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Violência contra a mulher - 21/05/2017 às 16h23

Em dois anos, Lei do Feminicídio pune apenas uma pessoa; confira

Antonio das Neves - Peritos Associados
comserv

Passados mais de dois anos desde a instauração da Lei do Feminicídio no Brasil, o estado da Bahia registra apenas uma condenação, que prevê a violência de gênero como agravante. O caso ocorreu há cerca de uma semana, quando o Tribunal do Júri de Salvador condenou Rubervaldo Soares dos Santos Júnior a 20 anos, nove meses e 22 dias de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da companheira, que estava grávida dele.

À pena estão somados cinco anos de prisão, porque, segundo o Ministério Público da Bahia (MPE), o crime foi praticado “contra mulher por razões da condição de sexo feminino” e, além disso, o assassinato ocasionou aborto, considerado crime nas leis brasdileiras.

Para a desembargadora e coordenadora da Mulher do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), Nágila Brito, a demora para esse tipo de condenação ocorre porque os crimes que envolvem qualquer atentado à vida “exigem mais cuidado e passam por muitos trâmites”. Além disso, ela destaca o fato de as defesas dos acusados recorrerem até a última instância, como forma de ganhar tempo e adiar o julgamento.

“Tudo se recorre nesse país, porque são muitas instâncias, porque [a defesa] ganha tempo, atrasa e se esquece o abalo do crime. O júri vai muito no emocional [durante o julgamento], a população se revolta. Quanto mais demora para isso ocorrer, a tendência é que a sentença seja amenizada”, observa a desembargadora, que destaca a importância de considerar o machismo em qualquer tipo de violência contra a mulher, mesmo que a Justiça “seja cega”.

“Vejo os noticiários e fico apavorada. Os homens matam uma e parecem deixar outra para o dia seguinte. A Justiça, nesse aspecto, tem que ser cega, mas na questão de não observar quem são as partes. Porém, [a Justiça] tem que ter olhos abertos para verificar que o crime contra as mulheres era invisível e não será mais, como injúria, estupro, lesão física, violência psicológica. Nós, mulheres, fomos criadas para ser submissas, isso é inadmissível”, comenta a magistrada.

Apesar da lentidão durante todo o processo, até o momento da sentença final, Nágila Brito cita ações do Judiciário, no sentido de dar celeridade e respostas à população, como forma de amenizar o sentimento de impunidade. Um dos pontos citados por ela é a Campanha Justiça Pela Paz em Casa, que ocorre três vezes ao ano, quando o Judiciário de cada estado intensifica ações como júris de feminicídio, audiências ligadas à Lei Maria da Penha, medidas protetivas e sentenças que envolvem todo tipo de violência contra a mulher. Criada pela presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, a campanha mobiliza tribunais do país, durante uma semana, três vezes por ano.

Embora os mutirões atuem no sentido de dar celeridade aos casos de violência de gênero, a magistrada do TJBA alerta para a dificuldade que as mulheres encontram, no início do processo, como o momento da denúncia. Para ela, muitas mulheres se sentem desacreditadas e desencorajadas a seguir adiante, seja por despreparo dos profissionais que deveriam prestar apoio, seja por ações machistas, que motivam questionamentos que põem a vítima em “situação constrangedora”.

“Essa é a nossa grande preocupação: capacitar a polícia, que é a primeira porta onde a mulher bate. Não temos delegacias especializadas para a mulher, que sejam suficientes para tanta busca de ajuda. [As vítimas] vão aonde a maioria é de homens, que não fazem o acolhimento adequado. Estamos nessa luta com palestras e capacitação, todos devemos ser capacitados para ter outro olhar. Elas ficam desacreditadas quando não são bem acolhidas”, observa Nágila.

Essa dificuldade ocorre até mesmo em casos em que há tentativa de intervenção em uma situação de violência. A atriz Letícia Paulina conta que presenciou uma briga de casal, no estacionamento de um hipermercado em Salvador. A mulher era espancada, com socos e um capacete, pelo homem, que aparentava ter um relacionamento com ela. Com medo, Letícia acionou os seguranças do local, que se negaram a ajudar, alegando ser “briga de marido e mulher”.

“Ele deu dois murros no rosto dela, além de bater com o capacete, porque ela tentava pegar o celular que ele havia tomado. Enquanto isso, pessoas passavam e nada faziam, além de piadas. Os seguranças se aproximaram, mas disseram que não fariam nada. Ele tentava enforcá-la, gritei muito, ele subiu na moto e acelerou com ela em cima. Não sei em que aquilo acabou, mas denunciei a atitude dos funcionários ao supermercado e sinto não poder ter feito algo por ela”, conta a atriz, que também ligou para a delegacia para contar a omissão dos seguranças. Mesmo assim, disse ter sido desencorajada a seguir a denúncia, porque não seria possível encontrar vítima e agressor.

A orientação de instituições de defesa de direitos humanos, inclusive da mulher, é de que qualquer situação de violência seja denunciada nas delegacias, ou pelo Disque 180. Esse tipo de atitude pode partir de qualquer pessoa que tenha presenciado alguma situação ou que suspeite de violência contra alguma mulher. O objetivo é incentivar as denúncias, que muitas vezes não são feitas pelas vítimas por medo ou ameaças recebidas.

Pensando na dificuldade que algumas mulheres passam em delegacias para fazer a denúncia, a militante feminista Sandra Muñoz atua pessoalmente, dando apoio e suporte a essas mulheres. Nas redes sociais, ela divulga o próprio telefone celular e oferece acompanhamento a qualquer mulher vítima de violência, até a delegacia ou durante o exame de corpo de delito, que comprova as agressões físicas.

“Quando vi esses relatos [de falta de acolhimento], comecei a me preocupar. Desde pequena, vi minha mãe sofrendo violência do meu pai. Desde então, não parei de lutar pelos nossos direitos. Passei a acompanhá-las porque não são respeitadas e há uma mania de romantizar essa violência: geralmente pedem que a vítima dê uma chance ao agressor ou sugerem que ele vai mudar. Não há acolhimento, muitas vezes. Homem não tem de estar em delegacia de mulher, atendendo mulher”, argumenta a militante, que é uma das coordenadoras do coletivo Marcha das Vadias.

De acordo com a Secretaria de Política Para as Mulheres da Bahia, o estado é o segundo no Brasil com maior número de feminicídios e quinto no ranking mundial. Somente entre os meses de janeiro e março, deste ano, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia registrou mais de 10 mil casos de violência contra a mulher em todo o estado. Os casos se referem a agressões, estupros e assassinatos. Somente na capital, Salvador, são mais de 2,5 mil registros, o equivalente a 25% do total de casos. O levantamento leva em conta mulheres acima de 18 anos.

Em relação ao estupro, foram 85 em nível estadual, incluindo 23 na capital baiana, no primeiro trimestre de 2017. Segundo a SSP, os meses de abril e maio já registram casos de violência de gênero, mas ainda não há dados quantitativos.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

Será quarta, 17, de 07h às 18h - 16/05/2017 às 17h07

Conselho Municipal de Saúde promove plenárias acerca da saúde das mulheres

O Conselho Municipal de Saúde de Teresina juntamente com a Fundação Municipal de Saúde realizará a I Plenária de Saúde das Mulheres e da I Plenária de Vigilância em Saúde que serão realizadas nesta quarta-feira (17/05), no auditório do Conselho Regional de Enfermagem (COREN-PI), localizado na Rua Magalhães Filho, 655, Centro/Sul.

O objetivo do evento é falar sobre a saúde da mulher no contexto do SUS, desmistificando o serviço e tratamento que é oferecido pelo programa. É importante a participação da população para possa massificar as propostas que serão oferecidas acerca da vigilância na saúde, assim como a saúde das mulheres.

Confira a programação do evento:

MANHÃ

07h30 às 10h30 – Credenciamento
07h30 – Apresentação Cultural
08h00 – Abertura Oficial
08h30 – Leitura do Regimento
09h00 às 09h30 – Mesa 01
Saúde das Mulheres: Desafios para integralidade com Equidade
Palestrante: Macilane Gomes Batista
Assistente Social, secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres, mestranda do Programa de Pós-graduação em Sociologia da UFPI.
09h30 às 11h30 - Debate e levantamento das propostas

12h00 às 14h00 - Intervalo para almoço

TARDE

14h00 às 14h30 – Mesa 02
Vigilância em Saúde: um desafio no SUS
Palestrante: Carlos Alberto Rodrigues de Oliveira
Professor Mestre em Vigilância em Saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-FIOCRUZ), enfermeiro do Hospital Universitário da UFPI, e enfermeiro da FMS.
14h30 às 16h30 – Debate e levantamento das propostas
16h30 às 18h00 – Plenária finale eleições de delegados
18h00 – Encerramento e orientação aos delegados

Veja o que os dados apontam! - 15/05/2017 às 08h03

De casa para o trabalho: como a dupla jornada afeta a vida das mães

Antonio das Neves - Peritos Associados
comserv

Às 6h da manhã o despertador toca e começa a correria: café da manhã, dar banho nos filhos, correr para atender os horários da escola complementar e do trabalho. Nesse momento, uma vasta agenda e orientação de equipe. No intervalo para o almoço, outra maratona: sair do trabalho, buscar as crianças, dar almoço, levá-las ao colégio e voltar para a agenda laboral.

Essa é parte da rotina da servidora pública Caroline Paranayba, de 35 anos, mãe de dois filhos: Enrico (4) e Lorenzo (6). "É um grande desafio. Por mais que eu tente agregar soluções, às vezes não encontro serviços que possam se conectar aos meus horários de trabalho", afirma.

Segundo a pesquisa "Mercado de Trabalho: conjuntura e análise", publicada em abril deste ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a elevação da participação feminina no mercado de trabalho configura-se como um dos fenômenos mais marcantes ao longo das últimas décadas. Ainda assim, as atividades dedicadas aos afazeres domésticos recaem majoritariamente sobre as mulheres, o que traz consequências ainda mais significativas para as mães.

De acordo com a socióloga Lourdes Maria Bandeira, da Universidade de Brasília (UnB), ainda existe a cultura da divisão sexual do trabalho onde cabe às mulheres - mesmo àquelas que trabalham fora de casa - a responsabilidade de acompanhar os filhos. As que não trabalham fora ficam com a responsabilidade integral de cuidados da família, além dos cuidados da casa.

Fim do expediente. Hora de sair do trabalho, buscar as crianças na escola, dar banho, preparar o jantar, fazer os exercícios da escola, ter o momento de interação para processar todas as vivências do dia e, então, colocá-las para dormir.

"Além da responsabilidade de ser mulher, tem a responsabilidade de ser mãe. E ser mãe significa que a sociedade ainda cobra delas o acompanhamento e sucesso dos filhos. Se eles têm problemas na escola, ou se possuem alguns conflitos quando adolescentes, a responsabilidade ainda é delas", avalia a socióloga.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que,nas atividades de afazeres domésticos, as mulheres trabalham, em média, pelo menos o dobro que os homens. No Brasil, essa diferença é ainda mais expressiva. Enquanto os homens dedicam aproximadamente onze horas semanais a afazeres domésticos, entre as mulheres brasileiras, a média de horas dedicadas a essas atividades é em torno de vinte e seis horas. No mercado de trabalho, os homens brasileiros trabalham, em média, quarenta e três horas por semana, enquanto as mulheres trabalham em torno de trinta e seis horas por semana. Considerando o total de horas trabalhadas, a média para as mulheres, 62 horas semanais, é superior à dos homens, .

Essa realidade tem transformado a configuração da sociedade, como a diminuição da taxa de natalidade. "Em nossa sociedade, ser dona de casa ou ser mãe não tem nenhum reconhecimento do ponto de vista institucional. Em outras sociedades - como a Noruega e a Dinamarca, por exemplo -, o fato de procriar futuros cidadãos para o Estado traz a garantia de direitos previdenciários", afirma Lourdes. Para a socióloga, o tempo de trabalho em que as mulheres se doam em detrimento da criação dos filhos é dado gratuitamente ao Estado, quando não computado nas contas públicas.

http://infogr.am/brasil_proporcao_de_homens_que_realizaram_afazeres_domesticos_2001_2015

Uma das formas de melhorar a realidade das mães seria, de acordo com Lourdes, a adoção de políticas de incentivo por parte do Estado. "Uma solução seria a extensão de licença paternidade - para a criação de nova cultura de divisão das responsabilidades na criação dos filhos -, incentivo a jornada de trabalho de 6 horas, salas de aleitamento nos locais de trabalho, além do acesso a creches", pontua.

Ao ser uma alternativa para o cuidado dos filhos, a creche pode influenciar de forma significativa a decisão da entrada da mulher no mercado de trabalho. Essa é a opinião de Caroline que, apesar de poder contar hoje com uma estrutura de apoio de amigos, destaca as dificuldades enfrentadas por ela nos primeiros anos dos filhos. "Eu passei por muitos momentos difíceis quando as crianças eram menores por conta da falta de creche", lembra.

Diana Mello, advogada e pesquisadora, também passou por isso. Mãe solo de um menino, agora com 4 anos, ela só conseguiu concluir o mestrado, dois anos atrás, com a ajuda de amigos, que cuidavam do João, enquanto terminava a dissertação. “Isso começou a me dar ideias para criar uma rede social em Brasília para que as mães pudessem viver mais tranquilas. Eu comecei a divulgar isso para que mães sozinhas se juntassem para cuidarem dos filhos umas das outras de forma que todas tivessem um tempo livre”, explica.

O conceito de creche parental, adotado por ela, tem se popularizado no Brasil e é uma alternativa de solução a essa dificuldade das mães. Mas mesmo para as que têm um companheiro a demanda recai sobre os ombros delas.

De acordo com a especialista Lourdes, o Brasil tem uma memória histórica de famílias centradas no patriarcado, ou seja, na figura e na importância da autoridade masculina. Essa cultura faz com que mulher e filhos “incorporem determinadas obediências”, não só do ponto de vista material, mas também simbólico. Por isso, muitas mulheres se responsabilizam pelos cuidados com os filhos porque “já são criadas e socializadas nesses valores”.

Foi por esse motivo que a técnica de laboratório Patrícia Monah Cunha Bartos Gomes se viu tendo que ensinar o marido a lavar o banheiro, cozinhar arroz e a cuidar minimamente da casa e do pequeno Santiago, de três meses. “Ele chega do trabalho, deita, descansa, lê um livro. Mas eu, quando chego, não dá pra esperar. Vou direto limpar o que está sujo, arrumar tudo o que precisa”, conta a doutora em Botânica. Além das tarefas domésticas e dos cuidados com o bebê, ela ainda cuida de um canil e faz atendimentos terapêuticos.

“O mais difícil é que não foi desenvolvido o senso de que ambos sujamos e ambos devemos limpar. Acho que vem muito da criação machista, que eu também tive com a minha mãe”, explica. No caso dela, no entanto, a demanda era a da sobrecarga: “Já cheguei a apanhar da minha mãe porque o quarto do meu irmão estava bagunçado”.

Segundo dados da PNAD 2013, os meninos de 10 a 14 anos passam, em média, 2,7 horas por semana em atividades domésticas. Já as meninas passam cerca de 7,6 horas. “A gente vê que as meninas ganham brinquedinhos de vassourinha, panelinha, ferro. E os meninos não. E isso é uma coisa que eu quero fazer diferente com meu filho”, comenta.

De acordo com o Ipea, a presença de filhos entre 0 e 5 anos é um fator inibidor da entrada da mulher na força de trabalho; porém, a presença de filhas adolescentes (com mais de 13 anos de idade) sugere a geração de incentivos na participação da mulher no mercado de trabalho, a medida em que haveria uma realocação das obrigações domésticas entre mãe e filha (para o cuidado da casa e dos filhos menores, por exemplo).

Por outro lado, existe um seguimento das mulheres mais jovens que resolveu romper com a conjugalidade e com a condição de serem mães e investem mais na vida profissional.

A coordenadora de Gênero, Raça e Gerações do Ipea, Ana Amélia Camarano, defende que as condições inerentes à reprodução, antes e depois do parto, bem como as diferenças no grau de escolaridade e de expectativa de vida, justificam uma legislação distinta para aposentadoria de mulheres e homens. Segundo ela, essas particularidades precisam ser observadas, até como forma de incentivar a natalidade. “Hoje em dia, a mulher opta e vai continuar optando por não ter filhos. E sem natalidade não há sistema previdenciário que se sustente”, conclui.

Crianças na cama, momento de retornar para a agenda de dona de casa, analisando compromissos e orçamentos. E não é raro ter de levar serviço para casa e trabalhar até 23h30, meia-noite. Fim de todos os expedientes, hora de dormir.

Fonte: Agência Brasil

Da designer Lorena Kaz - 17/04/2017 às 10h42

Cartunista cria tirinhas e ajuda mulheres superar a dependência emocional

Antonio das Neves - Peritos Associados
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Iniciado há 4 anos no Facebook (fb.com/projetomorrerdeamor), a série de quadrinhos sobre dependência emocional produzidos pela ilustradora Lorena Kaz tomou forma e agora compõem o livro homônimo Morrer de Amor e Continuar Vivendo. Lançado no mês de março pela jovem Amora Editora, o exemplar contém 64 histórias em quadrinhos que tratam de temas como autoconhecimento e relacionamentos, além de outros mais profundos, como dependência emocional e empoderamento feminino.

As primeiras tirinhas do projeto foram criadas a partir de histórias autobiográficas e, posteriormente, com experiências relatadas em grupos de apoio dos quais Lorena fez parte e de seguidoras da página na internet – atualmente com mais de 176 mil curtidas. "Mais de 40 pessoas por semana me escrevem mensagens de apoio ao projeto, relatos de vida e pedidos de ajuda. Estes contatos me animam muito e me fazem pensar o quanto o projeto é necessário e que estou indo pelo caminho certo".

Em setembro de 2016, durante a 4ª Feira do Livro de Diadema (SP), Lorena conduziu ao lado da psicóloga Angélica Rente o evento Expressando Relacionamento, roda de partilha e arte. Com inspiração nos encontros do grupo MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas), o qual frequentou, as participantes foram convidadas não só a narrar suas histórias, mas também a expressarem seus sentimentos por meio das artes gráficas.

"Durante anos acreditei que minha felicidade e realização pessoal dependiam do meu relacionamento afetivo. Não me sentia capaz de ser feliz sozinha. Com terapia percebi que tinha um alto grau de dependência emocional e que poderia mudar minhas relações se trabalhasse minha autoestima", explica Lorena. "Agora quero ajudar outras mulheres a se valorizarem e saírem da situação de abuso e dependência emocional dentro do relacionamento afetivo".

Na página do projeto no Facebook, a artista publica relatos de seguidoras sobre experiências em relacionamentos para desmistificar estereótipos e aprofundar um pouco mais o conhecimento geral sobre o tema. "Fala-se muito de abuso físico, mas muito pouco sobre outros tipos de abuso, como o verbal e o psicológico ou sobre os motivos que mantém uma pessoa presa ao relacionamento abusivo".

O grande cartunista Ziraldo Alves Pinto, tio de Lorena Kaz, afirma não ter visto nenhum trabalho parecido no mercado editorial, o que a torna uma inventora. “Seu novo livro está aí, tão inteligente nas suas invenções e tão criativo quanto as coisas têm que ser no universo que ela escolheu - ou que a escolheu - para habitar com seu talento.”

Para Silvio Testa, sócio-fundador da Amora Editora, a ilustradora Lorena Kaz foi a escolha certa para a estreia da empresa no mercado. "Nosso foco principal é buscar emocionadores que toquem os leitores ao abordar sentimentos que ampliam horizontes, contribuam para o autoconhecimento e provoquem transformações".

A autora do projeto
Lorena Kaz tem 34 anos, é artista gráfica e ilustradora, formada em Desenho Industrial pela PUC-Rio. Em 2015 lançou o livro “Uma lhama no cinema” (editora Conrad). É autora de várias ilustrações para livros infantis. Seus trabalhos podem ser vistos no site lorenakaz.com.

capa_morrer_de_amor.jpg

Fonte: AsCom

Espaço importante - 15/04/2017 às 13h59

Redes sociais são ponto de apoio para vítimas de relacionamentos abusivos

comserv
Antonio das Neves - Peritos Associados

"Quantas vezes me vi no banheiro da casa dele, toda encolhida, sentindo a saliva quente dele no meu corpo enquanto ele gritava? 'Pare de chorar como um neném. Você é louca. Ninguém mais te aguentaria.' Quantas vezes fiquei tremendo ali no chão, contando as respirações, quase sufocando num ataque de pânico causado por um desses acessos de loucura? Mas ele nunca me bateu". O relato, que faz parte de artigo escrito pela advogada Reut Amit, mostra que relacionamentos abusivos não são tão fáceis de serem identificados. Como descreve Reut, não é apenas quando se é espancada que se está em um relacionamento abusivo.

A internet têm se tornado um espaço importante tanto como apoio quanto como fonte de informações a vítimas de relacionamento abusivo. Comunidades, redes de discussão e mesmo grandes campanhas online têm ganhado cada vez mais espaço.

Para citar exemplos, nas últimas semanas, duas grandes campanhas, que surgiram a partir de situações de abuso, ganharam destaque nas redes sociai: #EuViviUmRelacionamentoAbusivo e "Mexeu com uma, mexeu com todas" e ficaram entre os tópicos mais comentados na web.

Milhares de mulheres demonstraram apoio umas às outras e expuseram diversos casos de agressão. Os relatos evidenciam que falta apoio às vítimas e mostram a dificuldade em, muitas vezes, reconhecer-se como vítima de um relacionamento abusivo. Outras campanhas já fizeram eco na internet discutindo o mesmo tema, entre elas #EleNãoTeBate, mas e #MeuAmigoSecreto.

Internet

Para as vítimas, a internet é um espaço importante tanto no processo de obter informação e identificar um relacionamento abusivo, quanto no apoio. A estudante Kaline Oliveira, 31 anos, foi uma das mulheres que, pelo Twitter, assumiu nesta semana que viveu um relacionamento abusivo. “Já fazem dois anos, desde o fim do meu namoro, e aprendi a detectar, pelo menos eu acho, alguns traços de homens abusivos. Não vou dizer que estou totalmente de boa para um próximo relacionamento, porque as marcas ficam, mas acho que fiquei mais esperta”, diz.

Para ela, a rede social é de extrema importância “porque não nos sentimos sós, nos mostra o que é certo e errado em diversos aspectos e nos encoraja a tomar uma atitude pelo bem da nossa vida. Porque é isso que é ser mulher nos dias de hoje, é uma luta contínua pelo direito de viver, infelizmente”.

Como muitas vítimas, Kaline não reconhecia que estava em uma relação abusiva. “Acreditava que era o jeito dele, 'diferente' de se importar, mesmo com tantas pessoas ao meu redor, me mostrando o contrário”, conta. “Eram brigas intermináveis, por ciúmes, por coisas mínimas, sabe? Se a gente estava numa festa e eu involuntariamente olhava pro lado, já escutava um 'tá olhando para quem?', se eu era simpática, ou sorria para algum amigo dele ouvia 'gostou dele? quer ficar com ele?'" Segundo ela, levou mais de um ano para se ver livre da relação e, hoje, estar mais confortável para falar sobre o abuso.

A artista visual Brenda Rios, 18 anos, também teve um relacionamento abusivo e o relatou no Twitter na última terça-feira (11). “Acho que em nenhum lugar você se sente à vontade e mais segura para contar sobre isso, talvez a internet traga uma abertura maior e um sigilo”, diz. ”Eu venho de um período de aceitação do que aconteceu e que é necessário agora expor minha história. Mas, no fundo, claro que eu, como outras mulheres, tenho medo do que as pessoas vão achar, de ser julgada e muitas vezes de ser condenada”.

A relação de Brenda durou seis meses. “O relacionamento abusivo, normalmente começa muito velado, como se os abusos que acontecem fossem apenas preocupações e carinho que a outra pessoa tem por você. É tão enraizado na nossa sociedade, de que o ciúmes e a preocupação extrema é algo bom, que essa pessoa apenas se preocupa e te ama, acho que nos sentimos dramáticas e loucas de achar que isso é algo ruim”.

Brenda relata que o parceiro, entre outras situações de abuso, queria controlar o que fazia sempre e demandava muita atenção argumentando que se o amava devia fazer tudo com ele. Ele a fazia se sentir constantemente culpada. “Tudo que está nas redes sociais ganha mais visibilidade”, diz. “Falar sobre abusos é extremamente importante para as mulheres não deixarem passar por essas situações e cortar pela raiz o crescimento da violência contra a mulher. Acho que traz mais coragem e força para elas entenderem que não é um cuidado, o que acontece é um abuso sim”.

Rede de apoio

Para a cofundadora do coletivo Mete a Colher, Renata Albertim, um relacionamento abusivo é todo e qualquer relacionamento que deixa a mulher em situação de inferioridade ou humilhação, seja por tom agressivo na fala ou nos gestos. “É toda a relação em que a mulher se sente de alguma forma inferior, abalada psicologicamente, com medo da relação”.

O coletivo, que surgiu nas redes sociais, tem como principal missão enfrentar a violência doméstica e ajudar mulheres a entender, evitar e se livrar de relacionamentos abusivos. “A internet contribui demais, está aumentando o alcance da informação, que antes ficava em pequenos grupos de pessoas que trabalhavam com isso”, diz Renata. Ela acrescenta: “Elas se sentem muito mais seguras para falar na internet, sentem-se mais fortalecidas. Sentem que não estão sozinhas”.

O nome do coletivo vai contra o ditado “Em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, por acreditar que é responsabilidade também de quem está em volta informar e ajudar as vítimas de relacionamentos abusivos.

Outro exemplo de apoio online é o projeto Morrer de Amor - Apoio Emocional, criado pela ilustradora Lorena Kaz, após viver um relacionamento abusivo. Ela começou fazendo histórias em quadrinho para tratar de questões sociais e relacionamentos. Com o lançamento de um livro, fez a página para divulgá-lo. A intenção era ter um espaço de identificação para mulheres - e também homens - vítimas de relacionamentos abusivos: uma espécie de terapia em grupo, como define.

“Para a vítima conseguir sair é importante perceber que tem alguma coisa errada. Depois, precisa ter coragem de pedir ajuda e de mudar. A internet é importante nesse processo, a vítima consegue perceber que tem algo errado vendo outros relatos, se identificando”.

Segundo Lorena, nas comunidades online, as vítimas recebem apoio inclusive fora da rede. “Tem muita gente te apoiando e te encorajando, até mesmo em coisas reais. Tem gente que diz que precisa de um lugar para dormir e outras pessoas oferecem a própria casa”.

Denúncias

Um dos principais canais de apoio às vítimas é o Ligue 180, ligação que pode ser feita gratuitamente, de qualquer lugar do país. De acordo com os últimos dados, divulgados este ano, o Ligue 180 registrou um aumento no número de denúncias em todo o país de 51% em 2016 em relação a 2015. Foram cerca de 1,3 milhões, mais de 3 mil atendimentos por dia. Metade dessas denúncias são de violência física, 31% de violência psicológica e 5% de violência sexual.

Em 65% dos casos, a violência foi praticada por homens contra as companheiras. E em 38%, o relacionamento entre a vítima e o agressor tem mais de 10 anos de duração.

O Ligue 180 foi criado pela então Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, em 2005, para servir de canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país. Hoje a secretaria foi integrada ao Ministério da Justiça.

Também está disponível uma lista, por estado, da rede de atendimento em cada cidade.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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