Segurança é necessária · 19/06/2017 - 06h22

Novos medicamentos: até que ponto são realmente seguros?

Novos medicamentos: até que ponto são realmente seguros?


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O lançamento de um medicamento realmente novo no mercado é precedido por muitos anos de estudos (às vezes mais de uma década) e muitos milhões (ou até bilhões) de dólares gastos.

A cada nova molécula aprovada para uso, milhares de outras foram testadas e descartadas, em três fases de pesquisas. Após o lançamento no mercado como um medicamento, o monitoramento continua, tentando-se identificar situações, interações e efeitos adversos na grande variabilidade peculiar a raça humana, seja genética, etária, por comorbidades ou relativas a alimentação e hábitos.

Porém, todos estes testes realizados são atualmente questionados por diversos profissionais de saúde e da pesquisa em todo o mundo, por um simples motivo: quem financia e coordena estes teste são as próprias indústrias, o que obviamente gera conflitos de interesses.

Há uma corrente de pesquisadores e profissionais da saúde, principalmente nos EUA e na Europa, que estão pressionando as agências de vigilância sanitária (americana FDA e europeia EMA) para que os relatórios de testes dos medicamentos tornem-se públicos e pesquisadores independentes possam revisá-los e certificar que as informações prestadas as agências estão completas e corretas.

Toda esta pressão baseia-se em casos recentes de medicamentos retirados do mercado em decorrência de riscos não relatados anteriormente o da contestação da eficácia. Existem publicações que sugerem que estas ocorrências pode não ter relação somente com novos dados coletados na fase após o lançamento, mas também de omissões de dados já conhecidos e não divulgados às agências, aos médicos e consequentemente aos pacientes.

Ou seja, o fabricante e financiador da pesquisa, divulga os dados mais positivos e relevantes. Em um levantamento da Agência Alemã de Vigilância Sanitária, na comparação entre 1.080 conclusões oriundas de trabalhos científicos publicados e dados divulgados pelos relatórios das indústrias, apenas 39% haviam sido relatados, sendo excluídos dados como a não remissão de sintomas após o uso da medicação e de alguns efeitos colaterais.

Com a pressão realizada, a Agência Europeia de Medicamento (EMA) divulgou em outubro do ano passado, os dossiês de medicamentos completos enviados pelas empresas farmacêuticas, porém, somente o que fora lançado após janeiro de 2015, ficando de fora parte dos medicamentos já comercializados.

Ao tempo em que a Agência Europeia abria relatórios ao público, no mesmo período aqui no Brasil, uma pressão contrária realizada pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfama) buscava a criação de uma Lei que garanta um período de proteção aos dossiês de teste de medicamentos, argumentando haverá risco de vazamento de segredos industriais caso estes documentos tornem-se públicos, o que coloca em risco o desenvolvimento de novas drogas.