Diabetes · 06/04/2017 às 15h08

Estudo sobre efeito do diabetes no coração poderá produzir novos medicamentos

Estudo sobre efeito do diabetes no coração poderá produzir novos medicamentos


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O diabetes, doença que caracteriza-se por um nível elevado de glicose no sangue, e é responsável por uma série de complicações no organismo, como a cegueira, problemas vasculares (nas veias e artérias) e problemas cardíacos, que são responsáveis por 65% das mortes relacionadas com a diabetes.

Recentemente, um estudo conduzido por investigadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no Brasil, em colaboração com cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, da Universidade do País Basco, em Espanha, da Universidade de La Plata, na Argentina, e da FIOCRUZ e UNICAMP, no Brasil, confirmaram que o aumento dos níveis de glicose associados à diabetes causa uma inflamação específica que afeta diretamente o coração e decidiram investigar este processo.

A pesquisa foi conduzida ao se provocar o diabetes em ratinhos controle (normais) e em ratinhos preparados em laboratório, que se tornaram incapazes de produzir um tipo específico de inflamação relacionada com a produção da IL-1-beta.

O estudo constatou que os dois grupos de animais apresentavam um aumento similar nos níveis de glicose, mas apenas os ratinhos controle apresentavam um ritmo cardíaco alterado. Adicionalmente, verificou-se que os animais que não produziam a IL-1-beta sofriam muito menos de arritmias, mesmo quando estavam sob o efeito de cafeína ou dobutamina, fármacos que promovem a taquicardia ventricular.

Os investigadores verificaram que havia uma grande quantidade de IL-1-beta em circulação, especialmente no coração dos ratinhos diabéticos de controle. Observou-se também que a IL-1-beta alterou a função cardíaca quando administrada nos corações de ratinhos sem diabetes ou em células cardíacas humanas.

Posteriormente, os investigadores testaram com sucesso dois fármacos que inibem especificamente este processo inflamatório, o MCC-950 e o anakinra. O primeiro bloqueia a produção da IL-1-beta, enquanto o segundo impede que esta interleucina tenha efeitos ativos nas células do organismo. Na verdade, este último já está a ser utilizado no tratamento de algumas doenças autoimunes, como é o caso da artrite reumatoide. Os investigadores conseguiram reverter as alterações cardíacas nos ratinhos diabéticos.

Emiliano Medei, líder do estudo, refere que a inflamação é uma ferramenta importante para combater as infecções, que termina habitualmente quando o intruso é removido. No entanto, no caso da diabetes não há infecção, mas a hiperglicemia persistente estimula o sistema imunitário a produzir uma inflamação constante, com uma grande produção de IL-1-beta.

O investigador acredita que estas novos medicamentos são bastante promissores no tratamento da doença cardíaca causada pela diabetes. Porém, enquanto novas drogas não são produzidas, o importante é prevenir e conhecer o diabetes!

Fica então a pergunta: a quantas anda o seu nível glicêmico. Faça um teste!

Fonte: com informações de ALERT Life Sciences Computing, S.A.