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Situação do local é crítica · 19/05/2017 às 08h48 | Última atualização em 19/05/2017 às 10h07

Maternidade 'Evangelina Rosa' traz risco para vida dos bebês, diz CRM

Irregularidades continuam colocando em risco a vida de bebês e profissionais


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Se não bastasse os inúmeros salários atrasados dos técnicos de enfermagem da Maternidade Dona Evangelina Rosa, o local também está cheio de irregularidades, como constatou o Conselho Regional de Medicina do Piauí. O órgão fez uma fiscalização e as irregularidades continuam colocando em risco a vida de bebês e profissionais denunciam que trabalham no limite.

O CRM fez a fiscalização após receber denúncias de médicos que trabalham na maternidade e a realizou em várias dependências. Entre os principais problemas apontados estão a superlotação, inclusive, de pacientes sem complicações graves, que poderiam ser atendidas em maternidades de bairro da capital Teresina.

O motivo, segundo denúncias de plantonistas, é resultante de falhas junto à Central de Regulação do Estado, bem como pela falta de estrutura de hospitais e maternidades de bairros e de outros municípios que, em sua grande maioria, não conta com banco de sangue, pediatras, obstetras, anestesistas 24 horas e nem com laboratório próprio.

“Nós médicos e demais equipes de saúde estamos trabalhando no limite e sem estrutura adequada”, denunciou uma plantonista. Por conta de tantas irregularidades, o CRM-PI, que preside o Fórum Interinstitucional Permanente de Saúde, realizou na plenária do conselho uma reunião do fórum, onde foram convocados vários secretários de Estado, como o de Saúde, Administração, Fazenda, o presidente da FMS, Silvio Mendes, e diretores e gestores da MDER e de maternidades de bairros, além da diretoria da Central de Regulação do Estado, em busca de soluções prática, principalmente para acabar com a superlotação e a falta de condições de trabalho e de estrutura na MDER.

Pelo CRM-PI, a fiscalização contou com a presidente Drª Mírian Palha Dias Parente, com o vice-presidente Dr. Dagoberto Barros da Silveira e o médico fiscal Dr. Francisco Marivaldo, além da presença do Ministério Público Estadual, por meio da promotora Drª Karla Daniela Carvalho. Logo na entrada do hospital, a equipe de fiscalização ouviu relato de uma parturiente do município de Regeneração, que estava há 12 horas sem atendimento e não passou por regulação ou encaminhamento para avaliação do seu estado de saúde. Para o CRM-PI, é uma situação irregular e constrangedora para a paciente, inclusive com grande risco de infecção.

Os problemas mais graves foram encontrados nas alas do centro cirúrgico, onde faltam profissionais especializados suficientes para atender a grande demanda de partos cesarianas, bem como de locais adequados para recém nascidos, que precisam continuar internados e até passar por cirurgias, como prematuros ou nascidos com má formação genética. Segundo alguns médicos presentes no plantão, caso as pacientes fossem reguladas corretamente, haveria menos superlotação e mais condições de trabalho.

Segundo denúncias, a Central de Regulação encaminha pacientes em trabalho de parto e como justificativa informa, muitas vezes, que a razão do encaminhamento é falta de vagas em outras unidades de saúde.

O caos maior foi registrado no Centro Obstétrico Superior, onde os recém-nascidos graves mantinham-se internado dentro de salas cirúrgicas, onde eram realizados vários partos, apenas durante uma manhã de vistorias. Eles deveriam estar internados em ala própria. O grande problema constatado é que não há local apropriado e nem leitos disponíveis.

Outros recém-nascidos estavam internados em condições inadequadas, apenas com a utilização de berço aquecido e hidratação venosa, porém deveriam estar em leito de UTI neonatal e fora do Centro Obstétrico Superior, mas como não há vagas para todos, estão recebendo tratamento no local, de forma improvisada.

Outra falha grave apontada pelo CRM-PI e pelo MPE é que na sala de recuperação pós anestésica, pacientes que deveriam ficar em observação por no máximo duas horas, mas ficam no setor por 12 horas ou mais, por falta de leitos disponíveis nas enfermarias, geralmente superlotadas. Ainda na sala de recuperação pós anestésica, nem todos os leitos possuem monitores cardíacos, nem oxímetro de pulso, o que é obrigatório pelas normas de saúde. Uma das salas do centro cirúrgico estava sem ar condicionado e o piso e paredes contêm rachaduras, acumulando lixo e poeira, que podem causar infecções.

Na lavanderia da MDER, o CRM-PI flagrou funcionários trabalhando em condições insalubres e ruídos acima do permitido pela legislação trabalhista. Entre as irregularidades, falta de equipamentos de proteção individual, tais como máscaras específicas, luvas, vestimentas e botas de trabalho. A diretoria da maternidade será notificada e receberá prazo para cumprir as normas sanitárias de saúde.

Fonte: CRM-PI