Critica e resumo · 17/07/2017 - 17h34

Game of Thrones S07E01: O inverno chegou, e Daenerys também

Game of Thrones S07E01: O inverno chegou, e Daenerys também


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episódio 7.01 de Game of Thrones, "Dragonstone"

Para quem não acompanha Game of Thrones, a internet deve ficar praticamente ‘intransitável’ em época de estreia de temporada. Chegado o grande dia e o aguardadíssimo episódio, a pergunta que fica é apenas uma: atendeu às expectativas?

Sete anos adentro, não é difícil observar o padrão estabelecido por Game of Thrones, que costuma trazer de fato uma season premiere pouco movimentada, a fim de reintegrar todos (público e personagens) naquele universo. Na penúltima temporada não seria diferente, embora o clima em Westeros não seja o mesmo (literalmente) com o qual estávamos acostumados.

O inverno chegou e o fim da história está virando a esquina; assim, algumas relações se tornam mais endurecidas e certos arcos precisam ir direto ao ponto. Sem pestanejar, David Benioff e D.B. Weiss entregam ao público um cold open de encher os olhos, um artifício pouquíssimo usado na série até então; de uma certa forma, esta abertura já escancara que o público pode esperar a mesma velocidade dos próximos seis episódios que irão compor a temporada.

Em uma primeira impressão, o título do episódio engana. Quando “Dragonstone” foi anunciado, a primeira conclusão era de que a hora seria focada em Daenerys Targaryen chegando justamente a Pedra do Dragão, mas o significado do nome é um pouco mais obtuso. De forma inteligente, a primeira hora da 7ª temporada amarra duas pontas da história com uma simples conclusão: os nortenhos precisam de vidro de dragão para lutar contra os Outros; e Pedra do Dragão calha de ser o lugar onde o artefato existe de sobra. E também — convenientemente — onde o time Targaryen obviamente desembarcou.

A conveniência de certas guinadas do roteiro não passa despercebida, e é um dos pontos fracos do episódio. Para os mais aficionados, a fragilidade do enredo não é uma novidade, visto que o forte da série sempre foram as exacerbadas cenas de ação. É um tanto preguiçosa a maneira que o arco narrativo de Sam Tarly (John Bradley) em Vilavelha é inserido na história, e isso piora com a inserção da montagem que serve para mostrar a rotina do jovem. Embora eficiente, a montagem é uma tentativa (fraca) de fazer humor que destoa da rapidez do restante do episódio — e da condução geral da série.

Em um primeiro momento, a impressão que fica é de que Sam é apenas um ‘tapa-buraco’ que por um acaso do destino conseguiu encontrar a exata resposta de que Jon precisava folheando um dos milhares de livros da biblioteca da Cidadela. O relacionamento de Sam com os Meistres e com os seus ensinamentos é provavelmente mais complexo do que isso, mas este não parece ser um ponto da história com o qual a série já esteve ou possivelmente estará disposta a aprofundar. Se você não é de uma das Casas principais, sua história está fadada à superficialidade. Isso, infelizmente, é apenas um fato.

Mas isso não significa que “Dragonstone” não tenha tido seus grandes momentos, e estes foram justamente os que aconteceram ao norte. Jon (Kit Harington) se estabelece como Rei, mas não sem alguns estranhamentos com Sansa (Sophie Turner). Ao longo dos anos, a filha de Ned Stark tornou-se uma das personagens favoritas do público, e as lições políticas que aprendeu às duras penas a transformaram na mulher que é na temporada atual. Ela não teme impor a própria voz e exigir ser ouvida, mas isso escancara um tipo de ruptura entre ela e Jon. Embora seja algo interessante mostrar a dinâmica flexível entre os dois, parece inconsistente mostrá-la o questionando em público em um momento, e no momento seguinte elogiando o seu comando em particular. Há um potencial equilíbrio de forças e um crescente respeito mútuo ali, mas essa breve contradição de Sansa parece o resultado de um roteiro ruim — sobretudo porque foi ela quem disse, na 6ª temporada, que os dois deveriam trabalhar juntos. Indo um pouco além, a forma como observa muito e diz pouco mostra que ela enxerga os pontos fortes e fracos de Jon, mas o ‘Rei do Norte’ ainda demonstra subestimá-la um bocado — seria essa a porta de entrada para as maquinações de Mindinho (Aidan Gillen)?

Ao sul das Gêmeas, Cersei (Lena Headey) continua sendo a mesma personagem adoravelmente odiável, e sua aparição é breve e sem novidades; apenas evidencia que ela tem plena consciência de que está rodeada de inimigos, “ao sul, a leste, a oeste e ao norte”. Sua sanidade mental parece cada vez mais fragilizada — após perder os três filhos e ver aos poucos a profecia de Maggy, a Rã ir se concretizando, o que mais poderia se esperar? — mas ela esclarece que tem um plano para deter seus inimigos.

Alguém avisou a ela sobre os dragões? Ok…

O que é interessante nesta apresentação é notar Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) cada vez mais reticente com a irmã. O que ela talvez não perceba é que a explosão do Septo de Baelor pode ter trazido a ele lembranças bastante desagradáveis do Rei Aerys II Targaryen, o Rei Louco, e sua obsessão por ver pessoas queimando. À medida que o tempo passa, a Rainha Lannister se torna um espelho cada vez mais evidente do último Rei Dragão.

Aagora que a história está toda em Westeros, os locais “menos importantes” vão desaparecendo, enquanto os protagonistas vão aparecendo em locais estratégicos. Jon enviou Tormund e os selvagens para o castelo de Atalaialeste do Mar, uma das fortalezas da Patrulha da Noite que precisa ser guardada; Arya está colocando os seus aprendizados em prática e cumprindo sua oração; Jon e Sansa estão em Winterfell, Daenerys e companhia chegaram silenciosamente a Pedra do Dragão, e o gelo está por toda a parte.

Em um aspecto geral, o episódio 7.01 de Game of Thrones segue movendo os personagens como peças em um elaborado jogo de xadrez, mas sem causar grandes alardes e contendo a empolgação. De fato, nota-se que os diálogos vão direto ao ponto e que todos os personagens restantes estão em um lugar de poder (considerando que conhecimento é poder) maior do que na temporada anterior, o que nos leva a crer que uma briga de forças está muito próxima. Não se trata de um episódio que sai do ar com uma explosão, mas é um início interessante para os dois personagens favoritos do público. Devemos começar?

CANTINHO DA ESPECULAÇÃO
Vamos falar da visão de Bran. Na temporada anterior, vimos que ele não só é capaz de ver o passado como também o futuro (a evidência disso é o momento que ele viu a explosão do Septo de Baelor antes de ela acontecer). O que Bran enxerga é um Exército de Mortos caminhando por um lugar que acredita-se ser ao sul da Muralha. Não sabemos, entretanto, se ele está enxergando o passado ou o futuro, mas caso seja o futuro (o que é mais provável; caso contrário, não haveria muitos motivos para mostrar esta cena), então é uma evidência direta de que a Muralha está com seus dias contados, e a Longa Noite pode realmente voltar.
É um tanto óbvio, mas com Jon determinado a encontrar Vidro de Dragão, este deve ser o motivo que o levará ao castelo de Pedra do Dragão e, consequentemente, à presença de Daenerys.
A presença da Irmandade Sem Bandeiras parece ganhar uma repentina importância nesta temporada, e o episódio já explica, disfarçadamente, para onde eles estão seguindo; o local da Muralha que Sandor vê nas chamas é justamente onde fica Atalaialeste do Mar; portanto, devemos ver Tormund e Sandor juntos. (Imagina uma conversa destes dois sobre Brienne… alguém chama o Jaime!)
Euron Greyjoy começou a mostrar discretamente uma parte do personagem charmoso e fascinante que é nos livros; a união da Lula com o Leão veio sob o custo de algumas explanações de momentos que foram retirados da série, mas nada que chegue a prejudicar o desenvolvimento do episódio. O que intriga, mesmo, é o tal ‘presente’ que ele promete a Cersei. O que será?
Ainda em explanações cansativas, Vilavelha foi usada primordialmente como uma desculpa narrativa para explicar buracos de temporadas anteriores. Uma pena, até porque personagens não são enciclopédias.
Quando Tyrion termina o episódio perguntando à sua Rainha se “devemos começar”, fica claro que Daenerys não chegou a Westeros sem um plano. Ela tem três dragões, um grande exército, mas uma inimiga imprevisível — que, inclusive, sua Mão conhece muito bem. A maior dúvida é: como exatamente ela está planejando conquistar Westeros?

Episódio: 7.01 - Dragonstone
Escrito por: David Benioff e D.B. Weiss
Dirigido por: Jeremy Podeswa
Exibido originalmente em: 16/07/2017


Fonte: Com informações de Adoro Cinema