiro de vômito que desaparece em poucos segundos, ao contrário do mau hálito crônico, que é persistente e com um cheiro bem diferente.
Dificilmente uma pessoa que tenha saliva normal em quantidade e viscosidade, venha a desenvolver a halitose, isso porque a saliva atua como um fator modulador da halitose. Em cursos e palestras que ministro, costumo dizer que tratamos a saliva, o desaparecimento da halitose vem como consequência da normalização da saliva.
Fonte: None










