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Caos no sistema prisional · 22/09/2017 - 16h51 | Última atualização em 23/09/2017 - 10h22

Policiais cortam roupas de presos 'na faca' e os colocam nus nas celas

Sejus deverá ser denunciada por maus-tratos, mas culpa os agentes em greve por caos no sistema prisional


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A Rede Clube exibiu no programa Piauí TV 1ª Edição desta sexta-feira (22/09), imagens feitas por câmeras de segurança da Casa de Detenção de Altos, para onde foram levados presos que estavam na Central de Flagrantes, superlotada por conta da greve dos agentes penitenciários, que já dura quase duas semanas. Nas imagens é possível ver homens da polícia cortando as roupas dos detentos usando o que parece ser uma faca, para em seguida colocá-los nus em celas da unidade. Um dos presos chega a ser esmurrado pelo militar, que acompanhava a transferência e custódia dos presos.

Informações repassadas à emissora dão conta de que os 43 presos ficaram até 24 horas sem comer e beber, despidos, sem atendimento médico e nenhum contato com a família. A transferência aconteceu dias após o início da greve dos agentes, de forma emergencial. Nenhum preso estava sendo recebido nas unidades de detenção do estado, e assim a Central de Flagrantes ficou abarrotada, com quase 70 custodiados. Os delegados ameaçaram suspender a realização de novas operações, diante da situação alarmante.

Foi então que a transferência para Campo Maior foi autorizada pelo Estado. Sem os agentes, a custódia dos presos ficou por conta da Polícia Militar. Contudo, como faltava estrutura para deixá-los no presídio, que sequer havia sido oficialmente inaugurado, os presos foram levados para a Casa de Detenção de Altos. A situação dos presos nesta unidade foi denunciada ao Comitê de Prevenção e Combate à Tortura no Piauí, que por pouco não flagrou os detentos nus.

Fontes disseram ao 180 que tirar as roupas dos presos poderia ser uma estratégia da PM para impedir uma possível tentativa de fuga, já que os militares não têm orientações e conhecimento do protocolo a ser seguido neste tipo de transferência.

QUEBRADEIRA NA VEREDA GRANDE
Ao tratar sobre a situação nos presídios, em entrevista à TV Cidade Verde, o secretário de Justiça Daniel Oliveira disse que vai cobrar do sindicato dos agentes os valores a serem gastos com os reparos na penitenciária de Vereda Grande, em Floriano. Lá os presos quebraram paredes, arrancaram grades das celas, e removeram tijolos e barras de ferros, que foram usadas contra os agentes durante motim.

“Não vou aceitar que o governador e o Estado tirem dinheiro de escola, tire mdinheiro de hospital, para pagar o prejuízo deste motim”, disse Daniel, completando que o distúrbio nas unidades vem sendo provocado por uma “organização” que atua “de forma paralela ao Estado”. Ele estima que os gastos possam chegar a 1 milhão de reais.

Já o sindicato dos agentes informou ao 180graus que os reparos na unidade já foram feitos, usando apenas “10 sacos de cimento e uma carrada de areia”. José Roberto, presidente do Sinpoljuspi, diz que se de fato esse valor mencionado pelo secretário for repassado, com a justificativa de reparos, é preciso analisar se não se trata de tentativa de burlar a Lei de Licitações.

Respondeu ainda que, se o secretário irá acionar o sindicato pelos gastos, os agentes pretendem também entrar com uma ação, cobrando e imputando ao gestor a responsabilidade pelas dezenas de mortes ocorridas nas unidades prisionais do Piauí, em sua gestão.

AÇÃO DA POLÍCIA MILITAR
Daniel Oliveira disse ainda à TV que irá continuar cumprindo seu dever institucional, que é de manter preso dentro da prisão. E joga para o comando de greve a responsabilidade pelo aumento no nível de instabilidade nas penitenciárias. Sem receio, confirma que para garantir o “império da Lei, da ordem e da disciplina”, fará sim o uso progressivo da força.

 

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