None pode atrapalhar cura · 14/03/2010 - 08h00

None Morinda citrifolia pode prejudicar o tratamento do câncer

None Morinda citrifolia pode prejudicar o tratamento do câncer


Compartilhar Tweet 1



Sei o que é ter um paciente com câncer na família, mas nunca permiti ao meu familiar fazer uso de produtos que desconheço as conseqüências do seu uso, principalmente os que, vez por outra, tornam-se modismo, principalmente entre as famílias de pacientes com este problema.

Recentemente, em conversa com o farmacêutico Manoel Pinheiro, que trabalha em um hospital de Teresina, que realiza tratamento de diversos tipos de câncer, há uma grande preocupação no que se refere a um modismo recente, que é o uso do none, Morinda citrifolia, pelos pacientes em tratamento oncológico. Mas até que ponto o none pode ajudar ou atrapalhar o tratamento. O que há de científico e o que há de superstição no uso desta planta?

De fato, há muitos trabalhos científicos em execução com o objetivo de avaliar se o noni realmente tem propriedades medicinais, como atividades antibiótica, antiinflamatória, analgésica, e, até mesmo, inibidora do câncer. O seu mecanismo de ação ainda é desconhecido, com alguns estudos em fase inicial (in vitro e em animais) sugerindo atividade antioxidante, anti-angiogênica e anti-tumoral, o que se deve a seus componentes, em especial às antraquinonas.

Em contrapartida, há relatos de algumas reações adversas associadas ao seu consumo. O suco de noni pode ocasionar elevação das enzimas hepáticas (lactato desidrogenase e transaminases), diminuir o trânsito gastrintestinal (interagindo com medicações que são usadas por via oral), potencializar o efeito dos antiinflamatórios e impedir o crescimento de novos vasos sanguíneos, devendo ser usado com cautela em pacientes com lesões e no pós-operatório. Alguns produtos de noni contêm alto teor de açúcar e de potássio, o que pode ser potencialmente prejudicial em diabéticos e doentes com comprometimento da função renal. Além disso, por conta do seu efeito antioxidante, o noni pode interagir com a radiação ionizante e os quimioterápicos, estando contra-indicado em pacientes em quimioterapia ou radioterapia.

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) levanta dúvidas sobre a finalidade e a segurança do produto. E cita ainda, diversos relatos de casos devidamente publicados em revistas científicas indexadas sobre a associação do consumo do suco de noni a casos de toxicidade hepática. Também, ainda é muito grande a falta de estudos sistemáticos avaliando o suco de noni em humanos nos países onde o produto é comercializado. Por conta disso, a ANVISA proibiu a comercialização de produtos contendo noni no Brasil até que os requisitos legais que comprovem de sua segurança de uso sejam atendidos.

Nessas condições, verifica-se que as publicações científicas a cerca do noni ainda

necessitam de uma avaliação mais precisa que ateste tanto a segurança quanto a eficácia deste como medicamento natural. Tal avaliação de segurança/eficácia é de grande valia em tratamentos para problemas de saúde complexos como o câncer.

Dessa forma e, tendo em vista também as suas possíveis propriedades antioxidantes, até o presente momento não é aconselhável o uso do noni por pacientes em tratamento oncológico.

Fonte: Material cedido pelo Dr. Manoel Pinheiro